Lua narrando
Praticamente arrastada, vesti uma roupa e fui para uma balada com Louis e Maya. Como eu não queria ficar de cara emburrada, resolvi pegar uma bebida e me sentar num daqueles sofázinhos.
Enquanto bebericava a cerveja, reparei naquela casa. A escuridão ficava em segundo plano, devido as luzes de diversas cores que piscavam, a fumaça no ar e a música alta.
Louis já tinha sumido e Maya também.
Eu ficaria por um longo tempo sozinha se de repente um homem não tivesse se aproximado. Ele se jogou ao meu lado e eu o reconheci de imediato.
- Josh?
- Olá, Lua. - disse, calmamente.
Ele não parecia estar bêbado ainda.
- Que coincidência encontrá-lo aqui.
- Muita, na verdade.
- E então, sozinho?
- Sim e você?
- Vim com uns amigos mas já sumiram.
- Ah, entendi. O que acha de ir dançar?
Antes de eu recusar ele me puxou pelo braço e me guiou até a pista. Dancei com ele por algum tempo, apesar de não estar muito interessada naquilo. Ele dançava bem. Tinha um ótimo jingado, eu apenas me movia de um lado para o outro. Enquanto eu dançava, bebia a minha bebida e ele a sua.
Logo meus pés estavam me matando e eu precisava sentar. Dei um desculpa qualquer para Josh e deixei-o sozinho em busca de um assento.
Enquanto eu brincava com uma garrafa vazia, Josh se aproximou novamente.
- Quer? - perguntou indicando a nova garrafa.
- Não, obrigada. Não bebo muito.
Era verdade, eu não bebia muito e além disso, alguém teria de pegar o carro, aposto que Louis e Maya já estariam chapados.
- Tudo bem.
Ele se sentou ao meu lado e começamos a conversar.
A maneira como ele me respondia sem hesitar na maioria das perguntas denunciava que ele estava sóbrio. Ainda bem. Não sei lidar com pessoas bêbadas.
- Então você está no seu último ano? - perguntei.
- Sim.
- Gosta do que vai fazer?
- Sim.
- Hum... Acho que vou procurar meus amigos. - desconversei.
- Fica mais um pouco. Só eu falei. Quero ouvir um pouco sobre você.
Sorri, tímida.
- Bom, eu tenho 19 anos, estou cursando advocacia, moro num apartamento, trabalho num café... - continuei a falar sobre mim.
Talvez eu tenha dito demais. Mas ele também havia se aberto comigo.
- Já leu O mundo de Sofia? - perguntou.
Franzi o cenho para a pergunta fora de hora.
Acabei respondendo que sim.
Ele sorriu.
Despedi-me e fui em busca dos meus amigos, olhei o relógio.
2:45
Já era hora, ou melhor, já havia passado da hora.
Maya sempre era a primeira que desistia e prefiria voltar pra casa. Com o namorado, ela prefiria ficar mais na dela quanto a esses assuntos. Louis era o festeiro. E isso explicava o por que de eu estar vendo Maya numa mesa quase dormindo e Louis dando um show na pista.
Um homem estava sentado ao lado de Maya, estava escrito na testa dele o quanto ele estava interessado, quanto a ela, se segurava para não fechar os olhos de uma vez.
E Louis ... "Dançando".
Encarei mais um pouco a cena, até o homem colocar a mão na perna de Maya. Era só esperar. Seus olhos se arregalaram como se o sono sumisse num piscar de olhos. Em alguns segundos vi a mão dela acertar em cheio o rosto do homem.
Se não estivesse escuro eu acho que daria pada ver a marca dos dedos dela na bochecha do homem.
Não pude deixar de rir da cara dele.
- QUAL A PARTE DE "SOME" VOCÊ NÃO ENTENDEU? - ela gritou.
Parei de olhar e puxei ela.
- Vamos embora. - informei.
- Graças a Deus. - ela disse.
Procurei Louis no meu campo de vista, mas ele não estava mais lá.
droga.
A balada estava cheia, as pessoas me empurravam e eu tentava a todo custo não soltar a mão de Maya, a música alta me impossibilitava de escutar uma palavra que minha amiga dizia. O cheiro forte de bebida e cigarros começavam a me incomodar. Eu já estava ficando estressada.
Comecei a empurrar todo mundo sem ver, pedi licença não funcionava, eu já estava começando a eu pisar nos pés de quem barrava a passagem.
Alguns minutos a procura e Louis surgiu. Jogado no chão e murmurando algo.
Revirei os olhos.
- VAMOS, LOUIS! - chamei.
Ele me olhou e me mandou um dedo do meio. Peguei seu pé e comecei a arrastá-lo.
- Lua! - Maya gritava.
Eu não estava a fim naquele momento. Achei o carro e destranquei. Naquele momento Louis chorava.
- Cala a boca, Louis. - pedi.
Eu não conseguia me concentrar.
Maya se sentou na frente e abriu a porta de trás para me ajudar.
Comecei a empurrar Louis mas ele não entrava de jeito algum.
- Ajuda? - me virei e encontrei Josh sorrindo.
Seria um bom momento para questionar suas aparições repentinas, mas eu já tinha algo pra fazer, então apenas sorri.
- Por favor. - completei.
- Deixa comigo.
Saí dali e dei espaço a ele.
Facilmente ele colocou Louis deitado no banco e fechou a porta.
- Obrigada. - agradeci.
- Por nada.
- Tenho que ir. - falei.
- Tchau.
Acenei com a cabeça.
Ele me acompanhou até a porta do carro e antes que eu abrisse, ele me puxou. Fiquei sem jeito com a ação, e antes que pudesse pensar em questiona-lo, senti seus lábios nos meus. Eu não sabia o que fazer.
Ele estava realmente me beijando?
Sim.
God.
No impulso acompanhei seus lábios, o gosto da bebida era presente mas ainda podia sentir o quão mornos estavam. Não consegui raciocinar muito bem acerca da situação, e apesar da surpresa com a situação, não consegui deixar de pensar no seu estado de consciência, ele parecia estar bem, ainda sim temi que estivesse fazendo isso por causa da bebida.
Ele se lembraria disso? E por que eu me importava? Por que eu ainda não tinha o empurrado?
O beijo terminou e eu fiquei sem reação, os olhos ainda fechados.
Sua boca se aproximou do meu ouvido e sua voz soou.
- Te vejo amanhã.
Assenti.
Entrei no carro e dei a partida.
- Uou, amiga! - Maya e Louis gritaram.
- O que foi isso? - disse Maya.
- Conta tudo. - disse Louis.
Olhei para ele indignada.
- Não tava caindo de bêbado até agora, seu b***a? - falei.
Ele deu de ombros.
- Não sei o que foi isso. - falei baixo.
Eles entenderam a minha confusão interna e ficaram quietos. Deixei cada um na sua casa e fui, enfim, para a minha, em busca do conforto da mesma, de descanso. Eu precisava tomar um banho, dormir, e esfriar a cabeça.
O que foi aquilo com Josh? Fora só um beijo entre duas pessoas que saíram para se divertir ou algo mais? E aquilo de "te vejo amanhã"?