Assim que a sessão de tortura terminou, os homens foram pra casa e eu fui para o meu quarto aos prantos. Pouco depois, mamãe entrou em meu quarto, ainda nua.
- Achou que fosse se ver livre de mim, é? Pois isso nunca vai acontecer, você vai ser minha marionete até quando eu quiser.
- Eu quero o meu pai! - Choraminguei.
- Acha que o teu papai é diferente, é? Pois se enganou, ele é igual a todos os homens.
- MENTIRA! - Gritei.
- VERDADE! - Gritou de volta.
- Ele nunca me machucou, ele diz que é errado.
- Aposto que ele está só esperando a oportunidade certa, quando estiver sozinho com você, ele vai fazer o mesmo que fazem os meus amiguinhos. - Me deixou aos prantos e saiu do meu quarto.
Não podia ser, papai não podia ser malvado como esses caras, não podia.
No dia seguinte, papai levou May de volta pra casa, pois já estava melhor. Mamãe não estava, havia saído com um homem estranho, que tinha tatuagem até na cabeça e fedia a cigarro.
- Oi, meu amor. - Disse papai assim que eu abri a porta.
- Oi.
Ele fez menção em me dar um beijo no rosto e eu dei um passo para trás, evitando-o, que ficou sem entender. May e eu nos abraçamos, e eu já estava morrendo de saudade da minha irmãzinha.
- Como você está, querida? - Papai me questionou.
- Bem. - Respondi receosa.
O que mamãe havia me dito na noite anterior não saia da minha cabeça, será que todos os homens faziam essas coisas feias com crianças? Papai não podia ser assim, ele não.
- O que houve? - Perguntou.
- Nada.
- E cadê a sua mãe?
- Está dormindo, estava com muita dor de cabeça. - Menti.
Papai se despediu da gente e foi embora, ele disse que iria buscar a Cath no novo serviço.
Papai saiu e eu me senti péssima por ter o tratado m*l, eu o amava tanto, mas pensar que ele podia me machucar doía demais.
- Estava legal na casa do papai?
May acenou a cabeça positivamente. Ainda estava sem falar.
Tomamos nosso café e fomos pra escola. Quando chegamos fui direto falar com o Mike.
- Oi. - Falei. - Ele não respondeu. - O que houve?
- Minha mãe não quer que eu fale mais com você, ela acha que você me influenciou a fugir. Desculpa, Chloe.
O garoto saiu acompanhado da chata da Jolie, que deu um sorriso vitorioso. d***a! Eu não acredito que perdi o meu melhor amigo. Sentei no banco e comecei a chorar, Jenny sentou ao meu lado e perguntou o que havia acontecido, e eu lhe contei.
- Ah, aposto que vocês vão voltar a se falar.
- Tomara, amiga. - Falei.
Durante a aula de educação física, a Jolie veio me provocar.
- Chloe, ficou sabendo da novidade? Mike e eu estamos namorando.
- Quê? Mas… Criança não namora.
- Ai, você é tão bobinha, esse papo é de pirralhinha de maternal.
A garota me deu as costas e eu fiquei com muita raiva e joguei a bola de basquete na cabeça dela, que começou a chorar de dor. Todos meus colegas me olhavam assustados.
O professor de educação física correu para atender a Jolie, e a prof da turma veio até mim.
- Chloe? O que houve? - Tocou em meu braço.
- Me deixa. Me solta. - Me debati e comecei a gritar.
Sai correndo pelo ginásio, peguei as bolas e os cones e comecei a jogar em direções aleatórias. A professora gritava o meu nome e tentava me alcançar.
Acho que eu precisava extravasar toda a minha raiva, não era só raiva do que Jolie me disse, mas também do que mamãe falou e muita raiva dos homens maus.
Sai correndo pela escola e a prof correu atrás de mim, fui até o pátio, que estava com o portão aberto, corri tão depressa, que nem deu tempo do Carlos, o porteiro, me parar, fui para atravessar a rua e escutei uma buzina, me virei e vi um carro vir rápido na minha direção, coloquei as mãos no rosto para não ver e de repente me puxaram para a calçada. Era a minha professora. Me sentei no colo dela e desabei a chorar.
- Já passou, querida, já passou, está tudo bem. - Me abraçou delicadamente.
- Desculpa, desculpa. - Falei aos prantos.
- Claro que desculpo. Vem cá.
Ela se levantou e me pegou no colo e entramos na escola. Fomos até o refeitório e ela me deu um copo de água. De repente a diretora Cristina apareceu.
- Que bonito, hein dona Chloe, machuca tua colega, foge da aula e quase é atropelada, e se algo te acontece, o que diríamos pros teus pais? Qual o teu problema, hein? Enlouqueceu ou quer enlouquecer a gente?
- Mamãe, chega! - Disse minha professora. - É visível que ela não está nada bem, nenhuma criança age assim sem motivo. Pode nos dar licença?
A mais velha me olhou seriamente e se retirou. Minha professora sentou ao meu lado, pegou em minhas mãos, e disse:
- Querida, sei que tem algo te incomodando, sabia que quando contamos pra alguém aquilo que nos machuca, a dor diminui?
- Hã… Prof… Desculpa. Eu tive uma noite r**m, dormi pouco e ainda tive pesadelo. - Ela olhou desconfiada.
- Ok, meu bem, quando quiser me dizer a verdade, eu estou aqui, viu? - Me deu um beijo no rosto.
Em seguida, voltamos para a aula. Alguns colegas vieram me perguntar como eu estava, e eu disse que estava melhor.
(...)
Era sexta - feira, dia de ir pra casa do meu pai e da tia Cath, confesso que eu estava com um pouco de medo, e se mamãe estivesse certa?
No sábado fomos a um parque de diversões, May, London e eu voltamos todos suados de tanto que brincamos.
- E quem vai primeiro pro banho? - Papai perguntou.
- Primeiro as damas. - Disse London, fazendo os adultos rirem.
- Ok, vamos pro banho, mocinhas? - Papai perguntou.
- Não, a tia Cath nos dá banho. - Falei.
- Ok, por mim… - Levantou as mãos em rendição.
- Tia Cath, toma banho com a gente? - Pedi.
- Ok, vamos lá… - Ela disse.
Passei o fim de semana todo desconfiada de papai, busquei me afastar ao máximo dele, e tudo o que ele queria fazer comigo, eu pedia pra tia Cath fazer.
Quando papai nos levou pra escola, ele me perguntou:
- Filha, aconteceu algo? Te fiz algo? - Neguei com a cabeça. - Que bom! Saiba que eu te amo muito, viu? - Me deu um beijo no rosto. - Eu amo demais vocês, minhas princesas. - Deu um beijo no rosto de May.
(...)
Assim que acordei no dia seguinte, senti muita dor nas minhas partes íntimas por conta da noite anterior. Me levantei vagarosamente e com muita dificuldade fui até a sala, onde avistei um embrulho no chão, era umas coisas que mamãe sempre usava. Abri o embrulho e resolvi experimentar. De repente me senti muito m*l, cai no chão, me tremi toda, nem consegui gritar por ajuda, e então tudo ficou escuro.