Isso não podia estar acontecendo.
O pânico correu pelo sangue de Astrea. Ela tinha uma marca no pescoço, e não era a marca que toda garota metamorfa sonhava.
Era um problema.
Um grande problema renegado para ela.
Porque ela tinha uma grande e brilhante marca de chupão onde a marca de um companheiro deveria estar. Vermelho brilhante, quase framboesa de cor.
"O que é isso, Astrea?" Joran soou impaciente e ela recebeu um banho de realidade, percebendo que ele ainda estava na linha.
Diga a ele que você está menstruada, Nova sugeriu "prestativamente", e Astrea estava muito perto de bloquear sua loba por um ou dois dias. Nova sabia o que ela estava pensando, é claro. Isso sempre funcionou no passado e você sabe disso! ela acrescentou.
Tchau, Nova! Astrea fechou a ligação mental enquanto não tinha capacidade mental para lidar com tudo agora e precisava se concentrar no homem que ainda tinha poder sobre ela.
"É..." Ela não sabia o que dizer a seu Professor. Por algum motivo, a verdade parecia ser uma ideia r**m. "Desculpe, não é nada. Este lugar é apenas um inferno em geral. Baratas aqui têm o tamanho de melancias."
"Você não gosta do Leste mais?" Joran perguntou com uma voz sem emoção, mas ela sabia que ele devia estar comemorando internamente. Ele a enviou aqui de propósito. Provavelmente para provar a ela que este não era o lugar para ela. m*l sabia ele que este nunca foi o destino final.
"Não há nada para gostar!" Ela disse, grata por isso não ser uma chamada de vídeo. "É um deserto. Nós vivemos em algum prédio antigo. Tudo é antigo aqui, e até tomar banho é um tormento no Leste."
"Você tomou banho aí, então?" A Serpente questionou, e ela não gostou para onde aquilo estava indo.
"À noite." Ela contou a verdade. "Quando ninguém estava por perto."
"Você tem certeza disso?"
A pergunta de Joran a assustou.
"Sim, por quê?" Ela coçou malditamente o chupão de novo e notou a tatuagem de cobra se movendo em seu pescoço.
Praguejando em voz baixa, ela correu para as bolsas.
"Astrea, eu quero ter certeza de que você está bem. Troque para vídeo." Joran sugeriu de repente, mas felizmente, ela estava pronta.
Ela não era burra. Ela percebeu rapidamente que ele sabia parcialmente o que tinha acontecido ontem, então ela jogou um moletom para cobrir as evidências e só então ligou a câmera, mostrando a Joran um rosto indiferente.
"Você parece cansada." Joran declarou depois de observá-la por alguns segundos.
"Bem, não é exatamente uma férias. Ou é?"
"Não é." Ele concordou, e o silêncio reinou mais uma vez. "Tire o moletom."
A ordem foi inesperada, e o Professor nunca pediu algo assim a ela antes, então os lábios de Astrea se separaram em choque.
"Por quê?" Ela exigiu, franzindo a testa.
"Você precisa de uma razão para obedecer uma ordem? Você ainda é minha Libélula." Joran insistiu. "Não é?"
"Eu sou." Ela suspirou e colocou o telefone na mesa, usando sua caixa de maquiagem para apoiá-lo. Ela se certificou de que ele pudesse vê-la e lentamente tirou o moletom, inclinando o corpo para a câmera esconder a marca nela.
"Mais perto." Ele comandou, e ela deu dois passos à frente.
Joran ficou em silêncio, e ela não gostou disso. Astrea queria acabar com isso.
"Gire lentamente para mim." Ele disse, e ela inspirou profundamente.
"O que você está procurando?" Ela decidiu perguntar diretamente e não falar coisas sem nexo.
"Feridas escondidas. Ontem eu senti que alguém estava te machucando, e tenho medo de que você esconderia isso de mim se fosse o caso." Joran admitiu friamente, e ela não conseguiu conter uma risada.
O que quer que Fenrir estivesse fazendo ontem não podia ser classificado como machucá-la. E o chupão em seu pescoço dificilmente era uma ferida.
