8. Tempestade de Areia

3355 Words
"Não, obrigada." Astrea deu ao Rei dos Renegados seu sorriso mais encantador e fingiu estar focada em pegar algumas frutas para si, "Usar lenços na mesa de jantar vai contra nossas tradições." Ela ouviu a voz sarcástica de Fenrir e pausou. Sua pesquisa sobre o antigo Reino Oriental não descrevia nenhuma restrição desse tipo. Porque os renegados teriam uma regra tão boba estava além de sua compreensão. Não fazia sentido algum. "Desde quando?" Bash perguntou a pergunta razoável, confirmando suas suspeitas, e ela ouviu o som distintivo de um chute debaixo da mesa, o que fez Astrea imediatamente se endireitar. Então, Fenrir se lembrou de algo. Ela rezou para que seu sangue não corresse para as bochechas, para evitar denunciá-la. Felizmente, ela estava preparada para uma virada dos eventos como essa, também, e imediatamente olhou nos olhos de Fenrir sem uma sombra de confusão ou hesitação. Ela não poderia fazer um grande problema com um pedaço e******o de tecido porque tinha que fazer suas suspeitas desaparecerem. "Oh, me desculpe. Eu não tinha ideia." Ela se levantou e desembrulhou o lenço, jogando-o sobre o encosto de sua cadeira como se não tivesse nada a esconder. "Mais regras como essa seriam muito úteis de se saber." O chupão ainda estava coberto com maquiagem, então ela esticou os lábios num sorriso mais amplo e voltou a se sentar, encontrando o olhar do Rei dos Renegados. Era possível que ele se lembrasse de algo e duvidasse se era um sonho ou realidade. Sua tarefa atual era garantir que ele chegasse à conclusão correta de que tudo não passou de uma ilusão de sua mente embriagada. "É, essas regras seriam boas de saber para todos nós." Devoss riu, lançando um olhar de zombaria para seu líder. "Eu vou te mandar a lista." Fenrir ergueu uma sobrancelha para o amigo. "Ela começa com nenhuma cor vibrante no meu palácio." A provocação era clara porque hoje, Devoss estava usando um terno verde vivo, parecendo ainda mais deslumbrante do que antes. Seu longo cabelo escuro estava preso num r**o atrás da cabeça, e mais uma vez, Astrea pensou que isso não era nada parecido com o que ela imaginava de renegados. Os que ela tinha conhecido antes eram muito diferentes desse grupo. "Qual deles?" Devoss sorriu de canto, e Fenrir o encarou com uma expressão séria. A pequena interação chamou a atenção de Astrea. "Você tem mais de um palácio?" Ela perguntou, e Bash tossiu, Kara batendo com força nas costas dele, quase fazendo com que ele colocasse o nariz no prato. "Algumas dúzias!" Fenrir bufou, devorando sua comida. "O deserto todo está repleto dos meus palácios, você não sabia?" "Como eu poderia saber?", Ela espetou uma fruta que não reconheceu na amostra diante dela sem olhar. "Eu sou nova aqui. Preciso de um tour para conhecer esse lugar, lembra?" "Vamos arranjar isso, não é, Fenrir?" Devoss estava, definitivamente, tentando suavizar as coisas entre eles. "Claro." O Rei sorriu de canto, e seus olhos encontraram Astrea imediatamente. "Qualquer coisa para nossa querida convidada." "Isso é muito gentil da sua parte." Ela não acreditou. O brilho em seus olhos estava muito malicioso. "Eu tive um sonho sobre você." Ele anunciou de repente em voz alta, e todos pararam o que estavam fazendo, prestando completa atenção nele agora. "Sobre mim?" Devoss tentou desviar o assunto enquanto se sentava ao lado de Astrea, mas ela sabia muito bem de quem Fenrir estava falando. "Não, sobre nossa convidada do Sul." Seu Rei se inclinou sobre o encosto de sua cadeira maciça com um sorriso presunçoso. "Oh, sério?" Astrea piscou para ele inocentemente. "Foi bom? Fizemos aquela aliança afinal?" "Você entrou no meu quarto tarde da noite vestindo quase nada e se ofereceu como uma refeição." Ele declarou com calma, testando-a, pescando por uma reação que ela não iria dar. "Oh, meu Deus!" Ela riu. "Então era esse tipo de sonho! Estou lisonjeada. Tão inesperado, para ser honesta." "É!" Ele