O silêncio ainda estava ali.
Pesado.
Quente.
Perigoso.
Morgana não se afastou.
Mas também não avançou.
Só sustentou o olhar dele por mais um segundo… como se estivesse escolhendo onde cortar.
E então falou.
Baixo.
Quase casual.
— Engraçado…
Ela inclinou levemente a cabeça.
— quando a gente era adolescente…
pausa curta
— você não ligava tanto pra perda de controle.
Aquilo atingiu.
Direto.
Sem defesa.
Leon soltou o ar pelo nariz.
Devagar.
E por um instante… muito breve…
quase sorriu.
Não por humor.
Mas por memória.
Os olhos dele não estavam mais totalmente no presente.
Estavam vendo outra coisa.
Outro tempo.
Outro erro.
— As coisas eram diferentes — ele disse.
Mas a voz não veio tão firme quanto antes.
Morgana deu um meio passo mais perto.
Só o suficiente.
— Eram?
Silêncio.
Ele desviou o olhar por um segundo.
Pequeno.
Mas real.
— Você ainda lembra — ela continuou, mais baixa agora
— de como você pulava a janela do meu quarto?
E foi aí.
Que o passado abriu.
O polegar dele pressionou de leve a pele do pulso dela.
Nada agressivo.
Mas não suave.
Controle disfarçado.
— Eu não cruzo linhas.
Ela sorriu.
Pequeno.
Quase satisfeito.
— Não?
Um segundo.
Dois.
E então ele inclinou o rosto o suficiente pra quebrar a distância segura.
Não tocou.
Mas também não evitou.
— Não sem motivo.
Agora não era mais só tensão.
Era escolha sendo adiada.