cap 24 tudo tem um por que

472 Words
REBECA Eu nunca imaginei que aquele dia fosse chegar. Nem em meus piores pesadelos. Mas ali estava eu, encarando o olhar de Felipe, o homem que eu amava com toda a força do meu ser, e que agora parecia um estranho, frio e distante, disposto a destruir tudo o que construímos. Ele entrou na sala com aquela expressão tensa, e eu senti peso no ar antes mesmo dele abrir a boca. A barriga já estava crescendo, eu sentia cada movimento do nosso filho dentro de mim, e ainda assim, parecia que nada disso importava pra ele naquele momento. - Rebeca - ele começou, a voz dura, cortante - a gente não pode continuar assim. Meu peito apertou, uma dor que eu não sabia nomear. - Como assim? O que tá acontecendo? - perguntei, tentando não deixar o medo transparecer. Ele deu um passo à frente, o olhar carregado de algo que eu não reconhecia. - Eu não aguento mais. Essa vida, essa guerra, você... Eu preciso de paz, e não de mais problemas. Eu engoli o choro, sentindo as lágrimas queimarem nos olhos. - Eu tô aqui, esperando o nosso filho nascer, e você me diz isso? Ele riu, um riso amargo, cheio de desprezo. - Esperando o que? Que eu vá morrer por você e essa criança? Não posso. Não quero. As palavras dele soavam como facadas. Eu senti cada uma delas cravando fundo, abrindo feridas que doíam demais pra cicatrizar rápido. - Você sempre foi assim? - perguntei, a voz trêmula - Possessivo, violento... e agora me humilha na frente do que a gente construiu? Ele se aproximou, invadindo meu espaço, e disse com uma frieza que me congelou: - Você acha que eu devia ficar preso nessa vida? Que eu devia largar tudo pra cuidar de você e desse bebê? Você não é nada, Rebeca. Você nunca foi. As lágrimas finalmente escaparam, e eu me permiti chorar. Chorar a dor da traição, do abandono, do desamor. Eu me senti pequena, esmagada por um homem que antes prometeu o mundo, e agora só oferecia desdém. - Você vai me largar? - sussurrei, quase sem voz. - Já larguei - respondeu ele, virando as costas, deixando um silêncio cortante. Fiquei ali, sentada no chão, com a barriga apertada pelo vazio que ele deixou. O medo do futuro, a incerteza da guerra, a solidão crescente... Tudo isso se juntava numa tempestade que parecia não ter fim. Mas no fundo, uma voz pequena dentro de mim dizia que eu precisava ser forte. Pelo nosso filho. Por mim mesma. Que essa dor, por mais insuportável, não seria o fim da minha história. E foi ali, naquele momento de escuridão, que eu prometi: ia recomeçar. Sozinha, se fosse preciso. Mas ia lutar. Pela minha vida, pelo nosso bebê, e por tudo que ainda podia ser.
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