riu. "Eu fiquei chocado!" "Eu também ficaria!" Ela assentiu com a cabeça, mergulhando seu pão árabe numa pasta deliciosa. "Muito irreal, por sinal!" "Muito!" Ele concordou, sem desviar seus olhos penetrantes dela. "Nós nos beijamos." "Deusa da Lua!" Ela arfou, com ar de quem não estava impressionada, e assim que disse essas palavras, ele franziu o cenho. "Eu marquei cada centímetro do seu corpo com minha língua." Fenrir continuou, alcançando um copo de metal alto à sua frente e dando um gole. "Eu acho que já terminei!" Kara se levantou abruptamente, fazendo com que sua pesada cadeira de madeira rangesse sobre o piso enquanto a movia, uma expressão de irritação em seu rosto. "Saindo tão cedo?" Devoss zombou dela. "Eu tenho muito treinamento planejado para hoje para os recém-chegados." A mulher o ignorou. "E de repente perdi o apetite." Astrea estava agradecida pelo que Kara proporcionou como distração, pois podia sentir seu coração batendo nos ouvidos depois das palavras sem vergonha de Fenrir. Ele não marcou cada centímetro do seu corpo! Talvez ele tenha sonhado com ela depois que ela o dopou e saiu? A mera ideia fez com que ela sentisse um calor por todo o corpo. Calor que ela tinha que suprimir. "E então, quando eu te libertei da sua camisola fina, abri suas pernas..." O Rei dos Renegados não parecia ter terminado ainda. "Kara, espere aí!" Warg foi o próximo a sair, seguindo apressado sua amiga e nem mesmo se importando em terminar sua refeição. "Eu vou te ajudar!" Astrea fingiu estar ocupada com um bule de café de cobre que encontrou, servindo-se do que parecia ser o café mais forte e, ao mesmo tempo, mais aromático de sua vida numa xícara pequena. Ele vai parar com essa estupidez? Todos ficaram em silêncio por um tempo. "Então, você rasgou a camisola dela e abriu as pernas dela para quê?" Devoss mexeu o chá com uma colherzinha e Astrea queria jogar algo nele. "Acho que não estou mais com fome." Bastian também se levantou, com irritação transbordando de sua voz. "Vejo vocês mais tarde." "Olha só que grupo sensível nós temos aqui!" Devoss zombou e deixou a colher de lado, os cantos de seus lábios se curvando para cima. "Então, onde paramos, Fenrir? Por sorte, eu sou um ouvinte atento!" "Acho que entendemos que tipo de sonho foi esse!" Astrea decidiu intervir. Já chega. "Nos poupe dos detalhes, por favor." "Claro." Fenrir riu, voltando sua atenção para sua comida. "Terminou abruptamente de qualquer maneira. Eu te mordi levemente no local da marca e aquela serpente no seu pescoço ganhou vida e tentou me morder de volta." Ela parou. Ela não quis fazer isso, mas por apenas um segundo, ela parou. Era uma coisa ele se lembrar de fragmentos de seu pequeno encontro e questioná-lo. Era completamente outra coisa falar sobre sua tatuagem, que de fato estava viva. "Que tatuagem broxante você tem, Astrea!" Devoss era o que estava aproveitando mais este café da manhã desconfortável. "Só nos sonhos de Fenrir!" Ela retrucou com um sorriso forçado, tomando o resto de seu café. "Isso soa como um desafio?" O Rei deixou escapar uma risada confiante, e ela estava pronta para xingar-se por tê-lo provocado. Ela precisava amenizar essa tensão, não escalá-la ainda mais. "Enfim." Ela se virou para finalmente olhar para ele." Eu gostaria de ver a cidade e talvez fazer um passeio por aí. Preciso saber com o que estou lidando." "Eu posso organizar–" Devoss começou a falar, mas Fenrir o interrompeu com um gesto de sua mão. "Eu mesmo a levarei." Ele disse, chocando ambos. Uma onda de arrepios percorreu a espinha de Astrea. Aquele homem ao lado dela significava problemas. Especialmente considerando suas suspeitas. E também, porque você tem medo do que acontecerá se se encontrar sozinha com ele novamente, Nova a cutucou sem piedade, e Astrea tentou empurrá-la de volta em sua mente para deixar tudo claro. "Não há necessidade de você fazer isso pessoalmente." Ela sorriu. "Tenho certeza de que, como um