Valentina
Não conseguia sair do lugar, perdi a capacidade de falar e apenas piscava os olhos constantemente, olhando, mas não vendo, se é que isso é possível, meu corpo estava em choque, mas uma vozinha no fundo da minha mente me avisou que ele que era um homem bonito, e era a testemunha-chave do meu crime.
Olhos castanhos aguçados me observavam, ele os estreitou como se quisesse disfarçar seu divertimento, deveria ter algo próximo de 1,90m de altura, o cabelo castanho escuro estava bagunçado, como se ele tivesse acabado de passar a mão nele e de uma forma furiosa, ele era quase preto, lindo, parecia ser tão macio que por um instante me imaginei passando os dedos naquelas mechas só para ver se meus dedos deslizariam por eles, me esqueci completamente de onde estava e do que estava fazendo, ele se aproximou com uma elegância fluida demais para alguém daquele tamanho.
—Precisa ir embora. Consegue dirigir?
Porra.
Dirigir? Do que diabos ele estava falando?
Ele ergueu as sobrancelhas com uma expressão: “Ok, querida. Você já me comeu com os olhos, agora preciso que o seu cérebro volte a funcionar.” Como se soubesse dos meus pensamentos ridículos, seu sorriso torto aumentou e ele passou a mão no cabelo me deixando completamente atordoada ao assistir o espetáculo.
— Moça? Preciso da sua ajuda aqui.
Conseguia ouvir o divertimento na sua voz, pisquei, lentamente fui voltando a realidade, droga, ele estava me deixando ir? Me dei conta de que ainda não havia respondido a sua pergunta, não seja i*****l Tina, homens desse tipo jamais flertariam com você.
— E-eu sou recém-habilitada. — respondi trêmula, estava quase aos prantos.
Era por isso que odiava brigar, eu ficava furiosa na primeira onda, mas depois começava a tremer e chorar feito uma desequilibrada, ele estreitou os olhos confusos e esclareci.
— Não consigo sair, a embreagem é curta, o carro é novo... — comecei a gaguejar sentindo a minha garganta inchar devido ao choro contido.
— Certo. — Respondeu ao compreender tudo que eu estava falhando vergonhosamente em explicar.
Ele passou novamente a mão no cabelo o penteando para trás, olhou ao redor em busca de algo, talvez ajuda do universo. E então me olhou determinado.
— Me dê as chaves.
— O quê?
— Irei levá-la, precisa sair daqui. Se está com medo de ficar num carro com um desconhecido chamarei um carro por aplicativo e esconderei o seu carro em outro lugar.
— Ainda estaria indo com um desconhecido. — disse ao enxugar uma lágrima gorda e teimosa que insistiu em cair, ele suspirou.
— O que vai ser então?
Eu queria muito sair dali para ir chorar em casa, estendi a chave para ele e fui para o banco do carona, observei ele afastar o banco para trás indignado com algo, inseri o meu endereço no GPS ignorando o fato de que um desconhecido estava me levando para casa, um desconhecido que teve de afastar totalmente o banco para conseguir entrar, ele era grande demais, parecia que estava dirigindo uma caixa de fósforos, coloquei o cinto em silêncio e me permitir descansar a cabeça no encosto do banco, mesmo com a possibilidade de estar ao lado de um assassino em série.
Queria dizer que fiquei todo o trajeto admirando a beleza taciturna daquele homem, mas não.
Isso seria uma mentira, chorei o caminho inteiro como uma i****a que descobriu uma traição e saiu passivamente e não como a louca que destruiu o carro do ex possivelmente gerando uma Perda Total, qual era o meu problema? Não deveria me sentir ao menos um pouco melhor e menos miserável?
— Posso guardá-lo para você.
— O que disse?
— O carro. Posso estacionar na garagem. — Esclareceu apontando com o queixo para minha casa, nem havia escutado a notificação do GPS de que havíamos chegado ao destino.
— Ah, sim, por favor.
