A mansão parecia mais escura do que o normal quando voltei. Não havia nenhuma luz acesa no hall, exceto o abajur de canto, lançando sombras longas pelas paredes como dedos tentando me alcançar. Mas talvez fosse só o reflexo daquilo que estava dentro de mim, o eco do medo, a confusão, a estranheza de ter acordado em um lugar desconhecido com um homem encapuzado dizendo que me salvou. Dizer que eu estava assustada era pouco. Eu estava desconfiada de tudo e de todos. Inclusive... principalmente... de mim mesma. O relógio da mansão marcava quase cinco da manhã quando bati na porta do escritório. Ainda vestia a mesma roupa da festa, mas o corpo parecia de outra pessoa. A cabeça latejava. As mãos tremiam. O coração parecia ter envelhecido uma década em uma única noite. — Entre — a voz de Gior

