24 horas

2990 Words
Não é tão fácil assim encarar a realidade dia após dia quando sua cabeça parece ser diferente. Com a terapia e os remédios as coisas estavam finalmente entrando nos eixos, até que conheci Blake. Não que ele fosse algo super importante. Não gosto de supervalorizar homens, mas desde que ele chegou, minha cabeça virou uma bagunça. Mantenho minha vida em alguns pilares: família, estudos, trabalho, amigos... E bom, eu não faço de homem nenhum meu pilar. Acontece que quando a gente tá sensível, uma mesa de quatro pilares tende a ficar bamba. E se qualquer i****a se apoia, essa "mesa" cai. Decidi acordar mais cedo para correr, e assim aliviar um pouco a ansiedade. Coloquei os fones de ouvido e saí de casa, fazendo um pequeno percurso. Cumprimentei alguns vizinhos e assim que terminei de correr, voltei pra casa. Tomei banho e meu dia seguiu normalmente. Quando cheguei na faculdade, Lana correu em minha direção e me puxou para um canto. — Andy, eu fiquei sabendo de uma coisa. — Ela estava com os olhos arregalados. — Você sabia que uma garota que o Blake namorou morreu afogada? A morte dela é considerada suspeita até hoje. — Ela disse, respirando de forma pesada. — Andy, ela não foi a única. Eu juro que não queria te contar, mas as pessoas que se envolvem com ele, acabam mortas. É muito estranho... — Eu apenas olhei pra baixo. Na hora, Lana sacou que eu já sabia. — Meu Jesus, você sabe de alguma coisa. — Coloquei as duas mãos no meu próprio rosto e me escondi. —Andy, minha avó acha que ele é possuído. Você sabe que minha avó é muito sensível, ela sente as coisas. — Ele fez um pacto com alguma entidade do m*l. Mas podemos chamar de d***o, se você quiser. — Ela arregalou os olhos quando ouviu o que eu disse. — Ele te confirmou isso? — Eu assenti com a cabeça, em resposta. — E você continua saindo com ele? Você tá maluca? Esse pacto vai respingar em você! — Descobri o rosto que antes estava coberto por minhas mãos e cruzei os braços. — Olha, Lana... Eu não ligo. Você já viu os meus desenhos? Você realmente acha que eu sou normal? Talvez eu tenha uns demônios dentro de mim também. — Ela fez o sinal da cruz ao me ouvir. Eu acabei rindo, e ela deu um sorriso antes de me puxar pra um abraço. — Ter depressão não significa que você tem um capeta na mente. Não fala assim. — Ela me puxou para um abraço apertado. Já estava na hora de entrar para a aula, e seguimos abraçadas até a porta. Se ela soubesse dos meus pensamentos e sonhos, talvez ela mudasse de opinião. Na hora do almoço, procurei Blake com os olhos pelo refeitório. Ele não estava. Nenhuma mensagem dele no celular. Acabei não fazendo nada, apenas continuei meu dia normalmente. Depois de terminar minhas atividade no laboratório, estava guardando minhas coisas quando recebi uma mensagem dele. — Andy, eu estou aqui fora do laboratório. Preciso te ver. Você está aí? — Ele questionou por mensagem. Decidi não responder, pois já estava com a mochila nas costas. Desci as escadas do prédio rapidamente e me deparei com ele, parado e encostado na sua moto, com dois capacetes apoiados também em cima dela. Ele veio ao meu encontro assim que me viu, e eu reparei que ele estava com um olho roxo e o supercílio cortado. Também havia um pequeno corte no lábio inferior. Ele encaixou as duas mãos nas laterais do meu rosto e me deu um beijo demorado na testa, antes que eu pudesse falar qualquer coisa. Quando ele soltou meu rosto, olhei pra ele com preocupação. — O que aconteceu contigo, Blake? Você tá todo ferrado... — Ele respirou pesado e entregou o capacete pra mim. Enquanto ele ia vestindo o próprio capacete, disse, com um olhar diferente. — Não tem importância. Só... Vamos curtir o dia de hoje, tá? Ele disse e subiu na moto. Eu subi também, e não demorou muito até que chegamos no loft que ele morava. Subimos até o andar dele e ele me mostrou o pequeno local, de