Sofia Valente O relógio já marcava quase meio-dia quando vesti o uniforme da faculdade e saí pela porta dos fundos da mansão. O coração batia forte, não só pela adrenalina de desafiar Giorgio, mas porque, no fundo, parte de mim precisava respirar. Estava sufocada. Pelo passado. Pelos sentimentos que me dilaceravam. Pelo que li no diário da mãe de Pietro. Pelo olhar dele quando disse que me desejava e odiava na mesma intensidade. E, principalmente, pelo medo de mim mesma. A faculdade era, pelo menos por algumas horas, um lugar onde eu podia fingir que era só uma garota qualquer. Não uma filha ilegítima, não o centro de uma guerra que eu não escolhi. Cheguei a tempo da apresentação com as líderes de torcida. Vesti o uniforme, amarrei o tênis e forcei o sorriso. A música alta vibrava n

