Já estava tudo escuro, seria a primeira vez que eu dormiria na rua, não estava sendo nada legal, mas qualquer coisa era melhor do que ficar com mamãe.
- Está frio! - Falei.
O garoto tirou o seu casaco e me ofereceu.
- Pode usar, eu nem estou com tanto frio, até estou com um pouco de calor.
- Obrigada. - Falei ao vestir o casaco.
- Minha mãe já deve estar preocupada.
- Quer voltar? - Perguntei.
- Só se você voltar também.
- Não. - Falei.
- Então fico com você. - Falou me fazendo sorrir.
Mike e eu dormimos debaixo de uma ponte. Confesso que eu estava com um pouco de medo, papai sempre dizia que as ruas são muito perigosas para crianças, mas acho que a casa de mamãe era mais perigosa que as ruas.
No dia seguinte, assim que acordamos, saímos para caminhar enquanto comíamos umas bolachas. De repente, começou a chover, era chuva de verão, Mike e eu ficamos tomando banho de chuva, ah, estava tão divertido.
Não tínhamos pra onde ir, então só ficávamos caminhando sem rumo, mas isso já estava ficando chato, até que eu tive uma ideia.
Assim que um ônibus parou em uma parada, perto de onde estávamos, puxei o Mike pela mão e entramos no ônibus pela porta de trás.
- Pra onde esse ônibus vai? - Perguntou.
- Não tenho ideia.
Já era noitinha quando o ônibus chegou ao fim da linha, e a gente desceu, e passamos a caminhar em umas ruas que eu não conhecia, até que…
- Olha! - Apontei para a frente. - Praia.
- Oba! Adoro praia.
Nós dois começamos a correr em direção da praia, deitamos na areia e começamos a rolar sem nos importar de sujarmos as nossas roupas.
E então, como não tinha mais ninguém na praia, e ela estava totalmente vazia, Mike tirou suas roupas, ficando totalmente nu e correu até a água.
- A água está uma delícia! - Gritou para mim. - Vem.
Eu também tirei toda a minha roupa, ficando sem nada, e corri até a água. Mike e eu ficamos tomando banho e brincando apenas na beira, a gente tinha medo de ir mais pro fundo. Ficamos jogando água um no outro e foi super divertido.
Ao sairmos da água, tentamos tirar o excesso de areia das nossas roupas e nos vestimos.
Acabamos deitando na areia da praia enquanto víamos o céu estrelado.
- Obrigada por vir comigo. - Falei.
- Ah, amigos são pra isso, e eu sei que você faria o mesmo por mim.
- Com certeza.
Pouco depois, acabamos pegando no sono.
No dia seguinte, assim que acordamos, vimos que algumas pessoas estavam chegando na praia e resolvemos ir embora dali. Comemos o que havia sobrado das coisas que compramos no mercado e fomos caminhar mais um pouco, até que…
- Olha! - Apontei para a TV de uma lancheria.
Estava passando uma reportagem sobre a gente, meu pai e a mãe do Mike estavam na TV chorando e pedindo pra gente aparecer. Cutuquei Mike para sairmos antes que nos vissem, e saímos de fininho.
- Estão procurando a gente. - Disse Mike.
- Sim… - Falei cabisbaixa. - Mas, eu não quero voltar.
- Chloe, a sua mãe deve estar tão preocupada, que ela nem vai lembrar de brigar com você.
- Ela não está. - Falei.
- Como sabe?
- Porque ela não me ama.
- Ama, sim, do jeito dela, mas ama.
- Meu pai diz que amor são palavras e ações, que quem ama cuida, protege, não bate, não mente, não machuca o outro. Meu pai sim me ama.
- Então você devia morar com ele.
- Eu queria, mas a justiça injusta não deixa.
- Puxa!
Estávamos conversando quando um carro da polícia passou perto de onde estávamos, saímos correndo, mas o carro foi mais rápido e nos alcançou. Um policial segurou o braço do Mike e outro segurou o meu.
- Hey calminha. - Disse um dos policiais. - Sabiam que tem gente procurando vocês?
- Me solta! Me larga! Eu não quero ir. Não quero voltar pra casa. - Comecei a me debater.
- Precisamos levar vocês para o delegado, e ele verá o que fazer com vocês.
- Me prendam, eu não ligo, mas não me devolvam pra minha mãe, por favor. - Pedi aos prantos.
Os policiais pareciam não me ouvir. Nos colocaram dentro da viatura e partiram com o carro, Mike e eu colocamos o cinto, e ele tentou me acalmar. Comecei a chutar o banco da frente, onde estava um dos policiais.
- Me deixa descer!
- Ô baixinha, dá pra calar a boca?
- Não fala assim com ela. - Disse Mike. - Tua mãe não te deu educação, não? Não devemos falar assim com as mulheres, e nem com criança.
O policial o ignorou e começou a conversar com o outro policial, que estava dirigindo.
Eles nos levaram até a delegacia, eu estava com tanto medo. Um dos policiais nos levou até a sala do delegado e bateu à porta.
- Senhor, achei os dois fugitivos mirins. - Disse o homem.
- Que entrem! - Disse o mais velho.
O policial mandou que a gente entrasse, e Mike e eu entramos de cabeça baixa. Eu estava me sentindo uma criminosa. O policial saiu da sala, e logo, o mais velho disse:
- Ah, aí estão vocês.
Levantei a cabeça e quando vi tive uma tremenda surpresa desagradável. Comecei a suar frio, a tremer e até fiz xixi nas calças, o que deixou Mike sem reação, o coitadinho não sabia o que fazer. E eu ali parada me urinando toda enquanto olhava para ele.