No dia seguinte encontrei o Roberto no colégio. Ele me disse que havia adorado a Ju, e o quanto ela era fofa, e ainda disse que eu tinha muita sorte de ter uma irmã como ela.
- É, a Ju é o meu xodó, minha companheirinha, minha melhor amiga. Agradeço todos os dias por ter ela em meu caminho. – Eu disse.
Nisso chegaram as ''amiguinhas'' do Roberto. Ele conversou todo queridinho com elas, e eu ali morrendo de ciúmes, e ele nem pra perceber isso.
- Você está tão lindo, Betinho, lindo como sempre. – Disse uma das amigas dele.
''Ah! Eu que não vou ficar aqui tendo que aguentar essas coisas.'' – Pensei ao me levantar,
- Onde você vai? – Perguntou Roberto.
- Dar uma volta. – Eu respondi.
Ele nem tentou me impedir, nem pediu para eu ficar, pelo contrário, ficou lá todo nhe nhe nhé conversando com as amiguinhas dele. Ai que raiva que me deu, eu todo mordido de ciúmes, e ele nem pra perceber e vir atrás de mim. Fiquei todo bolado, e pensei:
‘’Não vou mais falar com ele por um bom tempo.’’
Mas bastou eu chegar na sala, e ver ele lá sorrindo ao me ver para eu sorrir de volta.
- Senta do meu lado. – Ele disse.
- Não, senta aqui com a gente. – Disse Sandy.
Eu pensei em tudo que ele havia me feito, olhei para ele tentando resistir, e sentei atrás da Sandy, e do lado do Maurício.
Roberto me olhou sem entender o que havia acontecido, e eu tentei nem dar bola para ele. Fiquei conversando com a Sandy e com o Maurício. Depois de uns dez minutos de muita conversa, a professora chegou e a aula começou.
A aula estava muito boa, aprendi muita coisa legal, e no intervalo tivemos novamente que aturar aqueles grandões metidos, que ficaram nos perseguindo o tempo todo. Sandy e Maurício ficaram se escondendo deles junto comigo. Já o Roberto ficou com aquelas chatas das amigas dele.
No fim da aula, eu estava indo embora, quando ouvi aquela voz tão doce que eu adorava.
- Hey! Espera. – Disse Roberto.
Eu parei, esperando ele me alcançar, fomos o caminho todo em silêncio, ninguém puxou assunto. Era um silêncio que parecia não ter fim, só escutava os barulhos do trânsito e dos passarinhos.
Chegando na nossa rua, Roberto perguntou:
- O que tá pegando? Que eu te fiz pra você ficar me ignorando?
- Nada! – Eu respondi.
- Como nada? Você nem quis sentar do meu lado hoje na aula, ficou o tempo todo com a Sandy e com o Maurício, nem me deu bola. Eu te fiz algo?
- Não! Ah Roberto achei melhor deixar você um pouco com as suas ´´amiginhas´´ . Parecia que vocês tinham muita coisa pra conversar, só não quis me meter.
- Ah, então era isso. Por que não me disse antes que você estava com ciúmes? – Perguntou Roberto.
- Ciúmes eu? Você só pode estar brincando. Eu não tenho ciúmes daquelas chatas.
- Não precisa me dizer a verdade, se não quiser, mas você está com ciúmes, sim. E não te preocupa Thammy, eu posso ter um milhão de amigas, mas é de você que eu gosto.
Ele piscou o olho, e saiu andando, deixando eu lá quase voando nas nuvens, sem acreditar no que ele havia dito. E aquele sorriso bobo dele não saia da minha cabeça.
Entrei para a minha casa, e já veio a Ju dizendo que queria saber de tudo o que havia rolado. Contei meio por cima para ela, e em seguida fui esquentar o almoço pra gente, almoçamos, e levei a Ju no colégio como eu teria que fazer todos os dias. Ao retornar para a minha casa não conseguia tirar o que o Roberto havia me dito da minha cabeça. Era algo tão bom, tão maravilhoso, que palavras não conseguiam descrever o que eu estava sentido, simplesmente era algo inexplicável.
Naquela tarde fiquei com vergonha de chamar o Roberto para brincar, e me pus a esperar ele me procurar, e acabei adormecendo de tanto esperar. Após algum tempo que eu havia pegado no sono, eu acordei com o celular tocando. Era ele.
- Você pode sair para rua? – Ele perguntou assim que eu atendi a ligação.
- Posso. – Eu respondi.
Assim que eu vi ele vindo em minha direção, Roberto me disse:
- Vem comigo. Quero que você conheça o meu lugar preferido e ultra secreto.
Dito isso, ele saiu correndo, e eu corri atrás dele. Já estava cansado quando por fim chegamos nesse lugar tão misterioso. Roberto tapou meus olhos e foi me guiando até o local que ele queria me levar.
- Pronto. – Ele disse tirando as mãos dos meus olhos.
Era um lugar tão lindo, o lugar mais lindo que eu já havia visto na vida, um lugar que não se via nem nos filmes mais belos. Tinha uma cachoeira que a gente aproveitou para tomar banho, de roupa mesmo, e tinha um gramado ótimo para fazer um piquenique. E muitas árvores, que eu mesmo morrendo de medo, subi em uma, e dava pra ver o sol bem de pertinho.
- Esse lugar é lindo. – Eu disse.
- Legal, né? Sabia que você iria gostar. Descobri ele faz alguns dias, e você é a primeira pessoa que eu trago aqui. – Ele me disse.
- Sério? E por quê? – Eu perguntei.
- Porque depois do meu pai, você é a pessoa que eu mais gosto na vida, e eu pensei que talvez te trazendo aqui eu conseguisse demonstrar um pouco do quanto você é especial em minha vida.
Ao ouvir aquilo eu não consegui resistir e dei um selinho nele. Foi por impulso, não havia pensado em fazer aquilo. Fiquei vermelho de vergonha quando vi o que havia feito. Roberto parecia ter gostado, embora também tivesse ficado vermelho.
- Desculpa, foi sem querer, eu não queria fazer isso. Eu entendo se você não quiser mais falar comigo. Sério, eu fui uma i****a, não devia ter feito isso. Acho melhor eu ir embora. – Eu disse.
- Hey Thammy! Calma, eu não tenho o que te perdoar, até porque eu adorei. – Disse Roberto sorrindo.
Fiquei morrendo de vergonha, mas para ele não perceber, eu disse que estava na hora de eu ir buscar a Ju no colégio.
- Posso ir com você? – Ele perguntou.
Eu sorri, e disse que podia.
E lá fomos nós para o nosso colégio, buscar a minha irmã.