Apertei o botão do controle, o portão automático se abriu silenciosamente e desembarquei imersa no meu torpor de humilhação e assisti inerte ele estacionar perfeitamente em minha garagem, ele teve a elegância de retornar o banco a posição original quando saiu, Marcos nunca fez isso quando me ensinou a dirigir, ele fechou a porta e entregou-me as chaves, parecia se preparar para dizer algo, mas o interrompi.
— Obrigada, estou pedindo um Uber, devo colocar o endereço do hotel?
Perguntei ansiosa para acabar com aquilo, não gostava de ter desconhecidos na minha casa, era muita ingratidão querer me livrar dele quando o homem foi um anjo e me tirou de uma enrascada? Acho que não, a prevenção seria compreensível, ele poderia ser um psicopata e já dei mole demais.
— Não precisa. — Ele tentou recusar e ergui a mão para silenciá-lo.
— Por favor, é o mínimo depois de tudo.
— Não estou indo para o hotel. — Disse e aquilo quase soou como um pedido de desculpa, fiquei preocupada com meu bolso, será que ele morava em outra cidade? No ABC? Osasco? Jesus, lá se vai o meu precioso dinheirinho.
— Contanto que o endereço seja nessa cidade, tudo bem. — Declarei e não me envergonhei, eu não era rica, ele parecia firme em recusar e torceu a boca, mas mesmo uma carranca era bonita naquele rosto, e tive de insistir queria que ele fosse logo embora.
— Moço, hoje foi o pior dia da minha vida, tenho certeza de que será por muito tempo. Me deixe agradecer a pessoa que tornou as coisas muito mais fáceis, eu poderia estar na delegacia. Ainda terei de ir quando ele me denunciar, mas não hoje pelo menos. — Rezei para que Marcos deixasse para ir à delegacia amanhã, será que tem imagens do que fiz? p***a, é claro que sim, eu sou uma criminosa de merda. Ele me encarou por mais alguns segundos por fim suspirou.
— Tudo bem.
Respondeu contrariado, ele me deu um endereço e franzi o cenho ao ver que se tratava de uma área perto da minha casa, muito perto mesmo, por que ele estava relutante? Será que pensou que eu o perseguiria ou algo assim? É claro que sim, merda, apenas eu sou i****a o suficiente para mostrar a um estranho onde moro.
Fiquei em silêncio imaginando todos os cenários de tragédias possíveis e traçando rotas de fuga, por sorte esperamos apenas alguns minutos até que o carro chegou e ele abriu a porta, mas não entrou.
— Não se preocupe, não haverá provas. Me use como álibi.
Antes que pudesse perguntar mais, ele embarcou e o carro partiu em seguida, fiquei olhando as luzes traseiras sumirem no fim da rua. Ele não iria testemunhar contra mim? Sorri amargurada com a esperança despertando em meu peito, pare Tina.
Você cometeu um crime, as coisas sempre podem piorar, fechei o portão e me virei para entrar.
...
As coisas não ficaram ruins.
Bom, diante do cenário, estavam tão ruins quanto poderiam estar, mas não fui presa, nem indiciada, fui chamada para depor dois dias depois, mas apenas porque recusei todas as ligações e mensagens do Marcos tudo ficou pior quando ele veio a minha a casa e o deixei berrando no portão, munido de ódio ele me denunciou e fui chamada à delegacia, expliquei que logo após o flagra fui embora do local e que o segurança poderia confirmar, mas para minha surpresa, não havia segurança com as características que informei.
Não foram encontradas imagens do local, miraculosamente naquela tarde as câmeras estavam em manutenção, e o gerente do local prontificou-se a depor a meu favor e declarou que me viu deixar o local, a recepcionista, confirmou e o caso foi encerrado, eu me senti culpada, o hotel teria que arcar com o dano do carro, mas por que o gerente mentiu? Me forcei a deixar pra lá por enquanto, depois iria procurar o tal gerente.
