Derramo mais uma grande dose de uísque no copo de cristal, observando o liquido balançar junto com as pedras de gelo. A madeira lustrada do bar está perfeitamente polida, deixo o segundo copo seco de propósito, ignorando a presença da visita indesejada dentro da mansão.
— Senhor...
Ergo a mão cortando sua fala repetitiva, chega a ser cansativo o mesmo assunto.
— Chega disso Giovanni, sua irmã vai casar. — Tomo um gole da bebida sentindo o ardor na garganta. — Se queria que ela continuasse sendo a sua p*****a de estimação deveria te-la enviado para viver sob a proteção de Brown.
— Aquele filho da p**a teria usado dela na primeira oportunidade. — Rebate furioso.
— Ou não. — Dou de ombros cansado dessa discussão.
Existem problemas mais sérios do que discutir sobre casamento com esse fedelho.
— Giácomo vai descobrir que ela não é virgem. — Tenta mais uma vez.
— ENTÃO FAÇA UMA MALDITA CIRURGIA NA b****a DELA!. —Grito batendo com o copo no balcão fazendo o liquido respingar.
Vicenzo que se mantinha quieto na poltrona de couro ajusta o terno antes de se levantar , caminhando lentamente até colocar a mão em cima do ombro do irmão.
— Precisamos discutir a distribuição na Italia, Guilia pode esperar Fratello.
Suspiro diante das palavras do único irmão que parece não ter sido subjugado pela b****a da irmã mais nova, essa foi a maneira com a qual consegui manter Giovanni sob as correntes das minhas ordens, sem nunca contestar uma única ordem. O problema é que a família com maior posses agora, não consegue suprir a necessidade de informações das quais Giácomo tem fornecido com precisão. Se alguma coisa tivesse passado no Texas estaria com a p***a da corda envolvendo o pescoço agora.
Por mais que tenha tentado unificar todo o comando durante esses anos, o dinheiro e a influência de algumas famílias da máfia não puderam ser derrubadas. A obsessão doentia de Stefano por Beatrice dificultou muito mais os meus planos.
Um único filho legitimo foi capaz de desfazer anos de planejamento e jogadas feitas para manter o poder, pretendia continuar comandando tudo por trás das cortinas. Passo os dedos na madeira polida brilhando, ignorando a conversa dos dois na minha frente.
Lembro dos fios loiros caindo em cascata sob o ombro fino, os lábios em formato de coração, o perfume pouco doce e a voz suave.
— Querido, os rapazes querem a sua opinião. — Desperto dos pensamentos com a voz da minha esposa, encontro seu olhar azul sagaz e o sorriso tão falso quanto uma nota de três dólares.
Anna consegue continuar sendo uma socialite digna de passarela no auge dos cinquenta anos, apesar do rosto sorridente sei que está furiosa somente pelo olhar.
— Precisamos da sua autorização para agir no território dos motoqueiros, temos algumas dúvidas — Vicenzo faz o favor de repetir visto o meu embaraço.
— Faça da maneira que achar melhor, por mim aqueles bastardos já estariam mortos. —Declaro erguendo o copo.
Giovanni apesar de contrariado segue os passos do irmão mais novo para fora do meu escritório, encerrando essa reunião. Mantenho o olhar firme sob a mulher esperando por suas palavras.
— Estamos no meio de uma guerra, uma que matou o nosso filho e você continua pensando nessa puttana. — Acusa no momento em que nosso mordomo vem fechar as portas do escritório.
— Como discutir no que penso ou deixo de pensar pode resolver essa guerra? — Questiono voltando a pegar a garrafa para encher o copo. — Alias, guerra essa que só existe para encobrir as sujeiras do nosso filho e não manchar o nome dessa família.
Consigo observar o ódio dentro do olhar da mulher que tomei como esposa a mais de trinta anos para conseguir manter o poder dentro da Cosa Nostra. Deixo o copo em cima do balcão caminhando com cautela em sua direção.
Só Deus sabe a cobra com a qual casei e para não ser picado pela mesma, faço como os biólogos a segurando pela face para manter a boca fechada, seu olhar se transforma em puro desejo. Usando a mão livre acaricio seu rosto observando como fecha os olhos suspirando.
Ela deixa uma lágrima escorrer, beijo seus lábios de maneira terna.
— Irei vinga-lo, darei a você a cabeça de quem fez aquilo com nosso menino. — Reforço a promessa mais uma vez, antes de solta-la.
Chegando aos sessenta anos algumas coisas já deveriam ter se tornado lembranças, o problema é que muitas delas ficaram marcadas. Estefano foi um meio para o fim, nunca desejei ter filhos ou uma esposa, Anna sabe bem disso.
Nunca menti para a mulher apesar de ser um filho da p**a, ela ergue a mão acariciando a lapela do terno. Por mais louco que possa parecer sempre a achei pior que eu, sua mente é perversa, em muitos momentos a tolero somente pela organização.
Ainda assim, ela faz questão de exibir os s***s como se eu não fosse fode-la como uma p**a.
Faz bons anos que não fodo Anna como uma esposa, ela nada mais é do que um buraco que preencho para manter sua lealdade no lugar certo, só Deus sabe como uma mulher pode ser perigosa.