Rei, você está ocupado e–" "Na verdade, você é minha prioridade número um no momento, Astrea." Fenrir anunciou, e ela engoliu em seco, o ar entre eles ficando insuportavelmente quente. *** Ela o seguiu para fora da fortaleza, mais uma vez surpresa por como estava vazia. Supunham-se que eles tivessem pessoas para oferecer à República, um exército. Mas tudo o que ela viu foi um prédio vazio e areia sem fim atrás disso. Um carro grande com rodas enormes os esperava, e Astrea começou a se perguntar de onde ele veio, já que não tinha visto nenhum veículo por ali. Muitas coisas aqui não estavam fazendo sentido. Para sua surpresa, Fenrir abriu a porta para ela e esperou o tempo todo enquanto ela entrava. Além disso, quando ela se acomodou, ele lançou um olhar interrogativo para ela. "O quê?" As mãos de Astrea quase alcançaram a marca de mordida em seu pescoço que ele lhe deu na noite anterior, e ela precisou de toda sua força de vontade para se controlar. "Cinto de segurança." Ele lembrou, e seus lábios se abriram em incredulidade. "Cinto de segurança?" Ela piscou para ele, e ele suspirou pesadamente, pegando o cinto bem ao lado dela e se inclinando completamente sobre ela para prendê-la com segurança. Ele demorou em seu caminho de volta, primeiro inalando seu cheiro e depois pausando bem à sua frente, seus narizes quase se tocando. Seu caloroso hálito acariciou sua pele, e ela quase se lembrou de como ele provou bem na sua língua naquela noite. "Segurança em primeiro lugar, Perigo." Seus lábios se curvaram, e ela lambeu os lábios, que de repente estavam secos. A ação sozinha fez seus olhos escuros se tornarem um pouco mais sombrios, enquanto ao mesmo tempo, o vermelho neles parecia pegar fogo. "Você– tem uma cor de olhos muito incomum." Ela murmurou enquanto ele descansava seu braço bem treinado na poltrona bem ao lado de sua cabeça, sem querer se afastar. "Isso já me disseram…" Ele a observou, e só o olhar dele parecia ser um afago no amante. "Como se alguém colocasse gelo em chamas." Ela continuou, sem ter certeza para onde estava indo com aquilo e por que não podia apenas calar a boca. "Não que seja possível." "Você ficaria surpresa em saber o que é possível." Fenrir disse e suspirou, empurrando-se para longe de seu assento como se aquilo o machucasse. Ele fechou a porta e andou ao redor do carro, sentou-se no banco do motorista e imediatamente ligou o carro, dirigindo em direção às areias intermináveis afogadas em plena luz do sol. "Tenho que dizer, você deve ser uma pessoa bastante aventureira para se voluntariar para vir aqui, Astrea." Ele a elogiou enquanto ela estava cativada pela paisagem. Ela parecia muito diferente do céu, mas ela amou a mudança de seus arredores habituais. "Eu não me ofereci!" Ela revirou os olhos só de pensar nisso. Quem em sã consciência se voluntariaria para entrar em um território de renegados? "Então é castigo." Ele riu, e ela mordeu o interior da bochecha, chocada com o quão perspicaz ele era. "Algo do tipo." Ela decidiu ser honesta desta vez. "Foi Jor quem teve essa ideia?" Sua cabeça foi rápida para ele como um chicote, mas Fenrir parecia imperturbável, seus olhos atrás dos óculos de sol focados nas areias adiante deles. "Você o conhece?" Ele engasgou. "Pode se dizer que sim." Ele respondeu como se não fosse grande coisa. Quando claramente era algo grande. Poucas pessoas no mundo podiam se vangloriar de conhecer Joran Nathair além daquelas que pertenciam a ele. Por outro lado, eles precisavam se conhecer. Afinal, eles haviam feito uma aliança de alguma forma. Ou estavam prestes a fazer. "A pergunta é: o quanto você o conhece?" Os lábios de Fenrir se comprimiram assim que terminou a frase, e ela percebeu como suas veias saltaram nos braços por causa da pressão que ele estava aplicando agora ao volante. "Apenas uma relação de trabalho." Astrea encolheu os ombros e virou o rosto para olhar pela janela. Ela não podia contar mais do que isso, nem queria. "Se