Capítulo 14

422 Words
🌙 O Encontro Inesperado — Adrian & Lúcia O jantar havia sido surpreendentemente tranquilo. Adrian Santiago saíra do restaurante com uma sensação rara: paz. A presença firme de sua mãe, Dona Helena, misturada à leveza encantadora de Luna, deixara tudo mais suave. Luna tinha esse dom — ela falava pouco, mas preenchia os espaços como se soubesse exatamente onde tocar e onde calar. À noite, já no quarto do rancho, Adrian ficou alguns minutos deitado encarando o teto, a luz da lua escapando pelo espaço da cortina. E o pensamento veio sem ser convidado: “Como Luna é linda…” Linda de um jeito que não se esforçava. Linda de um jeito que ele tentava não ver, mas via mesmo assim. Mas a manhã chegou rápida demais. Ele tinha compromissos, e o mais urgente deles era ir até a casa de Raul Ramires. Precisava da assinatura para liberar a papelada da compra de gado — algo que normalmente não exigia mais do que quinze minutos. Só que aquele dia seria diferente. Quando bateu na porta, esperando ver o amigo, Adrian ouviu passos leves… mais suaves do que o de Raul. A maçaneta girou. A porta se abriu. E tudo parou. Era ela. A moça da padaria. A mulher que ele tinha notado sem querer… e lembrado sem admitir. Lúcia. Sem a touca, sem o avental, sem a pressa do balcão. Ali, diante dele, com o rosto limpo, o cabelo solto, e um brilho nos olhos que parecia desafiá-lo. Por um instante, os dois se olharam como quem reconhece uma verdade que deveria ter ficado escondida. Adrian engoliu seco. Lúcia, firme, segurou a porta — não para fechá-la… mas como quem dizia silenciosamente: “Eu não vou fugir.” E não ia mesmo. Não dessa vez. Porque ele estava na porta dela. E ela estava cansada de correr. Adrian respirou fundo, tentando recuperar sua voz, sua postura, qualquer coisa que o fizesse parecer menos atingido pela visão dela. — Bom dia… Eu… vim falar com o Raul. Lúcia sorriu de lado, um sorriso lento, cheio de consciência do efeito que causava. — Eu sei quem você veio procurar, Adrian… Disse o nome dele como se o conhecesse há anos. — Pode entrar. Ele já desceu. Ela abriu mais a porta. Ele cruzou a soleira. E por algum motivo — talvez o perfume dela, talvez a proximidade — o ar pareceu mais quente. E o dia, que deveria ser apenas mais um, acabava de começar com o tipo de tensão que podia mudar tudo.
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