Capítulo 13

918 Words
O Jantar: Um Gosto de Perigo ​O restaurante “Sabor da Terra” em Formosura era um oásis de elegância rústica. Toalhas de linho branco impecáveis, talheres de prata polida e um cheiro suave de alecrim e azeite pairavam no ar. Adrian, vestido em um blazer bem cortado, estava visivelmente inquieto. Ele olhava a cada segundo para a porta, uma mistura de antecipação e nervosismo corroendo-o. Sua mãe, Dona Margarete, já estava sentada à mesa, imponente em um vestido de seda azul, os olhos afiados observando cada movimento do filho. ​"Adrian, meu filho, relaxe. É apenas um jantar," Dona Margarete disse, um sorriso quase imperceptível nos lábios. Era um sorriso que Adrian conhecia bem: o sorriso de quem tem um plano. ​"Estou relaxado, mãe," ele respondeu, a voz um pouco mais alta do que o necessário. "Só estou ansioso para que Luna chegue." ​Nesse exato momento, a porta do restaurante se abriu e Luna entrou. O ar no ambiente pareceu rarear. Ela estava deslumbrante em um vestido verde esmeralda que caía como uma cascata, realçando sua silhueta esguia. Os cabelos, geralmente presos, estavam soltos em ondas suaves que emolduravam o rosto, e um leve toque de maquiagem destacava seus olhos hipnotizantes. Adrian sentiu um nó na garganta. Ele a vira como Luna muitas vezes, mas nunca assim, tão… magnética. ​"Dona Margarete, Adrian," Luna cumprimentou, a voz suave e controlada, um sorriso encantador iluminando seu rosto. Ela parecia a personificação da elegância, a assistente perfeita, impecável e profissional. ​"Minha querida Luna, que bom que veio! Sente-se, por favor," Dona Margarete disse, um brilho nos olhos que Adrian não conseguiu decifrar. Era um brilho de aprovação, mas também de algo mais, algo quase predador. ​O jantar começou com uma conversa educada, mas Adrian sentia a tensão aumentando a cada minuto. Dona Margarete, com a maestria de uma jogadora de xadrez, conduzia a conversa, fazendo perguntas a Luna sobre seu trabalho, seus gostos, sua família. Luna respondia com a precisão de um relógio, mantendo a postura de profissionalismo, mas com uma doçura que Adrian não conseguia associar à imagem de Ramires. ​"Luna, você é uma moça tão prendada," Dona Margarete comentou, provando um pedaço de filé. "Adrian me falou muito bem de você." ​Adrian engasgou com a água. Luna lhe lançou um olhar rápido, divertido, mas logo voltou a atenção para Dona Margarete. ​"Eu apenas faço o meu melhor, Dona Margarete. O rancho é um lugar especial, e Adrian é um chefe exigente, mas justo." ​"Exigente, é?" Dona Margarete riu, e Adrian sentiu um arrepio na espinha. "Meu filho sempre foi um homem de gostos… peculiares. Mas vejo que você soube conquistá-lo com seu profissionalismo." ​Adrian podia sentir o rubor subindo ao seu rosto. Ele lançou um olhar desesperado para Luna, que apenas sorriu calmamente. ​"Adrian é um ótimo patrão," Luna disse, com uma entonação que soou quase sedutora para os ouvidos de Adrian, especialmente depois da noite em Formosura. ​O jantar seguiu com Dona Margarete tecendo uma teia sutil, elogiando Luna, mas sempre com um subtexto que Adrian sentia que estava perdendo. Ele se sentia cada vez mais atraído por Luna, a mulher à sua frente, e a lembrança de Ramires, seu confidente na noite anterior, parecia borrada. Era como se duas pessoas diferentes estivessem em sua mente, e ele não conseguia conciliar a assistente perfeita com a moça que o fazia sonhar. ​Em um momento de silêncio, Dona Margarete olhou fixamente para Luna. "Minha querida, você me lembra muito uma pessoa que conheci há muitos anos. Alguém muito... especial." ​Luna manteve a calma, mas Adrian viu um brilho de apreensão em seus olhos. ​"É mesmo, Dona Margarete? Que interessante." ​"Sim," Dona Margarete continuou, os olhos faiscando. "Essa pessoa também tinha um certo... talento para se disfarçar. Para ser quem precisava ser. E os olhos... ah, os olhos! Os mesmos olhos expressivos, cheios de segredos." ​Adrian sentiu o coração acelerar. Ele sabia que sua mãe era perspicaz, mas a intensidade de seu olhar, a maneira como ela sondava Luna, era assustadora. Ele se lembrou dos "sonhos estranhos" que tivera, os olhos de Luna em sua mente. ​"Mãe, o que a senhora quer dizer?" Adrian interveio, a voz rouca. ​Dona Margarete apenas sorriu para ele, um sorriso que Adrian agora reconhecia como vitorioso. "Nada, meu filho. Apenas que a beleza é um disfarce poderoso. E o que é mais belo do que a verdade, não é mesmo?" ​Luna, pela primeira vez na noite, pareceu ligeiramente abalada. Mas ela se recompôs rapidamente, um sorriso perfeito em seus lábios. ​"A verdade é sempre a melhor opção, Dona Margarete. Mas às vezes, ela se esconde em lugares inesperados." ​Dona Margarete brindou, os olhos fixos em Luna. "À verdade, então. E que ela nos traga muitas alegrias." ​Adrian sentiu o suor escorrer pelas costas. Ele tinha a estranha sensação de que sua mãe não só havia desvendado o segredo de Luna, como também o havia aprovado. E que ele, Adrian, era apenas uma peça no jogo de sua mãe. Ele olhou para Luna, que agora o encarava com um misto de desafio e cumplicidade. O jantar tinha se tornado um campo de batalha, e Adrian estava no meio do fogo cruzado, completamente bloqueado pela beleza enigmática de Luna. Ele podia sentir o perigo, mas também uma excitação crescente. O jogo de gato e rato estava prestes a atingir seu ápice.
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