Era ele. Era um dos amigos da mamãe, o mesmo que eu encontrei na praça outro dia. Como ele podia ser delegado se maltratava criancinhas? Os delegados deviam proteger as pessoas, principalmente as crianças, e não era o que ele fazia.
Notei que o homem havia me reconhecido, mas manteve a pose.
- Não deu pra segurar? - Mike me perguntou. Logo olhou para o delegado. - Essas coisas às vezes acontecem, mas não tem problema.
- Claro que não. - O homem deu um sorriso que me assustou. - Os pais de vocês ficaram muito preocupados, sabia? - Olhou para mim, e logo se dirigiu para o Mike. - Você pode nos deixar um pouco a sós? Preciso falar com a mocinha. - Aos prantos, neguei com a cabeça.
- Por quê? - Mike perguntou.
- Preciso dar um recado da mãe dela, é segredo.
O garoto ficou meio sem entender, me olhou rapidamente e logo saiu da sala. Muito assustada, me encostei na parede.
- Não me machuca, por favor.
- Escuta aqui, aí de você se der um pio sobre mim pro seu amiguinho ou pro seu papai. - Me mostrou o revólver dele. - Sabe como se usa isso? - Neguei com a cabeça. - Pois eu sei, e se eu quiser, dou um tiro bem certeiro no coração do teu papai, fui claro? - Acenei positivamente com a cabeça. - Ótimo! E hoje à noite eu passo na tua casa pra gente se divertir como da última vez.
O monstro colocou a mão em minha perna e foi subindo por baixo da minha saia, enquanto eu chorava de desespero.
Nisso, bateram à porta e o homem se afastou rapidamente de mim. Papai entrou e ao me ver, me abraçou, também o abracei, apertadamente enquanto chorava muito nervosa.
- Oh, meu amor, já passou. - Se pôs a me olhar. - Me conta, por que vocês fugiram?
- Fugi porque quero ficar com você, papai, e o Mike só me acompanhou.
- Oh, querida, mas não é assim que as coisas funcionam. Você não pensou em mim? Na May? Na Cath? No London? Na mãe do Mike? Todos ficamos preocupados.
- Desculpa. - Falei envergonhada.
- Tudo bem, vem, vamos pra casa.
Papai me pegou no colo, agradeceu aquele velho nojento por ter me encontrado e saiu da sala comigo no colo. Passei por Mike, que estava com sua mãe e acenei para o garoto, que fez o mesmo.
No caminho, papai disse que seu maior sonho era ter a nossa guarda, mas que precisávamos fazer as coisas certas, e ainda me falou sobre os perigos da rua, ah, se ele soubesse que também corro perigo em casa.
Papai me levou pra casa, e assim que mamãe abriu a porta, ela disse:
- Ah, a fugitiva voltou…
- Quando a May melhorar, eu trago ela. - Disse papai.
- Ok. - Disse mamãe dando de ombros.
- Papai… - Me agarrei no pescoço dele e voltei a chorar.
- Meu amor, eu preciso ir agora. Qualquer coisa, me liga, ok?
Me colocou no chão e foi embora, fiquei vendo-o enquanto chorava.
- Entra! - Ordenou mamãe.
Entrei tremendo de medo. Ela fechou a porta e logo deu um t**a muito forte em meu rosto, o que fez eu chorar mais ainda.
- Nunca mais faz isso, sua infeliz. Entendeu? - Acenei positivamente com a cabeça. - Agora vai pro teu quarto e coloca a roupa que está em cima da cama, que logo mais teremos visita.
Fui até o meu quarto e vi uma roupa estranha em cima da minha cama, não a conhecia, e era h******l, era tipo um vestido de renda, mas era todo transparente. Não queria colocar isso.
Escutei a campainha tocar e me escondi atrás da cortina em posição fetal. Mamãe entrou no quarto e procurou por mim, até que me achou.
- O que tá fazendo aí? - Me puxou pelos cabelos e me tirou de trás da cortina. - Por que não colocou a roupa que eu mandei?
- É h******l e transparente, não gostei.
- Não é pra você gostar, é pra você colocar. Já que não conseguiu se vestir sozinha, eu te ajudo.
- Não precisa. - Falei.
Ela me ignorou e tirou minha roupa com agressividade, tirou até a minha calcinha.
- Não! - Peguei a calcinha para colocar de novo.
- Sem. - Me deu um t**a forte na mão.
E então ela colocou aquela roupa ridícula em mim, eu estava me sentindo totalmente nua, já que aquela roupa era super transparente e aparecia as minhas partes íntimas.
A mulher me levou até o quarto dela, onde tinha um homem.
- Mas ela é linda. - Ele disse. - Oi, princesa. - Me olhou de cima abaixo, me deixando constrangida.
Os dois mandaram que eu fizesse diversas poses feias, e cada vez que eu negava, mamãe me batia com um cinto, ela dizia que esse era meu castigo por fugir. Fui obrigada a tirar fotos com mamãe e com o homem, ambos sem roupa. Após as fotos, o homem começou a me machucar, mamãe participou dessa vez, ela até deixava que ele a machucasse, e não parecia sentir dor, como ela conseguia?
E para pior, depois o delegado chegou e se juntou à minha sessão de tortura, e às vezes, os dois homens me machucavam ao mesmo tempo. Nenhum dos três tiveram pena de mim.
Pouco depois que os homens maus foram embora, eu corri para o banheiro para vomitar, vomitei tanto como há muito tempo eu não fazia.
Após conseguir parar de vomitar, fui para meu quarto e peguei no sono após tanto chorar.
Onde será que o juiz mora? Será que ainda dá tempo de dizer que quero morar com o papai?