Capítulo 66

662 Words
Perguntas Necessárias Na manhã seguinte, Adrian acordou cedo. O tapete não tinha sido o lugar mais confortável do mundo, mas, surpreendentemente, ele tinha dormido bem. Talvez fosse o cansaço acumulado, talvez fosse a paz de saber que Lúcia estava ali, a poucos metros de distância. Abriu os olhos devagar e ficou alguns segundos olhando para o teto, respirando fundo, organizando os pensamentos. A casa ainda estava silenciosa. Ele se levantou com cuidado, alongou as costas e percebeu que Lúcia já não estava no quarto. O som suave da água vinha do banheiro. Adrian caminhou até a poltrona perto da janela e sentou-se ali, esperando, enquanto a mente trabalhava sem parar. Tudo tinha acontecido rápido demais. Casamento, plano, responsabilidade. Ele não se arrependia de nada, mas sabia que agora cada detalhe importava. Qualquer descuido poderia levantar suspeitas — e isso ele não podia permitir. A porta do banheiro se abriu. Lúcia saiu com os cabelos ainda úmidos, presos apenas por uma toalha nos ombros. O rosto limpo, sem maquiagem, tinha um brilho natural que sempre o desarmava. Ela estava simples, mas linda de um jeito que fazia Adrian sorrir sem perceber. — Bom dia, esposa — disse ele, em tom leve. Lúcia parou no meio do caminho. O rosto ficou imediatamente vermelho, do jeito que sempre ficava quando ele a chamava assim. — Adrian… — murmurou, sem saber se ria ou se se escondia. Ele levantou-se devagar e se aproximou. — Vem cá — chamou, estendendo a mão. Ela foi, ainda meio sem jeito, e parou à frente dele. — Dormiu bem? — perguntou. — Dormi — respondeu ela. — E você… no tapete? — Melhor do que eu esperava — ele riu. — Mas depois vou cobrar uma massagem, viu? Lúcia balançou a cabeça, sorrindo. Por alguns segundos, o silêncio voltou. Um silêncio confortável, mas Adrian sabia que precisava falar. Respirou fundo, escolhendo bem as palavras. — Posso te fazer uma pergunta? — disse, com cuidado. Lúcia o olhou, curiosa. — Pode. — Eu juro que é só cuidado com… — ele fez um pequeno gesto com a mão — …nosso plano. Ela franziu levemente a testa, atenta. — É sobre sua menstruação — continuou, sem rodeios, mas com todo o respeito possível. — A minha mãe cuida de tudo aqui. Ela repara em detalhes. E grávida… a menstruação não desce. O silêncio caiu pesado por um segundo. Lúcia ficou vermelha de novo. Talvez ainda mais do que antes. — Adrian… — disse baixinho, desviando o olhar. Ele achou aquilo a coisa mais fofa do mundo, mas manteve a postura séria. Não era hora de brincadeira. — Eu preciso saber pra gente se organizar — explicou com calma. — Datas, desculpas, médico, tudo certinho. Não é invasão, é proteção. Lúcia respirou fundo, juntando coragem. — Ainda não era pra ter atrasado muito — respondeu, finalmente. — Tenho uns dias… mas já ia falar com você. Adrian assentiu, aliviado por ela confiar nele. — Ótimo — disse. — Então a gente fica atento. Qualquer coisa diferente, você me fala. Tudo que for do seu corpo, da sua saúde… é importante pra mim. Ela levantou o olhar e encontrou o dele. — Você leva isso muito a sério, né? — Levo — respondeu sem hesitar. — Porque você é séria pra mim. E isso aqui… — tocou de leve na mão dela — …não é brincadeira. Lúcia sentiu o peito aquecer. Mesmo com o nervosismo, havia algo reconfortante em ver o cuidado dele, a responsabilidade, o jeito calmo de tratar até os assuntos mais delicados. — Obrigada — disse. — Sempre — respondeu ele, sorrindo. Do lado de fora, o dia começava a clarear de vez. A fazenda despertava aos poucos, e, com ela, uma nova fase da vida dos dois. Cheia de desafios, de segredos… mas também de parceria. E Adrian tinha certeza de uma coisa: se fosse para enfrentar tudo aquilo, queria fazer do jeito certo — com diálogo, cuidado e respeito.
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