Semanas no fundo do poço me renderam quilos a mais, eles foram seguidos por dias de faxina e autoflagelação que me infligia diariamente ao olhar minhas redes sociais e ver nossas fotos juntos, até que dei um basta naquilo, haviam muitas coisas a serem devolvidas e destruídas, quando terminei minha tarefa árdua, liguei para minha mãe e minha irmã e contei a elas da forma mais brusca e sucinta possível, desliguei o telefone e o deixei assim o dia inteiro, quando terminei a faxina enfim havia conseguido tirar qualquer vestígio da presença de Marcos na minha casa, mas ainda precisava de um emprego e teria que ligar meu telefone novamente em algum momento, recebi uma rescisão gorda da empresa, mas teria que cortar gastos.
O recebimento das fotos da formatura me lembrou disso, havia acabado de me formar e ser demitida do meu emprego de secretária-executiva que me pagava muito bem, aliás, o que não te contam quando você recebe seu diploma na faculdade é que não importa que você seja graduado, isso nunca será suficiente quando se insere no mercado de trabalho.
Era absurdo o que as vagas para recém-formados exigiam, eles queriam uma pós, experiência de no mínimo 6 meses e alguns até exigiam inglês!
Inglês! Para trabalhar no Brasil! Isso era o mais tranquilo, havia aqueles que exigiam outros absurdos.
Havia me formado há dois meses e já estava exausta de procurar emprego, ir a entrevistas onde era ignorada assim que dizia que não tinha experiência hospitalar era realmente cansativo, com a vida amorosa aniquilada e a profissional seguindo o mesmo caminho, me deitei de costas na cama encarando o teto branco e calculando, eu tinha umas boas reservas, não precisava me preocupar com aluguel por que a casa era da minha tia ela se mudou para o nordeste e me deixou morar de graça desde que cuidasse da casa, mesmo assim morar em São Paulo era caro, para as minhas reservas durarem preciso me livrar do carro e de alguns gastos extras, como Netflix, comer fora, compras de livros.
O carro infernizava as minhas finanças, o dito cujo que me fora presenteado para que eu pagasse, apenas um canalha mesquinho presentearia a noiva e a faria pagar pelo presente, meu Deus como fui cega e estúpida!
Mal havia ligado o celular quando ele tocou, fiz uma careta temendo ser outra ligação de Marcos, soltei o fôlego ao ver o nome na tela e suspirei, não era ele, mas já me sentia cansada de ignorar aquelas ligações também, há dias a irmã dele estava me ligando, era melhor acabar com aquilo antes que ela decidisse aparecer aqui em casa.
— Oi, Mel. — Saudei derrotada ao atender a ligação.
— Sabia que iria te vencer pelo cansaço! Poxa vida, Tina! — Ela parecia ofegante e fechei os olhos me preparando. — Estava me ignorando por que acha que iria te convencer a voltar com aquele i*****l? — Não respondi, estava incerta sobre isso porque se ela tentasse me convencer é provável que eu cedesse, estava tentada a perdoá-lo toda vez que ele me procurava e ainda não entendia o porquê, não sabia o que ele havia dito a família, preferi não contar nada da traição, o silêncio ficou desconfortável e ela o quebrou com um suspirou pesaroso.
— Eu me juntaria a você para arrancar as bolas dele se me chamasse. — Declarou e meu coração se aqueceu. — Como pôde me ignorar por um mês inteiro! Tem noção do quanto estava preocupada com você?!
— Mel... — chamei em meio aos protestos indignados, ela parou de falar e respirei fundo. — Precisava de um tempo, me distanciar de tudo que me lembrava dele era essencial. E ele... — suspirei. – Ele ainda é seu irmão.
— Desculpa, não queria parecer uma vaca insistente e mesquinha.
