Perguntas Necessárias
Na manhã seguinte, Adrian acordou cedo.
O tapete não tinha sido o lugar mais confortável do mundo, mas, surpreendentemente, ele tinha dormido bem. Talvez fosse o cansaço acumulado, talvez fosse a paz de saber que Lúcia estava ali, a poucos metros de distância. Abriu os olhos devagar e ficou alguns segundos olhando para o teto, respirando fundo, organizando os pensamentos.
A casa ainda estava silenciosa.
Ele se levantou com cuidado, alongou as costas e percebeu que Lúcia já não estava no quarto. O som suave da água vinha do banheiro. Adrian caminhou até a poltrona perto da janela e sentou-se ali, esperando, enquanto a mente trabalhava sem parar.
Tudo tinha acontecido rápido demais. Casamento, plano, responsabilidade. Ele não se arrependia de nada, mas sabia que agora cada detalhe importava. Qualquer descuido poderia levantar suspeitas — e isso ele não podia permitir.
A porta do banheiro se abriu.
Lúcia saiu com os cabelos ainda úmidos, presos apenas por uma toalha nos ombros. O rosto limpo, sem maquiagem, tinha um brilho natural que sempre o desarmava. Ela estava simples, mas linda de um jeito que fazia Adrian sorrir sem perceber.
— Bom dia, esposa — disse ele, em tom leve.
Lúcia parou no meio do caminho.
O rosto ficou imediatamente vermelho, do jeito que sempre ficava quando ele a chamava assim.
— Adrian… — murmurou, sem saber se ria ou se se escondia.
Ele levantou-se devagar e se aproximou.
— Vem cá — chamou, estendendo a mão.
Ela foi, ainda meio sem jeito, e parou à frente dele.
— Dormiu bem? — perguntou.
— Dormi — respondeu ela. — E você… no tapete?
— Melhor do que eu esperava — ele riu. — Mas depois vou cobrar uma massagem, viu?
Lúcia balançou a cabeça, sorrindo.
Por alguns segundos, o silêncio voltou. Um silêncio confortável, mas Adrian sabia que precisava falar. Respirou fundo, escolhendo bem as palavras.
— Posso te fazer uma pergunta? — disse, com cuidado.
Lúcia o olhou, curiosa.
— Pode.
— Eu juro que é só cuidado com… — ele fez um pequeno gesto com a mão — …nosso plano.
Ela franziu levemente a testa, atenta.
— É sobre sua menstruação — continuou, sem rodeios, mas com todo o respeito possível. — A minha mãe cuida de tudo aqui. Ela repara em detalhes. E grávida… a menstruação não desce.
O silêncio caiu pesado por um segundo.
Lúcia ficou vermelha de novo. Talvez ainda mais do que antes.
— Adrian… — disse baixinho, desviando o olhar.
Ele achou aquilo a coisa mais fofa do mundo, mas manteve a postura séria. Não era hora de brincadeira.
— Eu preciso saber pra gente se organizar — explicou com calma. — Datas, desculpas, médico, tudo certinho. Não é invasão, é proteção.
Lúcia respirou fundo, juntando coragem.
— Ainda não era pra ter atrasado muito — respondeu, finalmente. — Tenho uns dias… mas já ia falar com você.
Adrian assentiu, aliviado por ela confiar nele.
— Ótimo — disse. — Então a gente fica atento. Qualquer coisa diferente, você me fala. Tudo que for do seu corpo, da sua saúde… é importante pra mim.
Ela levantou o olhar e encontrou o dele.
— Você leva isso muito a sério, né?
— Levo — respondeu sem hesitar. — Porque você é séria pra mim. E isso aqui… — tocou de leve na mão dela — …não é brincadeira.
Lúcia sentiu o peito aquecer. Mesmo com o nervosismo, havia algo reconfortante em ver o cuidado dele, a responsabilidade, o jeito calmo de tratar até os assuntos mais delicados.
— Obrigada — disse.
— Sempre — respondeu ele, sorrindo.
Do lado de fora, o dia começava a clarear de vez. A fazenda despertava aos poucos, e, com ela, uma nova fase da vida dos dois. Cheia de desafios, de segredos… mas também de parceria.
E Adrian tinha certeza de uma coisa: se fosse para enfrentar tudo aquilo, queria fazer do jeito certo — com diálogo, cuidado e respeito.