Mas ela não achou que fosse importante contestar ou compartilhar isso com Joran, então ela girou lentamente na esperança de que ele não notasse nada.
Ela estava errada.
"O que é aquilo em seu pescoço?"
Astrea parou, sem saber como responder. Ela suspeitava que ele já soubesse de tudo porque não havia como ele ver o pequeno ponto no vídeo r**m do telefone, mas é claro que não valia a pena confrontá-lo.
"Me mostre mais de perto!" Joran estalou os dedos e a cobra em seu pescoço apertou desconfortavelmente.
Ela fez como foi mandada simplesmente porque era mais rápido e aquela batalha já estava perdida.
"Isso é um... chupão?" A pergunta não a pegou de surpresa, mas não tornou mais fácil de responder também. Joran estava longe dela, mas ela conseguia sentir as ondas de raiva que ele emitia agora.
Astrea sabia com certeza uma coisa. Ele não gostava quando alguém se aproximava demais dela.
Ela nunca poderia esquecer a vez na Ilha dos Primogênitos quando um jovem elfo Dokkalfar chamado Steffen, um dos últimos de seu tipo e sem dúvida difícil de se obter em um acordo, começou a mostrar sinais de afeto por ela. Ele a ajudou em uma pista de obstáculos na frente de todos, algo que os Primogênitos nunca faziam. Astrea mentiu para si mesma por muito tempo, pensando que era coincidência as localizações de suas práticas de batalha e seus horários mudarem de forma que fosse praticamente impossível se encontrarem. Ela tentou esquecer como achou que o fato de o treinamento de Steffen se tornar mais perigoso e bem difícil de se sobreviver foi para o bem dele, que o Professor só queria deixá-lo mais forte.
Um dia Steffen a encontrou quando ela estava aprendendo sobre ervas venenosas na floresta e a levou para seu lugar favorito em segredo. Ele foi seu primeiro beijo, e ela ainda se lembrava do quão envergonhada se sentiu e como as orelhas pontiagudas dele ficaram coradas quando ele se inclinou para beijá-la.
Ela também se lembrou de como Joran o arrancou dela no momento seguinte e o jogou contra uma árvore enorme. Seus olhos estavam cheios de chamas, e ele se transformou em sua forma de dragão na frente dela, agarrando o elfo já derrotado com suas garras e voando embora...
Ela nunca mais viu Steffen.
Ela nunca deixou que nenhum outro Primogênito se aproximasse novamente. Não que eles tentassem se aproximar dela depois do que aconteceu... Ela era isolada. Um tabu. Aquela que não pode ser tocada.
O favorito do Professor.
A Menina do Professor.
Astrea foi atingida por uma lembrança daquilo. Ela sempre odiou aquele apelido, mesmo que ninguém ousasse usá-lo na sua frente.
"Quem te marcou, Libélula?" Joran perguntou novamente, com uma voz ameaçadora e exigente.
"Apenas um renegado bêbado." Ela deu de ombros, esperando acalmar a situação. "Eu resolvi."
"Como assim?"
"Eu o fiz dormir com uma agulha drogada." Ela disse calmamente, já que não precisava mentir dessa vez. "Ele acharia que era tudo um sonho."
"Você tem chupões em outros lugares?"
Perigoso. Essa pergunta era muito perigosa.
"Me mostre!" Seu Professor ordenou, e os olhos de Astrea se arregalaram. Certamente, ele não estava falando sério.
"Não há nada em nenhum outro lugar do meu corpo!" Ela se posicionou, cerrando os punhos.
"Me. Mostre." Ela pôde vê-lo se ajustando em seu assento de volta na mansão na ilha.
"Professor, Joran." Ela o olhou através dos cílios, consertando seu erro rapidamente. "Não há nada. Eu não deixaria–"
"Você deixou um renegado te tocar." Ele interrompeu. "Ele poderia ter mordido o lugar do seu companheiro."