— Tudo bem, gosto de vacas, lembra? — a sua risada aliviou aquele clima pesado entre nós, ela respirou fundo, como se precisasse de fôlego extra para o que estava prestes a dizer, meu estômago se revirou em expectativa. Talvez ela fosse anunciar o novo relacionamento do irmão…
— Escute, tenho uma proposta de trabalho para você.
Fiquei surpresa, esperava algo como: “o meu irmão irá trazer a namorada aqui em casa.” ou “Ele irá te processar.” ou mesmo “Meus pais estão decepcionados e te odeiam.”
— Tina?
— Estou ouvindo. — Respondi ao chacoalhar a cabeça.
— Certo, te disse antes que abriria o meu próprio negócio, não é?
— Sim...
— Bem, eu o fiz. Consegui montar tudo, iniciei a divulgação e já tenho o primeiro cliente, ele é um conhecido dos meus pais e está precisando urgentemente de uma assistente pessoal.
— Espera. Como assim? Pensei que a sua empresa forneceria diaristas. No que diabos se meteu?
— Sim, isso mesmo, ele contrata faxineira uma vez por semana. Forneço cuidados e limpeza, fizemos a mudança dele. Até o momento, irei ficar com essas modalidades, já treinei a primeira turma de faxina, mas você sabe que preciso fazer o meu nome no mercado e esse cliente é importante e famoso, conhece muita gente. Amiga, me ajuda? Sei que você não se formou em enfermagem para isso, mas você tem o curso técnico em secretariado, fala inglês e espanhol, o dinheiro é bom e te ajudará enquanto não arruma algo na sua área…
— Mel. — Ela não parava de falar sobre as vantagens.
Coisas como remuneração, auxílio moradia, academia de graça, vale alimentação exorbitante, viagens… o único ponto r**m era a inflexibilidade de horário, pois o tal cara famoso era bodybuilder e acabou de se mudar para a cidade, a agenda dele estava uma loucura, mas contanto que pudesse cursar minha especialização toparia qualquer coisa.
Ela não parava de falar e tive que berrar com ela.
— Melina! — Gritei e ela parou de falar. — Mel... Está louca?! Não precisa me convencer! É claro que aceito. Eu preciso de dinheiro para pagar as minhas contas!
— Sério? Você vai aceitar?
— Sim, sabe que adorei o trabalho de secretária/Assistente Pessoal, e claro, trabalho é trabalho! Mas me preocupo com os idiomas, meu espanhol está enferrujado, porque usava mais o inglês no meu antigo trabalho.
— Ah meu Deus! Você é minha salvadora! O cara está desesperado, parece que não consegue nem amarrar os cadarços sem ajuda e ele é super rico, vai ser ótimo ter ele na minha lista de favores devidos.
— Peraí, o que quer dizer com super rico? Preciso de parâmetros.
— Do tipo que contrata o serviços para o mês inteiro e deixa tudo pago, e no débito. Ele acabou de competir nos Estados Unidos amiga e ficou em segundo lugar, e o seu salário não será pouca coisa viu!
— Como assim? — perguntei espantada.
— Bem, acho que uma secretária/RP graduada em direito com um boletim impecável e bilíngue deveria ganhar de acordo com o tal, fiz uma pesquisa de mercado e vi os valores, dei uma pretensão salarial digna e ele aceitou, irei te mandar tudo sobre a vaga, prefere via e-mail ou mensagem?
— Meu Deus, Mel! Espero que não tenha exagerado!
— Claro que não exagerei, sou uma empresária séria e sensata, não quero perder um cliente por isso indiquei você. Ele é bem exigente, solicitou todas as informações sobre você, o cara praticamente investigou a sua vida desde a pré-escola!
— Como assim? Eu acabei de aceitar a proposta!
— Ai amiga, desculpa. Há mais de uma semana que conversamos, como já tinha seu currículo mandei as informações para ele e fiquei de confirmar com você e passar o endereço do local da entrevista.
—Você é maluca!? E se eu recusasse? Ou se não conseguisse falar comigo?
