Manhãs Altas Lúcia acordou devagar, como se o corpo ainda estivesse se adaptando ao silêncio diferente daquele lugar. Não era o silêncio da fazenda, cortado pelo vento, pelos animais, pela vida que começava cedo. Era um silêncio macio, envolto em paredes altas, vidro, ar-condicionado e uma cidade inteira pulsando lá fora sem conseguir atravessar aquelas janelas grossas. Abriu os olhos e, por alguns segundos, ficou apenas sentindo. A cama era maravilhosa. Grande, confortável, com lençóis macios que pareciam abraçá-la. Lúcia virou o rosto devagar e seu primeiro instinto foi procurar Samuel. Não o viu ao lado, e o coração deu um pequeno salto — reflexo de mãe recente, de cuidado constante. Esticou o braço e pegou a babá eletrônica que estava sobre o criado-mudo. A tela se acendeu, e ali

