Viagem de volta foi tranquila, quase silenciosa. A estrada parecia respeitar o cansaço de todos, sem solavancos, sem pressa. Samuel dormia na cadeirinha, respirando tranquilo, com a boquinha levemente aberta. Lúcia o observava pelo retrovisor de vez em quando, como se precisasse confirmar que ele estava ali, seguro. Adrian dirigia concentrado, mas sereno. O fim de semana tinha sido intenso, bonito, cheio de pequenas descobertas. Não havia aquela ansiedade de antes, apenas uma sensação de que tudo estava, enfim, no lugar certo — ainda que a vida continuasse em movimento. Margarida seguia no banco de trás, olhando a estrada passar pela janela. Pensava em Hugo, no jeito cuidadoso dele, no respeito com que aceitou seus limites. Não era algo comum. Aquilo ficava ecoando dentro dela, junto com

