Maytê
Quando acordei, notei que Chloe não estava em sua cama, procurei por ela no banheiro, mas não a encontrei. Lembrei da noite anterior, quando escutei os gritos da minha irmã, ela chorava e gritava muito, também chorei por não poder fazer nada. Eu queria contar, mas Chloe disse que eu não podia, que mamãe podia machucar o papai, e desde que vi a minha irmã sendo machucada, eu não consegui mais falar, eu queria, mas não conseguia, a minha voz não saia.
No último sábado, eu tinha ido à “psicólouca”, eu gostava dela, era legal. Ela me perguntou se tinha acontecido algo, que me fizesse parar de falar, eu disse que sim, mas não consegui contar o que era, ela insistiu para saber, mas eu não contei porque prometi pra minha irmã.
Fui até a sala procurar por Chloe, e de repente a avistei desacordada no chão, ao lado de uns remédios de mamãe. Será que ela tinha tomado aquilo?
Corri até a minha irmã e a sacudi, mas ela não respondeu, parecia morta. Comecei a chorar, e corri até o meu quarto, procurei pelo número do papai, quando achei corri até o telefone e liguei para ele. Tocou duas vezes, até que ele atendeu.
- Oi, amor da minha vida.
Eu tentei falar em um primeiro momento, mas não consegui.
- Alô.
Forcei pra falar, até que eu consegui, e aos prantos, eu disse:
- Papai, a Chloe está desacordada no chão, acho que tomou os remédios da mamãe, vem pra cá, por favor.
- Fica calma, eu tô indo praí.
Ele desligou e eu corri até a sala, a minha irmãzinha seguia desacordada, sentei ao lado dela, lhe abracei e chorei muito. Minutos depois, o papai chegou.
- Oi, meu amor. - Falou assim que eu abri a porta, e foi direto até a Chloe.
- Acho que ela usou esses remédios da mamãe. - Falei.
- Isso? - Apontou para o ** branco. - Ai, meu Deus! - Pegou minha irmã no colo. - Cadê a louca da sua mãe?
- Saiu. - Respondi.
- Ok, fecha a porta e vem comigo.
Tranquei a porta e corremos para o carro do papai. Fomos para o hospital mais próximo, e assim que chegamos, papai pegou a Chloe no colo e voou até a recepção, fui atrás dele.
- Preciso de ajuda urgente, minha filha experimentou a cocaína da mãe.
O que é cocaína?
A recepcionista chamou uns médicos, que vieram imediatamente, colocaram a minha irmã em uma cama com rodinhas e a levaram.
Papai sentou ao meu lado, muito nervoso.
- Papai, a minha irmãzinha vai ficar bem, né? - Perguntei.
- Hey, é claro que vai, meu amor. Sabe, estou tão orgulhoso de você, voltou a falar pra salvar tua irmãzinha.
- Fiquei muito assustada.
- Oh, meu amor… - Me abraçou. - Nossa, preciso avisar a Cath.
Desfez o abraço e ligou para a titia Cath. Papai disse que ela ficou super preocupada, e que disse que deixaria London na casa de um amigo e que iria para o hospital o mais rápido possível.
Algum tempo depois, tia Cath chegou, e ainda nem notícias da minha irmã, eu já estava super nervosa. Tia Cath sentou ao meu lado, e me pegou no colo, tentando me confortar.
(...)
Carter
Depois de duas horas que haviam levado a minha filha, o doutor apareceu, mas não estava com uma cara muito boa, o que me deixou muito preocupado.
- Como ela está? - Perguntei aflito.
- Ela não corre perigo, já iniciamos o tratamento para desintoxicação e ela ficará bem, mas… fizemos uma série de exames nela, e… o senhor sabia que sua filha foi abusada?
Quando eu escutei a palavra “abusada” o meu mundo desabou, eu só podia ter entendido errado, isso não era possível, não podia ser verdade. A minha filha… A minha menininha não.
- A minha filha de 7 anos foi estuprada? - Perguntei com lágrimas nos olhos.
