Evento de golf

1315 Words
Sempre me perguntei como as pessoas que vão juntas a um campo de Golf são tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo. Hoje, é dia de competições no mont mor, parada debruçada sobre o balcão de atendimentos da mini lanchonete, observo a forma como as pessoas são distintas uma das outras. Tem a mesa de interesseiros puxando saco dos grandes empresários, a da família que aproveita a desculpa de jogar Golf para tentar unir a filha solteira com um dos caras de família rica, e o pior marco de todos, os caras solteiros paqueradores. Os nossos uniformes no dia de hoje são nada menos que uma mini saia azul piscina e camiseta baby lock branca, e os caras paqueradores aproveitam toda mera desculpa de um copo de suco de laranja para mandar suas cantadas ridículas, e opinarem sobre como o nível de gostosa de uma mulher aumenta quando diminui a roupa. Patético. Ketty até que gosta, é como se ela trabalhasse mais motivada ao estar sendo paquerada, o que pra mim é um alívio tenho que confessar, já que assim ela cuida de todos os caras paqueradores e solteiros que chegam. - oi, será que há um copo de laranja tão bonito quanto os seus olhos perdidos procurando mesas para atender? - para minha surpresa era Call, parado bem ali na minha frente sorrindo, de alguma forma ele fez eu acorda daquela jornada de desanimo comparando as pessoas e sorrir. - ah com certeza ah sim... - falei em tom de ironia, mudando minha voz. - O que você está fazendo aqui? Jamais imaginaria te ver. - bom, digamos que você não me mandou nenhuma mensagem como esperava. Achei que tinha feito algo errado e decidi vir conferir com uma cantada ridícula. - você não fez nada de errado bobo, mais a cantada realmente foi ridícula. – caímos na risada - é que meu pai voltou de viagem, foi horrível chegar e ele estar lá me esperando com a cara de julgamento. - putz que barra, nem parei pra pensar nessa possibilidade sinto muito... - o Call trouxe a tona um olhar de preocupado, ele ficava ainda mais sexy, era como que se no olha dele, no tom da voz de preocupado, pudesse despejar minhas dores sem precisar falar nada. - tá tudo bem, não é culpa sua... - Ellen, poderia atender a mesa doze por favor. - ketty gritou apurada da mesa dos paqueradores. Piscando pra call peguei minha caderneta e andei em direção a mesa, o deixando parado me esperando na mini lanchonete. - boa tarde, gostariam de pedir algo? - perguntei educadamente de cabeça baixa preparando minha caderneta de anotações. - claro, você embalada será que rola? - levantei a cabeça assustada e me deparei com alguns caras que pareciam ser conhecidos gargalhando após a pergunta que fizeram. - que tal se eu chamar minha chefe, ai vocês perguntam a ela... - algum problema aqui? - a voz grossa familiar suou bem atrás do meu ouvido, e para minha surpresa era Jholin acompanhado de Ruiz e Estefani. Apenas mantive a cabeça baixa tentando de certa forma manter o profissionalismo. - não senhor, problema algum, apenas estava conversando com a atendente. - ketty observando a tudo veio rapidamente falando que atenderia a mesa. Me afastei um pouco sendo seguida pelos três, na intenção de caçar algum lugar mais reservado para perguntar o que estavam fazendo aqui. - olha, aqui não é momento, estou trabalhando... - vinhemos assistir a competição de Golf, problema algum nisso né? - Estefani disse como sempre sendo intimidadora. - segura a onda vai, não devíamos ter vindo até aqui. - Ruiz falou pegando na mão de Estefani e se retirando. Apenas observei em silêncio enquanto eles se afastavam como que discutindo. Ruiz apoiava as mãos dele na costas de Estefani, mais algo soava estranho, como se ele não há quisesse ali, estava quieto, podia dizer até que com o olhar de quem havia chorado. - filha, falei que tínhamos muito o que conversar, e agora é o momento perfeito. - não não é Jholin, estou trabalhando e sinto muito se quero ter minha independência e não precisar me humilhar pra você e para sua mulher medíocre. - Lavínia não se importará de te dar esse dia de folga... - por que vocês ricos acham que a vida é tão fácil? - filha, não acho que a vida seja fácil, mais não quero que fique esse clima deplorável entre a gente. - então que tal começar me explicando por que você não voltou mais depois dos meus sete anos? .... - meu pai ficou em completo silêncio tentando encontrar as palavras certas. - me diga pai, por que? - Ellen, quando eu e sua mãe nos conhecemos estava casado já com Sara, estávamos em crise e nós apaixonamos, e claro, Sara sempre soube sobre você, mais ficava insegura sobre estar próximo a sua mãe novamente... - e deixa eu adivinhar, ela pediu que você parasse de me ver por causa de um ciúme bobo e você como um bom pai, a atendeu? .... que bela babaquice, esperava que você tivesse mil e uma desculpas ruins na cabeça, mais essa? Sério? - frustrada comecei a me afastar dele. - Ellen espera, eu amava a sua mãe, e a amarei eternamente, ela foi a mulher da minha vida, mais em um momento complicado, você nunca foi e nunca será um erro. - então por que você não ficou com ela se a amava tanto? Se não sou um erro por que me tratou dessa forma a minha vida toda? Sabe o que é insignificante pra mim, desculpas de um homem fraco, que fala que amava, que ama, que os cassete a quatro mais não teve coragem de fazer nada, absolutamente nada pra mudar, isso é o cumulo sabia. Não queria ser a menina que torce pro pai e a mãe se unirem por ironia do destino em uma dessas visitas, e vivem como uma família dos filmes de desenho, mais sinceramente, a dor de ser desprezada, de não saber se tem um pai ainda, de imaginar mil e uma coisas do por que não vai adiantar você preparar o cartão de dias dos pais, por que simplesmente não vai ter nenhum pai, nenhum herói, ninguém no dia dos pais... A essa altura, meus olhos se inundavam de lágrimas e rancor, andando apressada sem olhar para trás retornei até a mini lanchonete onde Call me aguardava exatamente no mesmo lugar. Apenas disse para ele me seguir, e sai andando por meio às pessoas que lotavam o campo de Golf, havia mesas por toda sua volta, cara com microfone, carrinhos de picolé, era um evento imenso. - Ellen, para, para de correr como se os seus sentimentos fossem desaparecer, simplesmente se perder pelo caminho... caramba, estou aqui, não te chamei para jantar por que queria apenas um boquete dentro do carro, te chamei para jantar por que você é uma mulher incrível, estou aqui pra te ajudar no que for preciso... - as palavras dele saindo como com fúria, e fizeram amolecer meu coração o abraçando e sentindo os braços dele cercar meu corpo me trazendo conforto. – vem, vamos procurar um lugar, e conversar com calma. Começamos a andar até encontrar um local mais reservado e nos sentarmos, expliquei a ele absolutamente tudo sobre o que havia acontecido na noite passada e como estava me sentindo com relação a isso. - olha, em algum momento você precisará colocar suas raiva de lado se quer realmente entender o cara que é considerado seu pai. Você não precisa se humilhar pra ele, nem voltar pra casa dele se quiser, pode ficar no meu apartamento é humilde, mais cabe você em um dos quartos, ou então volte decidida a se sentar frente a ele e o ouvi-lo sem pensar que ele é um completa babaca.
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