Volta Pra Casa

778 Words
Roberto me contou tudo que a sua madrasta fazia com ele, era cada coisa mais absurda, e me doía pensar que o seu pai nunca desconfiou de nada, tadinho, deve ter sofrido tanto. - E quanto ao Guilherme? - Eu perguntei. Roberto então me disse que o Guilherme já havia visto algumas coisas, mas nunca falou nada, porque senão sua mãe castigava ele. As vezes eu reclamava de alguma coisa, mas naquele momento eu percebi que eu reclamava a toa, que a minha vida era muito boa, em comparação com a vida do Beto. Nós brincamos muito enquanto estávamos ali. Brincamos de lutinha, de guerrinha, cantamos, dançamos, fizemos a maior festa, e ainda fizemos guerra de espuma, com umas espumas de sabão que ele havia levado, foi a maior bagunça, e a cada dia com ele eu me divertia mais e mais. E quando a noite chegou nós fizemos alguns marshmallows, e contamos algumas histórias de terror. Roberto até me elogiou, disse que eu contava histórias de terror muito bem para uma garota. Depois de algum tempo, entramos para a barraca e ficamos conversando, falando da vida, até pegarmos no sono. Amanheceu, e o dia estava lindo, estava muito calor, e fomos procurar algo para nos banhar. Caminhamos um pouco e avistamos um rio ali perto. Roberto tirou a camisa e a bermuda, ficando apenas de sunga, o que me deixou meio sem jeito, e deu um pulo no rio. - Você não vem? A água está deliciosa! O que foi? Não trouxe biquíni? – Ele perguntou com um leve sorriso enquanto brincava com a água. - Não! – Eu disse. Tirei a camisa, e fiquei apenas de shorts, e também pulei no rio. Havia se passado alguns dias desde que a gente fugiu, já estava com saudade dos meus pais e da Ju, e para a minha sorte, Beto me disse que também estava com saudade do pai dele, e que depois de muito pensar ele viu que não era certo isso que ele estava fazendo, e queria voltar para casa. Guardamos nossas coisas, e fomos em direção às nossas casas, e assim acabava a nossa aventura. Ao chegarmos em casa, eu e o Roberto nos despedimos, e cada um foi para a sua casa. Meus pais perguntaram como estava a avó do Roberto, e eu tive que mentir novamente, dizendo que ela estava bem melhor, os dois acreditaram, e eu fui para o meu quarto lembrar de tudo o que eu vivi com o Roberto. Ju chegou me dizendo que estava com saudade de mim, e pedindo para eu não deixar ela novamente, prometi que não faria isso novamente. - Ei tampinha, eu nunca vou te abandonar, eu sou teu irmão mais velho, e qual o dever dos irmãos mais velhos? - Cuidar dos irmãos caçulas. – Ela disse. - É isso aí! Ju me abraçou, mas um abraço tão apertado que eu nunca havia sentido antes, nem com o Roberto, um abraço repleto de ternura, e naquele momento eu percebi que só existiam duas mulheres que eu amava com loucura, e sempre amaria: A Ju e a minha mãe. Quando Roberto chegou em casa, o pai dele estava super preocupado, e chorando muito. Roberto me disse que nunca vira seu pai chorar antes, a não ser quando sua mãe morreu. Já a madrasta dele, estava uma fúria que ele havia voltado, mas tentava não demonstrar, e ao ir para seu quarto, a sua madrasta disse que ele deveria nunca ter voltado. Ficava com pena dele ter que passar por tudo isso, ele era muito pequeno, pra ter passado por tantas coisas assim. Algum tempo se passou, e as nossas férias já estavam chegando ao fim, infelizmente, sentiria saudade das férias. No dia seguinte começariam as aulas, e eu iria para uma escola totalmente nova, totalmente diferente, e que eu não conhecia ninguém, o que me causava muito medo. Comentei com o Roberto sobre o novo colégio, e ele disse para eu não me preocupar, e que iria torcer para eu ir para o mesmo colégio que ele. - Quando você vai me apresentar os seus pais e a sua irmã? – Roberto me perguntou. - Como? - Você já conhece o meu pais, a minha madrasta e o Guilherme, mas eu nunca vi os seus pais e a Julia. O que foi? Será que eles são tão chatos assim? – Roberto me perguntou em tom de ironia. - É, é isso mesmo, eles são muito chatos, acho que vocês não iam se dar bem. – Eu disse. Roberto parecia não ter gostado muito, mas não insistiu, ficou na dele. Mas será que ele havia acreditado?
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