o restaurante foi invadido

967 Words
Capítulo 28 Ponto de Vista — Angélica Já passava das onze da noite quando o último cliente finalmente saiu. A porta se fechou atrás dele, e o silêncio que tomou conta do restaurante foi quase… sagrado. Soltei um suspiro longo, apoiando as mãos no balcão. — Graças a Deus... — o sussurro escapou, quase como uma prece. As horas extras pesariam no bolso, mas o preço cobrado no corpo era alto demais Minhas pernas estavam doendo tanto que parecia que iam ceder a qualquer momento. Minhas costas também reclamavam a cada movimento. Mas, mesmo assim… eu me sentia aliviada. Tinha sido um dia puxado. Muito puxado. Mas eu tinha conseguido. E as horas extras… iam ajudar. — Vamos, pessoal! Sem corpo mole! — A voz de Dona Marta cortou o ar, acompanhada de duas palmas secas. — O chão não vai se lavar sozinho e as mesas não brilham por milagre! Gemidos baixos ecoaram entre os funcionários. Eu apenas ri fraco. — Vamos lá… Começamos a limpar tudo. Mesas. Cadeiras. Chão. A rotina de sempre. Seu Matias estava no escritório, como quase todas as noites. Ele raramente aparecia no salão, mas sempre ficava até o final. Nunca pensei muito sobre isso. Para mim, ele era só o dono. Um homem reservado. Quieto. Que cuidava dos negócios dele. Dona Marta foi até a entrada para fechar as portas. Eu estava limpando uma das mesas quando ouvi. Um barulho estranho. Como se algo tivesse sido empurrado com força. Franzi a testa. — Você ouviu isso? — perguntei para um dos colegas. Ele ia responder quando… — NÃO! Quem são vocês? — o grito de Dona Marta cortou o ar. Meu coração disparou. Virei imediatamente na direção da entrada. E então… tudo aconteceu muito rápido. A porta foi aberta com violência. Homens entraram. Vários. Todos vestidos de preto. Todos armados. Todos prontos para nos matar. O som metálico das armas sendo levantadas ecoou pelo restaurante. Alguém gritou. Outro derrubou alguma coisa. Eu fiquei completamente paralisada. Meu corpo não respondia. Minha mente tentava entender o que estava acontecendo. Mas então ouvi de novo. — FICA QUIETA! Era Dona Marta. Ela estava sendo segurada por um dos homens. Uma arma apontada diretamente para ela. — Por favor… — ela chorava. — Não faz isso… Meu coração começou a bater tão forte que parecia que ia explodir. O medo tomou conta de mim. Puro. Cru. Um dos homens apontou a arma para nós. — TODO MUNDO PARADO! Ninguém se mexeu. Ninguém respirava direito. Minhas mãos começaram a tremer. Meu corpo inteiro estava gelado. Então… eu vi. No meio de todos aqueles homens. Entrando calmamente. Como se fosse dono do lugar. Victor. Meu coração simplesmente parou por um segundo. Não. Não podia ser. Mas era. O mesmo homem. O mesmo olhar intenso. O mesmo corpo imponente. Mas… completamente diferente. Não era o Victor que me chamou de “borboleta”. Não era o homem que me beijou. Não era o homem que me protegeu. Esse… Era frio. Perigoso. Implacável. Ele caminhava lentamente pelo restaurante, observando tudo ao redor com calma. Como um predador. Meu estômago se revirou. Ao lado dele estava o outro homem. Vladimir. Eu lembrava dele da boate. Os dois pareciam… ainda mais assustadores juntos. Victor passou os olhos pelo ambiente. E então… Os olhos dele encontraram os meus. O tempo pareceu parar. Meu coração disparou ainda mais forte. Ele não demonstrou surpresa. Não demonstrou nada. Apenas me olhou. Como se eu fosse ninguém, desprezo Como se… aquilo fosse uma pedra no seu caminho. Engoli seco. Minha respiração ficou presa na garganta. O Victor que eu conhecia… Ou achava que conhecia… Não existia mais naquele momento. Ele desviou o olhar de mim como se eu não fosse importante. E continuou andando. Aquilo doeu. Mais do que eu esperava. — Cadê o Matias? — a voz dele ecoou pelo restaurante. Grave. Autoritária. Dona Marta chorava. — Eu… eu não sei… O homem que segurava ela apertou mais o braço dela. — Não mente! — Eu não sei! Eu juro! Victor parou no meio do salão. Seus olhos ficaram frios. — Última chance. O silêncio ficou pesado. Ninguém se atrevia a falar. Foi então que a porta do escritório se abriu lentamente. Meu coração gelou. Seu Matias saiu. Calmo. Muito calmo. Diferente de todos nós. Ele olhou ao redor. Depois fixou os olhos em Victor. E… sorriu. Um sorriso que me deu arrepios. — Demorou, Tolyatti. — O poderoso chefe da máfia Rússia no meu humilde restaurante. Matias falou ironicamente. Meu corpo inteiro travou. Tolyatti? Victor… Tolyatti? Chefe da máfia Rússia? Meu olhar foi imediatamente para ele. Então… era verdade. Tudo. O perigo. Aquele mundo. Victor não respondeu de imediato. Apenas observou Matias. Os dois se encarando como se compartilhassem um passado. Como se aquela não fosse a primeira vez que se encontravam. — Eu achei que você estava morto — Victor disse finalmente. Matias deu de ombros. — Muitos acharam. O ar ficou ainda mais pesado. Eu não entendia nada. Mas sabia de uma coisa. Aquilo não era um assalto. Não era aleatório. Era algo muito maior. Muito mais perigoso. E eu… Estava no meio. Sem querer. Sem escolha. Sem saída. Meus olhos voltaram para Victor. Meu coração apertou. Porque naquele momento… Eu percebi. Eu não conhecia aquele homem. Não de verdade. E talvez… Nunca tivesse conhecido. Olhei para Victor uma última vez, buscando qualquer traço do homem que me segurou no escuro. Mas tudo o que vi foi o reflexo do cano de uma arma em seus olhos implacáveis. Eu não conhecia aquele homem. Lágrimas lutavam para cair, mas eu segurei e tentei me manter forte, foi então que os homens armados começaram apontar as armas em nossas direção, Dona Marta continua a chorar dizendo. — Ele vai matar todos nós.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD