VENENO Eu não tenho dormido direito. Na real, quase não durmo desde o dia em que mandei ela embora. Aquilo me destruiu por dentro, mas eu precisava. Pelo menos era o que eu achava. A carta ainda tá comigo. Toda amassada, com marcas de raiva, de soco, de cigarro. Cada palavra escrita ali queima como se tivesse sido gravada no meu peito. "Ou ela, ou a criança", "Você sabe que posso acabar com tudo que você ama".. e a última linha: "Se você não largar ela, vai enterrar os dois." A covardia mora ali. Entre escolher quem eu amo ou proteger quem eu amo. Só que, no fundo, não existe escolha certa quando tudo dói. Desde aquele dia, eu não consegui mais ir até Angra, nem conseguir ficar na nova casa que arrumei. Tá vazia. Fria. Calada. Igual a mim. Eu voltei pro morro, mas nem o morro me reconh