"Mas ele não fez." Astrea insistiu. "Porque eu sei como me proteger. Mesmo aqui."
"Eles são renegados!"
"Eu sei disso, e você também sabia quando me enviou para cá!" Ela ficou surpresa com o quão aberta essa conversa estava se tornando.
"Você sabe por que eu te enviei para aí." Joran se inclinou para frente. "Não mude de assunto, Astrea."
"Está bem!" Ela cerrou os dentes e puxou uma alça, ficando ereta diante da câmera. Sua respiração estava presa, e a raiva estava aumentando dentro dela. Ela tinha que controlar essa raiva porque Niki pagaria o preço se ela não fizesse isso.
Astrea odiava como seus dedos tremiam quando ela soltou a última alça que segurava sua camisola de renda. Ela levantou o queixo alto porque se recusava a aceitar isso como humilhação. Ela não tinha nada do que se envergonhar aqui.
"Pare." A voz de Joran mudou, e ela soltou um suspiro alto de alívio, voltando seus olhos para a tela. "Me desculpe, Astrea. Eu confio em você. Eu não deveria ter perguntado. Eu apenas odeio que algum renegado imundo tenha colocado as mãos em você."
"Está tudo bem." Ela se ouviu dizendo, ainda chocada por ter recebido um pedido de desculpas em primeiro lugar.
"Você conheceu aquele que chamam de Rei?" O Professor mudou de assunto abruptamente.
"Sim.", Astrea puxou a alça de volta e colocou o moletom de volta para se cobrir melhor.
"O que você achou dele? Como ele é?"
"Rude e relutante em se comunicar. Ele queria que eu fosse embora e não acho que ele é um grande fã da aliança." Ela relatou, sem mencionar que ele foi o "renegado imundo" que pôs as mãos nela.
"Você acha que consegue lidar com ele?" Joran esfregou o queixo, observando cada movimento dela.
"Eu estou aqui, não estou? Obviamente, ele mudou de ideia." Astrea sorriu de canto e foi buscar uma roupa para hoje. Ela não suportava mais ficar na frente dele, mesmo que ele estivesse apenas em sua tela.
"Eu quero que você me conte tudo o que puder sobre." Joran queria continuar questionando, mas uma batida na porta os silenciou e Astrea rapidamente pegou o celular da mesa.
"Quem está aí?" Ela perguntou, sem desligar a chamada.
"Apenas o cidadão mais bonito e estiloso do Reino Perdido." Devoss anunciou com uma confiança admirável. "Eu vim te levar para o café da manhã."
"Ah, ótimo! Vou estar pronta em um segundo!" Astrea gritou e fez um gesto para seu Professor que a conversa tinha que ser encerrada. Ela notou como seu maxilar se apertou, mas ainda assim ele assentiu, deixando-a apertar o botão de desligar.
Finalmente livre de um problema, Astrea se viu com outro.
O chupão parecia ter aumentado desde a última vez que ela o viu no espelho, e aquilo simplesmente não fazia sentido.
"Não!" Ela lamentou enquanto avaliava sua pele novamente. "Por favor, deusa, não!"
Tudo estava indo tão bem, e agora isso poderia arruinar tudo para ela. Fenrir não podia ver aquilo.
"Merda!" Ela praguejou baixinho.
Eu te disse que era uma ideia estúpida, Nova resmungou em suas mentes. Agora você está fodida, minha querida.
Ela falou como se não compartilhassem um corpo.
Sabe, eu ouvi dizer que os lobos deveriam ser úteis para seus companheiros, Astrea lembrou sua companheira com um gemido.
Eu tentei, Nova riu. Não é culpa minha que você seja indefesa. Um renegado bonito foi o suficiente para fazer você perder a cabeça.
Astrea riu. Você estava lá também, e não me lembro de você reclamando tanto! Na verdade, não me lembro de você reclamar de nada. O que tinha para reclamar? sua loba sorriu. Ele era um espécime tão bom e sabia como nos tratar. Fenrir foi simplesmente perfeito pela primeira vez. Lembranças para a vida, sabe.
