“As coisas mais importantes são as mais difíceis de expressar, pois as palavras as diminuem.” – Stephen King
Taehyung
Ouvir aquele "adeus" mexeu comigo mais do que gostaria de admitir. No fundo, sei que foi culpa minha. Tenho medo do que não conheço, medo do novo. Medo de perder Jungkook.
Mas acho que já o perdi.
Essa é a realidade que me consome. Uma confusão que grita dentro de mim.
— Você gosta dele? — perguntou Jennie. Estávamos na floresta, em um piquenique que, claro, foi ideia dela.
— Eu... não sei. — Talvez eu soubesse. Só não queria aceitar.
— Você gosta, sim. Dá pra ver. Você não tem mais aquele brilho nos olhos. Era impossível não notar quando o via. Você quer ele, mas o que te impede?
— O medo. Passei tanto tempo sozinho que, de certa forma, aprendi a amar essa solidão.
Ela me olhou fundo, e sorriu de forma suave, mas firme.
— Você gosta de ficar sozinho... ou só se acostumou com isso?
Desviei o olhar. Encarei o chão por um momento, depois voltei a fitá-la.
— Talvez os dois... ou talvez eu só me convença disso pra não sofrer.
Ela riu com carinho.
— Você sempre me disse pra correr atrás do que é importante. Chegou a sua vez. Você não precisa ficar longe dele, Tae. — Me deu um tapa no ombro. — Para com essa ideia de que, se estiver longe, ele estará protegido. Eu não vou estar sempre aqui, ainda quero correr atrás dos meus sonhos, sinto mais confortável de ir agora que você não está mais sozinho.
— Mas é verdade. Olha pra mim...
— Você pode protegê-lo mesmo estando por perto. Ficar longe... isso sim é perda de tempo.
Ela estava certa.
Merda. Eu quero o Jungkook.
— Bom, estou indo... Vai atrás do seu alfa. — Jennie sorriu ao se despedir. Ela decidiu seguir seu sonho de viajar, mas prometeu voltar, mesmo que demore.
Fiquei ali, com suas palavras ecoando na minha mente:
"Meu alfa."
E se ele me odeia agora? E se ele não quiser me ver?
Mil pensamentos me dominaram quando, de repente, ouvi uma voz.
"Kim Taehyung."
A princípio, achei que estava ficando louco.
"Kim Taehyung."
A voz me chamava de novo... estranhamente familiar, como um sussurro dentro da minha alma.
Então senti o cheiro.
Aquele cheiro.
Jeon Jungkook.
Ele estava me chamando. De alguma forma, estava me invocando.
Como se eu fosse um demônio.
E talvez eu seja.
Mas fui.
Corri seguindo aquele cheiro como um fio invisível me guiando até ele.
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Jungkook
— Aquele filho da p**a gostoso... como ele ousa me deixar desse jeito? — reclamei.
— Você gosta mesmo dele, hein? — zombou Jimin do outro lado da porta.
Meu cio havia chegado. Já fazia quatro dias de sufoco, me masturbando, chamando o nome de Taehyung. Isso era tão... humilhante.
— Claro que gosto. Mas ele é um desgraçado! — resmunguei, encolhido na cama, fraco. — Jimin... eu quero o meu rei, o meu alfa...
— Ele nem é seu — disse com deboche.
— Cala a boca, ou vou arrancar suas tripas e vender no mercado n***o!
— Ui, que agressivo. Se for assim na cama, o Tae deve estar nas nuvens...
Revirei os olhos, apesar de sorrir. Ah, como eu queria passar meu cio com ele.
Soltei um gemido de dor. Merda.
— Jeon, deixa alguém te ajudar. — Jimin insistiu.
— Não! — gritei. — Eu não quero ninguém além do Kim Taehyung.
Antes dele, meu cio era só mais um ciclo. Mas depois que o conheci, não consigo aceitar outra pessoa. É ele... só ele.
Peguei o diário dele para me distrair. Era a única maneira de me sentir próximo.
15 de fevereiro de 2000
"Descobri que tenho uma fraqueza... e isso me deixou feliz.
Estava brincando com meu irmão na floresta, quando vi uma flor roxa, linda.
Quando toquei nela, minha mão queimou como se fosse ácido.
Yugyeom entrou em pânico e contou ao papai. Ele mandou destruir todas.
Mamãe veio me contar a história da Bela e a Fera antes de dormir.
O amor deles... era incrível. Quebrou barreiras.
Espero, um dia, encontrar minha Bela."
– Lupus Demone
Ah, meu coração derrete. Taehyung é mesmo maravilhoso.
Estava imerso nas palavras quando barulhos me tiraram da leitura.
— Jungkook, estamos sendo invadidos! — gritou Youngjae.
Me levantei com dificuldade. Estava fraco demais.
Quando cheguei à sala, todos estavam ajoelhados. Dois homens encapuzados vieram em minha direção. Um me segurou pelos braços. Tentei reagir, mas estava exausto.
— Parece que temos um alfa no cio — disse um deles, rindo.
Merda. Se eu reagisse, colocaria todos em risco.
Só havia uma coisa a fazer.
— Kim Taehyung! — gritei com o que me restava de força.
— Cala a boca! — ordenou um dos betas.
Mas então... ouço. Um uivo.
Ele veio.
Taehyung veio.
Meu coração quase explodiu.
— Nunc dimittis eum — sua voz de alfa soou poderosa e arrebatadora.
O ambiente tremeu. Os caras recuaram, tremendo. Taehyung atacou os que seguravam meus amigos e logo veio até mim.
— Eu disse que viria — ele murmurou, em sua forma de lobo. Sorri. Ele cumpriu sua promessa.
Os invasores fugiram em desespero.
Eu me levantei, furioso.
— Como você ousa aparecer aqui depois de tudo?! — fui até ele.
— Você me chamou — respondeu, calmamente, sentando-se. Seu porte, mesmo como lobo, era hipnotizante.
Todos nos olhavam, alguns com medo, outros chocados.
— Seu filho da p**a — comecei a socá-lo, fraco, mas aliviado.
— Jungoo... — ele disse com aquela voz que me desmonta.
Continuei batendo de leve, até ele me abraçar. Era pesado, caímos no chão. Sua pelagem escura me cobria, seus olhos me prendiam.
— Senti saudades... e me desculpa. — sussurrou perto do meu ouvido.
— Você foi um—
— Filho da p**a? É, estou ciente. Eu senti tudo ruir... e tive medo. Passei tanto tempo sozinho, tentando sobreviver... que conhecer você me assustou.
— Você não pode fazer isso comigo. Cada palavra sua me fere. Você tem que decidir... ou vai me destruir desse jeito.
Ele não faz ideia do quanto pode me destruir.
— Eu tentei te esquecer, juro que tentei... Mas está aqui — apontou para o peito — no meu coração, mente, emoção. Eu preciso de você, garoto.
Fiquei sem reação. Ele me quer.
— Seu coração está acelerado — disse, em sua forma de lobo. — Devo me transformar?
— Claro que não! Não quero ninguém te vendo pelado — falei emburrado.
Ele riu.
— Ia me transformar pra te beijar.
— Mesmo assim, não. Sou possessivo.
Esquecemos de todo mundo. Ignoramos os olhares.
— Senti saudades, meu rei.
— Eu também, minha Bela.
Fiquei tão feliz. Era como uma resposta. Mas disfarcei.
— O quê?
— Tipo a Bela e a Fera. Os dois foram feitos um para o outro. Eu sou a Fera, você é minha Bela. Não me julgue. A Disney é incrível.
Caí na risada.
Como eu senti falta dele.
— Eu também preciso de você, garoto.