Silêncios que Acolhem A casa que haviam alugado estava envolta em um silêncio bom, daquele que não pesa, apenas descansa. Depois do movimento do rodeio, do brilho das luzes e do som alto, o sossego parecia ainda mais precioso. Lúcia entrou devagar no quarto, embalando Samuel com cuidado, como se cada passo fosse um pedido de licença à noite. Colocou-o no berço portátil, ajeitou a mantinha, passou a mão leve pelos cabelinhos finos. Samuel respirava tranquilo, entregue ao sono, como se todo o encantamento da noite tivesse se transformado em sonhos bons. Lúcia ficou alguns segundos ali, observando. Sempre fazia isso. Era o jeito que encontrara de agradecer em silêncio por tudo. Depois, foi para o banho. A água quente caiu sobre seus ombros como um abraço. Lúcia fechou os olhos, sentindo