- Foi. Fizemos diversos exames e constou que ela está com sífilis. - Falou para o meu desespero. - Desconfiamos de a***o, fizemos um exame e mostrou que ela foi abusada recentemente.
Não, não era possível. Agora tudo fazia sentido, por isso as mudanças de comportamento, o fato de fugir de casa, dos pesadelos, de não querer mais dormir no escuro. p***a, eu sou um m***a, como não desconfiei antes? Quer dizer… Eu cheguei a desconfiar, mas eu acho que tinha tanto medo da minha suspeita ser comprovada, que preferi acreditar na palavra da minha filha de que não havia acontecido nada.
Eu estava destruído, sem chão, o meu coração estava em pedaços, o meu maior dever como pai era protegê-las e eu não fui capaz de fazer isso.
O doutor se retirou, e eu chamei Cath em um canto e contei pra ela, que ficou apavorada, e aos prantos me abraçou. Nisso, avistei quando dois policiais entraram no hospital. A recepcionista apontou para mim e eles vieram em minha direção.
- Senhor Carter?
- Sim?
- Recebemos uma ligação de que sua filha usou cocaína e foi abusada, gostaríamos de lhes fazer umas perguntas.
- Quê? - Perguntei ainda atordoado. - Estão desconfiando de mim? Eu jamais encostei um dedo nas minhas filhas, isso nunca sequer me passou pela cabeça.
- Por favor, nos acompanhe até a delegacia, que veremos isso. - Disse o policial.
- Não, eu não fiz nada.
Vendo toda a situação, Maytê gritou:
- NÃO FOI ELE.
Todos olhamos para ela, que chorava muito. Eu não tinha comentado nada com ela, será que May sabia de alguma coisa?
Me aproximei dela e Cath e os policiais ficaram próximos da gente para ouvirem tudo.
- May, você sabe do que estamos falando? - Perguntei.
- Sei, papai, acham que o senhor machucou a minha irmã, mas o senhor é bonzinho.
- E você sabe quem a machucou? - Muito assustada, ela acenou positivamente com a cabeça. - E quem fez isso, meu bem?
- Eu… Não posso falar, papai, não quero que te machuquem.
- Quê? - Perguntei sem entender. - Eu prometo que ninguém vai me machucar. Confia em mim? - Ela acenou positivamente com a cabeça. - Então me diz, quem fez isso?
- Uns homens maus, são amigos da mamãe.
- Ai, meu Deus! - Falei desesperado.
- São mais de um? - Perguntou o policial.
- Sim, vários. Vão quase todos os dias lá em casa
- E sua mãe sabe? - O homem perguntou.
- Sim, ela que leva a Chloe até eles.
Puta que pariu! A coisa só piora… Eu… Eu vou m***r aquela desgraçada…
- A Chloe te disse isso, querida? - Cath perguntou tão apavorada quanto eu.
- Não, eu vi. Por isso que… Que eu não consegui mais falar.
- Oh, meu amor… - A abracei.
Os policiais me pediram desculpa e pediram pra eu levá-los até a casa daquela v***a, e isso seria um prazer.
Fui até a casa daquela filha da p**a, toquei a campainha diversas vezes, e lá pela 5° vez, ela abriu a porta reclamando da insistência.
Com muito ódio, parti pra cima dela. Eu nunca havia levantado um dedo pra uma mulher, e sempre ensinei as minhas filhas que qualquer forma de agressão é errado, mas ela havia mexido com o que eu mais amo no mundo, e mexeu com as minhas filhas, eu viro o bicho.
Dei alguns socos nela, e os policiais só me tiraram de cima dela depois do 7° ou 8° soco, acho que eles deixaram eu bater um pouco nela, por se colocarem no meu lugar. A demônia ficou com um olho roxo, que não conseguia nem abrir e quebrei o nariz e dois dentes da frente dela.
- Isso é por cada vez que você deixou esses teus machos encostarem na minha filha.
Os policiais a levaram e me prometeram que descobririam o nome de cada um que abusou da minha pequena e que prenderiam todos.