algum dia você estiver atrás de um novo emprego..." Ele disse de repente e um sorriso apareceu em seu rosto. "Está me oferecendo um emprego agora?" Ela sorriu para ele. "Se você está desesperada o suficiente para trabalhar com renegados." Ele riu, sua risada ressonante vibrando pelo ar e Astrea percebeu que gostava do som disso. "Ainda não estou lá." Ela riu brincando. "Mas vou manter isso em mente. Vamos ver como nossa colaboração funciona." "Quer se divertir?" Essa pergunta a pegou de surpresa. Poderia significar qualquer coisa. Poderia significar coisas que ela esperava que não significasse. Provavelmente significava, considerando os "sonhos" que Fenrir estava tendo. "Sem ofensa, mas acho que nossa ideia de diversão é muito diferente." Ela respondeu secamente. "Quer apostar?" Ele sorriu maliciosamente, e ela não gostou da expressão em seu rosto. Como se ele tivesse algo em mente e soubesse que ela não ficaria animada com isso. Uma brusca virada do volante e o carro voou pelo ar, Astrea m*l conseguiu agarrar a alça ao lado de sua cabeça para se estabilizar. "O que você está fazendo!?" Ela gritou quando ele virou o volante na direção oposta ao máximo e o manteve lá, fazendo o carro girar, rodeado por nuvens de areia ao redor deles. Por um momento, ficou escuro lá dentro, e foi quando ele parou, deixando a poeira abaixar. Seu coração estava acelerado, o pulso batendo em sua cabeça enquanto ela olhava fixamente para o bandido ao seu lado com um olhar de vou-te-matar. "Eu disse que o cinto de segurança era obrigatório." Fenrir ajustou os óculos de sol no nariz e piscou para ela por cima deles com os lábios curvados para cima. "Pronta para mais?" "Não!" Ela protestou, mas ele já estava pisando fundo no acelerador e o carro voltou a avançar, rapidamente atingindo alta velocidade. Ela procurou freneticamente por algo para segurar, sem perceber que era a coxa dele. Embora, nesse momento, não importasse o que ela estava segurando, já que Fenrir fez com que o carro voasse pelo ar novamente e pousasse na areia que não parecia mais tão macia e segura. "Deus do céu!" Astrea entrou em pânico. Nunca dizer nunca. De todas as maneiras de morrer, um acidente de carro não estava muito alto em sua lista. Ela estava acostumada com situações perigosas, mas geralmente tinha, pelo menos, algum tipo de controle." "A deusa da Lua não é permitida nessas terras," Fenrir disse com um tom sombrio, profundo, mas ainda calmo por algum motivo. "Você precisa encontrar outros deuses para adorar. Ou melhor ainda, acredite em si mesma." "Meu Deus, você é tão profundo, Fenrir!" Ela rangeu os dentes, suas palavras encharcadas de sarcasmo, desejando poder bater nele com algo pesado. "Que tal discutirmos isso calmamente assim que você parar esse maldito carro?" "Astrea." Ele lhe deu um olhar conhecedor através das lentes escuras. "Você pode relaxar? Isso é um exercício de construção de confiança!" "Confiança?" Ela zombou, preocupada que ele não estivesse mais olhando para a estrada. Não que houvesse uma estrada para olhar... Mas ele devia estar louco fazendo isso e falando de confiança. "Eu não planejo me machucar nem parecer bobo na presença de uma mulher bonita que me fez sonhar com ela depois de uma breve conversa. É assim que nos divertimos aqui e, se você relaxar um pouco, poderá aproveitar também." Ele tinha um ponto. Fenrir não parecia tenso de forma alguma, e isso implicava que ele sabia o que estava fazendo. "Eu não gosto de me sentir presa." Ela confessou de repente, se surpreendendo por abrir-se para ele tão facilmente. Ela não era esse tipo de pessoa. No entanto, no momento seguinte, ela sentiu sua palma grande cobrindo sua mão, seus dedos se entrelaçando, seu aperto firme. "Você não está presa." Ele disse enquanto dirigiam em direção ao que parecia ser uma colina de areia gigante. A maior até agora. "Me diga para parar, e eu paro." Ela sabia que ele estava falando a verdade. Astrea sentiu isso em