🌙 O Encontro Inesperado — Adrian & Lúcia
O jantar havia sido surpreendentemente tranquilo.
Adrian Santiago saíra do restaurante com uma sensação rara: paz.
A presença firme de sua mãe, Dona Helena, misturada à leveza encantadora de Luna, deixara tudo mais suave. Luna tinha esse dom — ela falava pouco, mas preenchia os espaços como se soubesse exatamente onde tocar e onde calar.
À noite, já no quarto do rancho, Adrian ficou alguns minutos deitado encarando o teto, a luz da lua escapando pelo espaço da cortina.
E o pensamento veio sem ser convidado:
“Como Luna é linda…”
Linda de um jeito que não se esforçava.
Linda de um jeito que ele tentava não ver, mas via mesmo assim.
Mas a manhã chegou rápida demais.
Ele tinha compromissos, e o mais urgente deles era ir até a casa de Raul Ramires. Precisava da assinatura para liberar a papelada da compra de gado — algo que normalmente não exigia mais do que quinze minutos.
Só que aquele dia seria diferente.
Quando bateu na porta, esperando ver o amigo, Adrian ouviu passos leves… mais suaves do que o de Raul.
A maçaneta girou.
A porta se abriu.
E tudo parou.
Era ela.
A moça da padaria.
A mulher que ele tinha notado sem querer… e lembrado sem admitir.
Lúcia.
Sem a touca, sem o avental, sem a pressa do balcão.
Ali, diante dele, com o rosto limpo, o cabelo solto, e um brilho nos olhos que parecia desafiá-lo.
Por um instante, os dois se olharam como quem reconhece uma verdade que deveria ter ficado escondida.
Adrian engoliu seco.
Lúcia, firme, segurou a porta — não para fechá-la… mas como quem dizia silenciosamente:
“Eu não vou fugir.”
E não ia mesmo.
Não dessa vez.
Porque ele estava na porta dela.
E ela estava cansada de correr.
Adrian respirou fundo, tentando recuperar sua voz, sua postura, qualquer coisa que o fizesse parecer menos atingido pela visão dela.
— Bom dia… Eu… vim falar com o Raul.
Lúcia sorriu de lado, um sorriso lento, cheio de consciência do efeito que causava.
— Eu sei quem você veio procurar, Adrian…
Disse o nome dele como se o conhecesse há anos.
— Pode entrar. Ele já desceu.
Ela abriu mais a porta.
Ele cruzou a soleira.
E por algum motivo — talvez o perfume dela, talvez a proximidade — o ar pareceu mais quente.
E o dia, que deveria ser apenas mais um, acabava de começar com o tipo de tensão que podia mudar tudo.