É preciso tentar

1166 Words
- Toc, toc, toc- As cinco da manhã alguém esmurrava o vidro do meu carro, me fazendo acordar assustada. Era o frentista do posto de gasolina que havia passado a noite, um moço bonito, de olhos azuis, e um sorriso simpático. Abri o vidro, ainda meio que dormindo: - Me desculpa, cheguei ontem à cidade, não tinha onde passar a noite... - Tudo bem... você está bem? - ele me disse com um tom assustado, provavelmente por conta do meu semblante pálido. - Bom, acho que não muito, tem acontecido muitas coisas ultimamente. - falei em um tom como de quem precisava desabafar, deis do que acontecera, não havia falado com ninguém, apenas escrevido sobre. - Desça do carro, tem um banheiro com chuveiro nos fundos, se quiser pode usa ló, e depois pegue um café na conveniência, é por minha conta. Agradecida não pensei duas vezes, soltei um sorriso de agradecimento e já fui logo me espertando, tudo o que precisava era de um banho e um café. Peguei minha bolsa de roupas que estava no interior da camionete, e desci apressada, caminhei rapidamente até o chuveiro, era um local simples, aconchegante, provavelmente banheiro usados por caminhoneiros, diferente dos banheiros comuns que vemos, era até que limpo o local. Permiti me um banho demorado, lavando meu cabelo, que passava da cintura, embora não fosse bem cuidado, deixei que a água caísse sobre meu corpo, e lavasse ele me dando a força necessária de conseguir encontrar saída para meus problemas. Me vesti colocando uma calça legging e uma blusa de manga comprida decotada, com minha bota melhor de salto, coloquei um casaco sobre a blusa, e retornei para a camionete guardar a bolsa de roupas. O intuito de me vestir dessa forma, era fazer com que Ruiz ao menos me ouvisse, se aquelas mulheres com pouca roupa conseguiam fazer com que ele lhes tratasse bem, era isso que eu faria. O frentista logo se aproximou com o copo de café, e um sorriso gentil: - Bom, aproveitei e já lhe trouxe seu café... prazer sou Call, nem me apresentei antes - ele esticou as mãos em forma de comprimento. - Ellen, muito obrigada, precisava muito de café e um banho. - Olha, espero que você fique bem, na parte da noite ocorre muitos assaltos por aqui, tome cuidado. - Vim atrás do meu pai, mas parece que ele não está na cidade, pretendo encontra ló para arrumar um lugar pra ficar! - Se estiver procurando onde passar a noite me ligue, te ajudo. Me entregando um papel com seu número de telefone, e uma piscada, ele voltou ao serviço. Terminando meu café entrei na camionete determinada, e segui até a mansão beira mar novamente. Precisava fazer as coisas serem diferentes. Parei embaixo da mesma árvore, a porta estava aberta, então entrei direto, era filha do dono dali, se ele também era não me importava, mais tinha meus direitos também. Andando toda desajeitada com aquele salto, sai tropeçando nas latinhas de cerveja jogadas no chão, havia roupas por toda a casa, me agachei confirmando o que era uma calcinha de renda Pink, no momento arremessei ela longe com o susto. Na mesa de centro da sala havia o que apesar da minha pouca experiência era cocaína. E mais garrafa de bebidas, encontrei uma mulher, vestida de roupa de doméstica, me aproximei lhe dando bom dia, levando um susto, ela ficou em choque ao me ver: - Ellen? É você mesma? - ela falou. - a senhora me conhece? - Como poderia não conhecer? Me lembro de você com o senhor Jholin quando era pequenina, os seus traços do rosto são os mesmos. O que faz aqui? - Minha mãe faleceu a alguns dias, vim em busca de meu pai, estou sozinha.... mais encontrei um garoto arrogante ontem à noite. - Lamento pela sua mãe. Seu pai está em uma viagem, com a senhora Sara, provavelmente ficará algumas semanas por lá. - A ideia de esperar semanas para falar com ele me deixava mais frustrada. - Você tem o número do telefone dele? Ou algo do tipo? - Claro, tenho sim. Vou pegar pra você. - Ela falou se afastando. - aonde fica o banheiro? - Pode subir lá em cima, fica no fim do corredor. Apurada para usar o banheiro subi as escadas devagar com medo do salto da bota, admirada com a decoração e os móveis da casa ficava encantada olhando a cada detalhe, o corredor sumia, dando espaços as portas dos quartos, que estavam fechadas. Apenas um quarto estava com a porta entre aberta. Por um impulso de curiosidade abri a porta lentamente, e no chão, estava a garota loira de ontem, completamente nua, fiquei intrigada, até observar a camisinha jogada ao seu lado, eca. Ele realmente era um babaca, ao meu ver ele era o tipo de problemático, passava mais tempo sozinho do que sem seus pais, e em festas, drogas e garotas. Como se tivesse uma placa na testa que mostrava exatamente que ele só pensava com a cabeça de baixo, se é que você me entende. Me virando para sair, trombei com ele, Ruiz estava bem atrás de mim, com a cara furiosa: - Que diabos você está fazendo aqui em cima, espreitando ela posso saber? - ele estava só de cueca me intimidando mais uma vez. - Vim atrás do número celular do meu pai, subi pra usar o banheiro e fiquei curiosa... - gaguejava assustada. - Que merda, achei que tinha sido bem claro ontem à noite. - Não tenho pra onde ir, tô dormindo na rua, e ele também é meu pai. Saindo de perto de mim, Ruiz virou as costas e saiu, indo em direção às escadas que eu havia subido. Encontrei o banheiro e entrei, me olhando no espelho, sequei as lágrimas que escorriam, me olhei e tudo que vi foi apenas a garota ingênua, não queria mais me sentir dessa forma, precisava fazer algo para mudar isso, ou seria tratada dessa forma sempre, principalmente por Ruiz. - Aqui está minha filha, o número de seu pai. Se precisar de algo procure por mim. Antônia. Peguei o número e saí. Entrei na camionete, e com o celular em mãos olhando para a praia, via Ruiz lá longe sentado na areia, esmurrando o ar, coçando a cabeça, de uma forma frustrado. Disquei o número que Antônia havia me entregado, chamou algumas vezes e a voz de mulher do outro lado da linha dando risadas de alegria, ao mesmo tempo que falava " alo" me causava um frio na barriga: - Oi, gostaria de falar com Jholin White. - Quem gostaria? Ele está de férias com a família, não atende telefones agora. - é a filha dele! (um minuto de silêncio) - Lamento, no momento ele está com a filha dele, se é que você me entende, o amor de pai é algo lindo. Quando puder ele te liga. E dessa forma ela desligou o telefone na minha cara.
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