Entre Vitrines e Silêncios Lúcia ficou alguns minutos em silêncio depois que Adrian falou sobre a viagem. A capital sempre lhe soava distante. Grande demais, rápida demais, cheia de olhos atentos e julgamentos silenciosos. Belo Horizonte não era apenas uma cidade maior; era o lugar onde Adrian era conhecido, respeitado, observado. Um homem importante, como ela mesma reconhecia. Dono de negócios, de influência, de um sobrenome que abria portas. E ela? Ela era jovem, simples, recém-saída da escola, mãe de um bebê pequeno, esposa por amor — e por coragem. Lúcia não tinha vergonha de quem era. Nunca teve. Mas também não queria, de forma alguma, ser motivo de comentários, cochichos ou olhares atravessados que pudessem respingar em Adrian. Não queria que alguém dissesse que ele havia “desci