Astrea esfregou o pescoço na esperança de fazer o chupão desaparecer.
Não desapareceu.
"Como isso é possível?" Ela exalou em derrota. "É apenas um chupão. Deveria ter ido embora até agora. Lobos não têm chupões por mais de uma hora, e já se passaram várias.
Nova não respondeu, e Astrea suspirou, percebendo que não era importante. Ela tinha que lidar com isso de qualquer maneira.
Ela trouxe sua maquiagem e usou o melhor corretivo e base à prova d'água para mascarar, trabalhando o mais rápido que podia, já que sabia que eles estavam esperando por ela. Ela colocou um macacão branco com decote, e um cinto maciço, combinando com um casaco longo estilo quimono com tachas enfeitando as bordas para manter o tecido esvoaçante no lugar.
Sem pensar duas vezes, ela acrescentou um lenço de seda branca para tentar esconder a marca em seu pescoço, caso a maquiagem não fosse suficiente.
Ela não teve tempo de fazer nada com o cabelo, mas por sorte tinha alguns cachos naturais no ambiente quente e úmido, completando seu visual.
Devoss ainda estava esperando por ela quando ela saiu do quarto e a levou à sala de jantar, que era simplesmente uma das varandas do longo forte, onde todos os renegados que ela já conhecia estavam presentes.
Kara e Bastian franziram a testa quando a viram, enquanto Warg não teve nenhuma reação. Um Ômega estava servindo-os, e Astrea ficou um pouco chocada com a abundância de comida na mesa. Isso não era como ela imaginava o café da manhã em uma mesa de renegados.
Belos pratos e tigelas coloridas estavam cheios de frutas, nozes, queijos, saladas, pães e alguns molhos que Astrea não reconheceu. A impressionante seleção diante dela parecia e cheirava deliciosa. Ela não tinha comido nada desde que deixou a ilha e precisava de todo seu autocontrole para não se jogar naquilo que estava diante dela...
No entanto, ela esqueceu da comida no momento em que seus olhos encontraram com o Rei dos Renegados.
Fenrir sentou-se à cabeceira da mesa, usando outra camisa preta e ainda conseguindo parecer imponente com seus cabelos escuros chegando aos seus ombros musculosos.
"Bem-vinda à nossa humilde mesa, Astrea." Ele levantou uma sobrancelha para ela, e ela esperou que ele dissesse algo mais. Qualquer coisa, na verdade...
Mas ele não fez nada disso, e ela escolheu uma das cadeiras, frustrada, optando pela que estava ligeiramente afastada de todos os outros.
"Você ficou." Kara afirmou o óbvio sem entusiasmo na voz. Ela parecia entediada e extremamente irritada.
"Sim, e estou ansiosa pela nossa cooperação!" Astrea agiu como se não percebesse o ressentimento. Ela era boa nisso, pois tinha tido muita prática no passado.
"Então, quais são seus planos para nós?" Devoss foi o único que parecia genuinamente amigável e interessado. "O que você vai fazer aqui?"
"Eu gostaria de começar explorando o Leste." Ela sorriu. "Quero ver as cidades, conhecer as pessoas, ver como tudo está organizado aqui antes de poder dar minhas recomendações sobre o que fazer."
"Tão profissional!" Devoss assentiu, arrumando seu prato com as iguarias que ele gostava. "Parece que você vai precisar de um guia aqui!"
"Isso seria muito bom!" Ela sorriu para ele. "Eu estava esperando que alguém se voluntariasse para me ajudar com isso."
Fenrir limpou a garganta, e involuntariamente os olhos dela voltaram para ele. Era incrivelmente difícil não pensar no que tinha acontecido entre eles na noite anterior.
"Por que você está usando um lenço?" Ele perguntou, fazendo-a se assustar. "Está um dia quente, e só vai ficar mais quente daqui para frente."
Ela o encarou por alguns momentos antes de responder. "Está aqui por razões decorativas."
Os cantos de seus lábios se curvaram para cima. "Bonito. E agora, por que você não o tira?"