Arremessando os sapatos longes, as lagrimas subiam trancando minha garganta, não conseguia levantar meu rosto e olhar para a cara deles, sentia o olhar de julgamento de cada um, enquanto as lagrimas escorriam, olhar no chão, me virei e sai caminhando em direção a porta. Nessa hora, era como viver um Djavu exato do momento em que me deparei com minha mãe entrando na funerária. Sair sem direção, como se apenas precisasse andar em busca de oxigênio enquanto o folego sumia. Ouvia meu pai chamando meu nome, mais a essa altura já não acreditava mais no homem que vim em busca, que me deu esperança pelo telefone, ali estava o homem que me abandonou, que desapareceu de minha vida por doze anos. Mais o problema está que mesmo assim, ainda esperava encontrar a imagem paternal que jamais tive. Caminhei em direção ao mar, e com os meus pês sobre a areia, a água o tocou me fazendo acordar, e soluçar sem me importar, arrancando aos poucos do meu peito aquela dor que deveria sem chorada apenas mais hoje. sentei na areia do mar, sujando o vestido de areia. Até sentir o toque firme em meu braço, me virei lentamente para olhar quem era, meu coração disparava acreditando que era meu pai. Ruiz, estava em pé, ao meu lado, camiseta preta, e olhar confuso. Me soava como uma piada, o bad boy sem sentimento carregando compaixão no olhar, depois de ter sido basicamente o causador de toda essa confusão:
- Olha, sei que você viu muita merda rolando naquela casa. Não era minha intenção causar toda essa bagunça...
- Que droga está fazendo aqui? Sério, não era sua intenção? ferro com qualquer chance que eu tinha em poder ter um pai, mas pra você deve ser fácil, teve ele a sua vida toda, sua vida é estabilizada, e sabe o que vejo quando olho para você? Um completo babaca, que tem a oportunidade de ser o que quiser, mais prefere ser o rei delas, o festeiro, o fodão que se droga a custas do pai e malha as seis da manhã... - as palavras soaram da minha boca de uma forma tanto quanto espontânea.
- está certa, sou um fudido em todos os aspectos, mais talvez tenha tido sorte de não ter tido o jholin trazendo todo o caos da vida dele pra sua durante esses doze anos... - Ruiz falou se sentando ao meu lado. - Mais se quer mesmo saber, deveria entrar por aquela porta e mostrar para ele que a ausência dele criou uma mulher muito mais f**a do que se ele tivesse ao seu lado.
Ruiz falou se silenciando, por ser palavras de um completo babaca até que ele tinha razão. Mais o que se passa a minha cabeça, é se os homens são capazes de perceber qualquer coisa que se trate dos sentimentos das mulheres a não ser excitação. Todas nos mulheres somos sempre atentas aos mínimos, a cada passo, pensamos, e trabalhamos em cima de detalhes que as vezes os homens nem se quer se dão contas. Pra gente até o silencio tem um significado, mais pros homens, tudo tem que ser concreto, e explicito para que eles possam entender, isso me frustra.
- Por que? Por que não me contou? - perguntei.
- Não sei, uma meia irmã me assusta...
Ruiz falou tirando a camisa e entrando na água do mar, mesmo que a temperatura não fosse tão propicia. Respirei fundo, e me forçando a levantar, sequei minhas lagrimas e retornei para a mansão, Ruiz tinha razão, não era hora deu abaixar minha cabeça. Caminhei determinada, sem ensaiar dessa vez o que falaria, sem planejar. Abri a porta e me deparei com Sara me olhando assustada, como se não esperasse que eu voltasse. De relance pude ver que meu pai estava sentado ainda sobre a mesa da cozinha, copo de whisky em sua mão. Me olhou de uma forma inquieta, até mesmo assustada, assim como Sara.
- É voltei, independente de quem quer que eu signifique para vocês dois, se fui um acaso, uma bênção, um erro, ou se hoje sou uma revolta para ambos, há laços sanguíneos aqui, e uma jovem que não tem para onde ir, e com certeza chocaria a mídia ao fazer uma nota mostrando o quanto é difícil a vida em baixo da ponte sendo filha de um dos maiores empresários dessa cidade. Não vou sair, e dar a paz que vocês querem, enquanto me questiono sobre como vim parar nesse mundo...
- Ellen, as coisas aconteceram de surpresa, tudo foi rápido demais... não esperava te ver assim, estava de cabeça quente, e entendo que Ruiz de certa forma teve haver com essa situação. - Meu pai falou sendo compreensivo.
- A nos poupe jholin, vai contra Ruiz, e a favor dessa suburbana que conhece praticamente a minutos...- Sara se intrometeu exaltada.
- Sara, se cale. Ellen é minha filha, carrega meu sangue, e conhecendo o Ruiz por tanto tempo que sei de suas artimanhas. - Jholin falou com um tom bravo.
Sara subiu as escadas completamente furiosa, podia sentir a força com que ela pisava seus saltos caros no chão.
- Lamento muito por tudo isso, sei que jamais poderei fazer nada que mude o fato de ter sido um grande pai canalha, há muitas coisas em todos esses doze anos Ellen, e até mesmo antes deles. Nós teremos tempo a partir de hoje para que você possa esclarecer toda, e qualquer dúvida sobre tudo, e se não posso mudar o fato, farei o possível para te dizer toda a verdade sobre.
As palavras dele, batiam a porta do meu coração, que estava completamente bloqueado, não conseguia ver verdade nele, ver convicção de que realmente teria minhas respostas. Como Sara disse, praticamente nos conhecemos a minutos. Então não irei me enganar por versões enganosas. Sem falar nada, apenas acenei com a cabeça, e subi as escadas em direção ao meu quarto, amanhã seria um grande dia. Mais minha cabeça rodava em meio a tantas coisas acontecendo desesperadamente na minha vida, então me deitei nua sobre a cama, e com meu notebook em minha frente, comecei a fazer o que fazia de melhor, escrever. Por que não um livro? Ao invés apenas de poemas que acabavam embelezando a minha dor.