algum nível interno profundo e apertou mais o aperto nele. "Segure-se firme!" Ele riu, fazendo o carro voar novamente. Ela podia sentir a gravidade puxando-os para baixo, mas ao mesmo tempo, a sensação de liberdade que só se alcança durante um voo, por mais curto que seja, também a preenchia, fazendo-a esquecer de tudo. Ela gritou de alegria antes de pousarem novamente na areia, levantando nuvens e mais nuvens de poeira ao redor deles. Astrea perdeu totalmente a noção do tempo enquanto ele a entretinha, e quando finalmente chegaram a uma superfície seca e plana, com os prédios visíveis no horizonte, ela se sentiu um pouco decepcionada por ter acabado. Ela tentou suavemente soltar os dedos dele, mas só ouviu Fenrir rir de sua tentativa fraca. O homem não tinha intenção de deixá-la ir. "Eu estou bem agora." Ela disse a ele. "Temo que eu não ficarei bem se você me soltar." Ele franziu as sobrancelhas com pena quando ele a olhou tristemente. "E você me deve uma." Ela fechou os olhos, exalando bruscamente pelo nariz para esse homem e seus jogos, virando-se para olhar pela janela novamente. Como se sua mão estivesse separada de seu corpo e não significasse nada que ele a tivesse em sua posse agora. Seu polegar deslizou sobre sua pele, criando todo tipo de sensações que ela tentou bloquear, e Astrea teve que morder o lábio enquanto fazia isso para reprimir quaisquer reações ameaçadoras de escaparem dela. Esta era a mais estranha viagem de carro de sua vida. Eles entraram na cidade, se é que se podia chamar assim. O carro m*l passava pelas ruas estreitas e sujas. Era exatamente como ela esperava. Sem graça, superlotada, subdesenvolvida. Muito triste de se olhar. As coisas boas que ela percebeu sobre isso foram criadas pelo menos algumas centenas de anos atrás. Na época em que o Reino Pecado era o reduto oficial do Leste do Reino do Amanhecer, onde seus habitantes se misturavam com as pessoas do continente do outro lado do mar. Ela viu homens e mulheres vestindo roupas que já haviam visto vida - cansados, infelizes, a maioria sem esperança. Outros pareciam que a única coisa que eles tinham era esperança. O coração de Astrea se apertou de forma dolorosa por todos eles. Como era a vida aqui? Provavelmente poderia ser melhor se eles começassem a reconstruir este lugar. Esta empobrecimento era o que ela esperava. Reconstrução era o que ela teria feito em seu lugar. Não que ela fosse julgar. Astrea sabia muito bem que renegados perdem sua humanidade ao longo do tempo. Era isso que estava acontecendo aqui? Era por isso que Joran queria que eles se juntassem ao exército da República e lutassem contra o Oeste e o Norte? Ele amava guerreiros sem coração, afinal. Os renegados seriam descartáveis para ele. Ela estremeceu com seus próprios pensamentos, tentando afastá-los. No entanto, o quão r**m que tudo isso fosse, ela tinha que se salvar primeiro e depois Niki. Fenrir estacionou o carro em uma praça central, e ela notou um mercado nas proximidades vendendo produtos usados e algumas frutas que ela não reconheceu novamente. De onde eles estavam tirando isso? Fenrir deu um último aperto em sua mão, chamando sua atenção de volta para ele, e só então ele a soltou. "Bem-vinda a Raja, Astrea, a Cidade dos Renegados." Ele lhe deu um meio sorriso que não chegou a seus olhos. "Esta é a capital agora?" Ela perguntou. "Não, nós não temos mais uma capital. É apenas uma cidade." Cidade... Ela não concordava em chamá-la assim, mas como uma profissional, ela não disse uma palavra. "Vamos explorar então!" Ela saiu do carro antes que ele pudesse fazer ou dizer algo, e ele a observou se dirigir para o mercado, sentindo seu coração ficar mais pesado a cada minuto. O tecido branco de sua roupa fluía ao vento. Assim como seu vestido branco fez no dia em que se conheceram. O dia que ele lembrava como se fosse ontem. Enquanto ela não lembrava dele de forma alguma...
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