não é lugar para você

982 Words
Capítulo 20 Ponto de Vista — Angélica Quando aquele homem puxou para os braços dele e me levantou do chão, eu nem tive tempo de reagir direito. Tudo aconteceu rápido demais. Um momento eu estava ali, tentando me soltar de Rafael, sentindo o velho medo voltar… e no outro estava sendo erguida como se fosse leve como uma pluma. Ele me segurava com firmeza, um braço sob minhas pernas e o outro nas minhas costas, exatamente como os noivos carregam as noivas em filmes românticos. Meu coração disparou. — me ponha no chão… — murmurei, surpresa. Mas ele nem pareceu ouvir. Ou talvez tenha ouvido e simplesmente decidido ignorar. Instintivamente, passei os braços ao redor do pescoço dele para não cair. Meu rosto ficou próximo demais do dele, e senti aquele perfume masculino que já reconhecia. Forte. Marcante. Seguro. As pessoas na boate começaram a olhar. Alguns curiosos. Outros cochichando. Meu rosto esquentou de vergonha. — Você pode me colocar no chão… — sussurrei novamente perto do ouvido dele. — Victor me chamo Victor, ele falou. Mas depois continuou caminhando como se eu não tivesse dito nada. Era impossível não perceber a diferença entre nós dois naquele momento. Ele parecia totalmente à vontade, como se carregar uma mulher nos braços no meio de uma boate fosse a coisa mais normal do mundo. Já eu… me sentia exposta. Mas, ao mesmo tempo, algo estranho crescia dentro de mim. Uma sensação de proteção. Como se nada de r**m pudesse acontecer enquanto eu estivesse ali, nos braços dele. Vi quando ele fez um gesto rápido para o homem que estava com ele. Um homem alto e forte assim como Victor — Eu resolvo — ouvi o homem dizer. Victor apenas assentiu. E continuou andando. Saímos da boate e o barulho da música ficou para trás. O ar da noite bateu no meu rosto, mais fresco, mais real. Do lado de fora, um carro preto enorme estava estacionado. Luxuoso. Muito diferente de qualquer carro que eu já tinha entrado na vida. O motorista saiu rapidamente e abriu a porta traseira. Victor me colocou no banco com cuidado. Só então entrou ao meu lado. A porta se fechou, abafando completamente os sons da rua. Fiquei alguns segundos olhando para ele. Ainda tentando entender o que estava acontecendo. — Victor… — comecei. — Sim? — Eu preciso voltar. Ele franziu levemente a testa. — Voltar? — Para a boate. Eu estou trabalhando. Foi então que ele levantou a mão e encostou suavemente os dedos nos meus lábios. O gesto foi simples. Mas me deixou completamente sem palavras. — Não. Piscai algumas vezes. — Como assim não? — Você não vai voltar para aquele lugar. Meu coração apertou. — Eu preciso trabalhar. Ele me encarou com aqueles olhos azuis intensos. — Não naquele lugar. Suspirei, frustrada. — Você não entende. — Eu entendo mais do que você imagina. A forma como ele disse aquilo fez um pequeno arrepio subir pela minha espinha. — Aquela boate… — continuou ele — não é um lugar para você. — Eu só estava servindo bebidas. — Hoje. A palavra saiu pesada. Ele se inclinou um pouco mais perto de mim. — Mas você viu o tipo de homem que frequenta aquele lugar. Imediatamente a imagem de Rafael segurando meu braço voltou à minha mente. Meu estômago se apertou. Victor percebeu. — Existem muitos como ele — disse calmamente. — Alguns piores. Engoli em seco. — Homens que pensam que podem comprar tudo. Inclusive as garotas que trabalham ali. Um frio percorreu meu corpo. Porque, de repente, eu percebi algo que antes não tinha pensado. Eu realmente não sabia até onde aquele trabalho poderia me levar. Eu precisava de dinheiro… sim. Mas vender meu corpo? Nunca. A ideia me deu um nó no estômago. Baixei o olhar. Victor continuou me observando em silêncio. — Não é um lugar para você, borboleta. Quando ele disse aquilo, senti meus olhos arderem um pouco. Porque ninguém nunca tinha se preocupado comigo daquele jeito. Levantei o olhar novamente. E foi então que ele me beijou. Não houve aviso. Não houve pergunta. Seus lábios simplesmente encontraram os meus. E naquele momento… tudo explodiu dentro de mim. Exatamente como na noite em que nos encontramos pela primeira vez. Meu coração acelerou. Meu corpo inteiro pareceu acordar ao mesmo tempo. O beijo começou suave… mas rapidamente se tornou mais intenso. Mais profundo. Como se ele estivesse segurando algo dentro de si há dias. E talvez estivesse mesmo. Porque eu também estava. Antes mesmo de perceber o que estava fazendo, me movi. Subi no colo dele. Victor pareceu surpreso por um segundo quando minhas pernas passaram para cada lado do corpo dele no banco do carro. Mas não me afastou. Muito pelo contrário. Seus braços envolveram minha cintura automaticamente. Aproximei ainda mais meu corpo do dele. E intensifiquei o beijo. Agora não era só ele. Eu também precisava daquilo. Minhas mãos se fecharam em sua camisa enquanto nossos lábios se encontravam com mais força. Mais urgência. Como se estivéssemos tentando recuperar todos os momentos que passamos longe um do outro. Quando finalmente precisei respirar, afastei meu rosto alguns centímetros. Minha respiração estava descompassada. Meu coração parecia querer sair do peito. Victor me olhava com uma intensidade que quase me deixou sem ar novamente. — Angélica… — ele murmurou meu nome como se estivesse provando o som. Eu não tinha falado meu nome, como ele sabia, não importa agora. Minhas mãos ainda estavam apoiadas em seus ombros. Meu corpo ainda estava no colo dele. E naquele momento… eu percebi algo assustador. Eu não queria me afastar. Mesmo sabendo que aquele homem era perigoso. Mesmo sabendo que eu m*l o conhecia. Mesmo sabendo que minha vida era completamente diferente da dele. Ainda assim… Eu queria ficar ali. Nos braços de Victor. Mesmo que isso fosse a decisão mais louca que eu já tivesse tomado.
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