No dia seguinte eu acordei bem cedo com o despertador, era hora de me levantar para ir para o colégio novo, o que me deixava meio assustado, pois eu não sabia como seria, e se não gostassem de mim? Mas eu tinha esperança de que daria tudo certo. Tomei banho, me arrumei, tomei meu café, peguei a minha mochila e fui para o colégio.
Queria muito ficar na escola e na turma do Roberto, mas eu sabia que se isso acontecesse, eu teria que me passar por Tamires lá também, e isso me dava muito medo de alguém desconfiar ou perceber que eu era um garoto, isso sem falar que meu nome estaria na chamada como Thales, ai, acho que isso estava indo longe demais.
Chegando lá, eu vi o meu nome na chamada na Turma 40B, sala 14, e fui para lá. Só tinha mais dois alunos na sala, a Sandy, uma garota bem humilde, que eu conheci posteriormente, ela era loirinha de cabelo crespinho e olhos claros, e o Maurício, um garoto bem bonito, de cabelo encaracolado e olhos cor de mel, que ficou me encarando quando eu entrei na sala, só não sei se era porque ele havia gostado de mim, ou se era porque ele havia percebido que eu era um garoto, não, isso não podia acontecer.
Conversei um pouco com eles, e me pareceram serem bem legais, Sandy tinha nove anos, e estava um ano adiantada, e estava há dois anos na escola. Já o Maurício tinha dez anos, e estava no colégio desde o primeiro ano, até que eles pareciam ser super legais, acho que seríamos amigos, havia gostado deles. Ficamos conversando um pouco, e enquanto isso os outros alunos foram chegando.
Aí quando eu menos esperei, o Roberto entrou na sala.
- Não! – Eu disse.
- O que foi? Conhece o Beto? – Perguntou Sandy.
Roberto ao me ver sorriu, era aquele sorriso doce que eu tanto gostava.
- Oi.- Ele disse me dando um beijo no rosto.
- Oi. – Eu disse morrendo de vergonha.
Roberto cumprimentou também a Sandy e o Mauricio, que ele já conhecia, porque haviam sido colegas no ano anterior, e então, ele sentou ao meu lado, senti meu coração acelerar naquele momento. Mas aí o medo aumentou, e agora? Quando a professora fizesse a chamada, o que fazer? Não podia dizer que eu era o Tales. Ai meu Deus e o que fazer agora?
E a cada segundo que passava eu ficava mais nervoso ainda. De repente a professora entrou. Era uma mulher muito linda e jovem, devia ter na base de uns 25 anos, morena, de cabelo ondulado nas pontas e olhos castanhos claros. Largou seu material em sua mesa, ficou de pé à nossa frente e começou a se apresentar. Disse que se chamava Fabiana. E falou sobre a faculdade que ela fez, que fazia um ano que ela dava aula, e blá blá blá.
Então, depois de falar, coisa que pelo visto ela adorava fazer, ela se sentou, e disse que iríamos começar as apresentações. Pegou a chamada e começou por ordem alfabética, chamava um nome, e pedia pra falar a idade, se era da escola ou de que escolha havia vindo, e o que esperava para aquele ano. E lá foi, primeiro começou com todos da letra A, depois letra B, e assim por diante, até chegar na letra T, do meu nome. Quando ela chamou meu nome, Thales, eu gelei, nem conseguia piscar.
- Ninguém? – Ela perguntou.
Ninguém respondeu, era silêncio e mais silêncio.
- Acho que não chegou ainda. – Disse a professora.
‘’Ufa!’’ – Eu pensei.
E depois que terminou a chamada, Roberto disse apontando para mim:
- Professora, a senhora não chamou ela.
- Qual o seu nome? – Ela me perguntou.
- Tamires. – Eu disse nervoso.
Ela sorriu, e pediu que eu me apresentasse. Eu disse que eu tinha dez anos, e falei de que escola eu havia vindo.
‘’Essa foi por pouco.’’ – Eu pensei.
É, acho que dessa vez eu havia me escapado. E assim novamente eu consegui me passar pela Tamires, aquela personagem que eu havia inventado, e estava gostando tanto, já que o Roberto gostava tanto dela.