— Bem, tentaria arrumar alguém e se não conseguisse, paciência, ele iria dar um chilique, eu daria um mês de faxina grátis e ficaria tudo bem.
—Uau, você não acabou de dizer que te salvei ao aceitar o emprego, está me desmerecendo tão cedo?
— Desculpa, sabe como sou…
— Sim. Bipolar, eufórica e maluca!
— Prefiro espontânea, extrovertida e proativa!
— Certo, continue pensando assim.
— Mas é sério, esse cliente é importante, até agora é o que mais gastou conosco, então dê o seu melhor e tente aliviar o sofrimento do pobre homem. Ok?
— Tudo bem, me fale dele...
— Ok, é até onde sei ele é envolvido com esse negócio de fisiculturismo, mas já era rico e também teve um mentor que o ajudou desde cedo, ele investiu a herança e o que ganha nas parcerias com quem fecha contrato, acabou de comprar um hotel de luxo e é sócio numa rede de academias. Ele disse que a escala é 6x1, se quer saber acho que será bem mais que isso o homem é viciado em trabalho, ele deve ser divorciado.
— Nossa, que ótimo ouvir que esse é o meu futuro chefe.
— Pois é, mas acontece com todos. Acredito que ele mesmo irá fazer a entrevista, mas é garantido que a vaga é sua, então fale a respeito das suas experiências, afinal de contas você praticamente fez intercâmbio na Espanha.
— Acabei de dizer que falo apenas inglês fluente! Ele é estrangeiro?
— Não, mas ele lida com muito gringo e você ficará encarregada de responder os e-mails dele e coisas do gênero. Mandarei o endereço do local da entrevista, ou se quiser te levarei lá.
— Essa entrevista está agendada para...?
— Amanhã.
— Certo, mas o lugar fica perto do seu escritório?
— Não, a entrevista acontecerá na casa dele, é um daqueles lugares afastados tipo Alphaville, mas é mais barato, eu acho né. Tenho que levar umas coisas para umas prestadoras que irão trabalhar na casa dele, aí te dou uma carona.
— Uau. Ok, você o viu? Como ele é?
— Sim, ele é enorme de verdade, tipo o touro Ferdinando, muito forte e muito brasileiro, mas também parece ter traços hispânicos, sei lá.
— Hispânicos? — zombei. — Você não é muito boa com descrições.
— Isso não é importante, mandarei o endereço, estarei aí às 11h20. — olhei a mensagem no celular, a entrevista estava marcada para às 11h45, será que é realmente tão perto daqui? — Tudo bem, quão perto fica esse condomínio?
— A uns 15 minutos da sua casa, naquele condomínio perto da serra da cantareira.
— Uau. — murmurei assombrada. — Aquele onde eu fazia caminhada?
— Acho que é esse mesmo.
— Nossa, espero que ele não seja aqueles ricos nojentos, tinha um pessoal bem metido ali.
— Pelo que vi, ele parece alguém cordial. Espera um pouco, Tina. — Ela balbuciou instruções para alguém, mas voltou em seguida. — Vai dar tudo certo.
— Deus te ouça! Você deve estar ocupada, Mel. Até amanhã. E muito obrigada.
— Imagina, eu que agradeço. Até amanhã!
Deixei o celular de lado, me estiquei para apagar a luz do abajur e pela primeira vez na semana fui dormir com um sorriso no rosto, as coisas irão melhorar, tudo passa não é mesmo?
Amanhã será um novo dia, terei um novo emprego, não precisarei trancar minha pós... ainda venderei o carro, mas posso continuar estudando e me sustentando confortavelmente até estabilizar minha situação e arranjar algo na minha área.
Isso mesmo, um passo de cada vez, tentei dormir, mas algo estava deixando a minha mente agitada, como se eu estivesse esquecendo de alguma coisa, esquadrinhei minhas memórias tentando descobrir o que era, minha cabeça começou a doer por pensar demais e não chegar a lugar nenhum, até que a exaustão me venceu e fechei os olhos.