aproximadamente 30 metros quadrados. Era tudo muito prático e a mão. Ele me mostrou o espaço da cozinha, a sala e a cama que ficava em uma espécie de galeria. O cheiro do perfume dele estava impregnado em todo o local. Blake se jogou no sofá e eu caminhei até a geladeira, pegando duas cervejas dali de dentro. Enrosquei a camiseta em uma delas e abri, depois fiz o mesmo com a outra. Ele observou com um sorriso malicioso o que eu fazia. Entreguei uma das cervejas a ele e sentei ao seu lado, olhando o rosto machucado. Ele passou o braço ao redor de mim e permaneceu em silêncio. — Você não vai me contar o que aconteceu? — Ele me olhou e sorriu. Enquanto isso, tomei um gole da cerveja. Ele fez o mesmo. — Nada com que você deva se preocupar. — Ouvi e mostrei o dedo do meio para ele. Ele deu uma risada e tomou mais um gole. — Tá bom, eu caí. Sou estabanado as vezes. — Fisicamente impossível você machucar todos esses lugares ao mesmo tempo em uma queda só. — Retruquei. Ele riu ainda mais. Nós dois apoiamos as cervejas na pequena mesa de centro. — Então foram duas quedas... — Enquanto ele falava, os lábios dele se aproximavam dos meus. O magnetismo que existia entre nós era irresistível. Eu apenas me permiti aproveitar o momento sem pensar em mais nada. Quando ele me beijou, parecia que eu estava em outro plano. Não demorou muito até eu sentir as mãos dele me puxando para que eu sentasse no seu colo, com uma perna pra cada lado de seu corpo. As mãos dele passeavam sem pudor por cada pedacinho de mim. O beijo era lento e intenso, o que me permitia aproveitar cada segundo dele. Minhas mãos sentiam aquele peitoral firme, e todas as dúvidas e pensamentos sobre ele desapareceram. Eu só queria me entregar ao momento e aproveitar até onde desse, até onde ele quisesse. Pouco me importava se eu morreria afogada depois. — Você é linda... — Eu ouvi ele dizendo, em meio ao beijo. Ele ergueu os braços, como se pedisse para que eu tirasse a camiseta dele. Eu o fiz. Nós olhamos um nos olhos do outro. — Não pensa em nada, Andy... Só... Fica comigo. — Ele falou enquanto reaproximava os lábios dos meus. Meus olhos foram se fechando e novamente, nós compartilhamos um beijo. Dessa vez, um pouco mais intenso. Minhas mãos levemente geladas passeavam pelo peitoral descoberto dele, e logo eu também levantei os braços, indicando que ele podia tirar minha blusa se quisesse. Ele retirou devagar, deu uma boa olhada em mim e dirigiu os lábios para o meu pescoço. Conforme ele ia descendo os beijos, suas mãos avançavam em minhas costas, alcançando o fecho do sutiã. Quando ele já estava aberto, Blake desceu os lábios até chegar nos meus s***s. Ele parou apenas para retirar a peça e retornou os lábios ali. Apertei minhas mãos nos ombros dele, conforme ele tocava em locais mais sensíveis com os lábios. Ele agarrou minhas pernas com força e levantou o rosto, olhando para o meu. — Se segura, tá? — Eu apenas assenti. Ele levantou comigo no colo, me carregando até a cama. Após me colocar deitada na cama, ele mesmo se deitou por cima de mim. O beijo foi se tornando mais intenso, até que eu decidi tirar a calça. Ele fez o mesmo. Ao invés de voltar a posição que estávamos, eu decidi sentar em cima dele e tomar o controle da situação. Ele sorriu em satisfação. Passou as mãos por minha cintura e mais uma vez olhou meu corpo. Eu mordi o lábio inferior, apenas pra fazer uma graça. Ajeitei meu corpo sobre o dele antes de finalmente arrumar o m****o e permitir a entrada. Sentei vagarosamente e com cuidado. Nós entrelaçados nossos dedos das duas mãos, eu joguei minha cabeça pra trás e me permiti aproveitar o momento. Ele parecia curtir cara segundo. Comecei a me mexer vagarosamente, vez ou outra olhando naqueles olhos azuis. Um tempo depois, ele ergueu as costas, ficando sentado também. Compartilhamos um beijo completamente apaixonado enquanto eu continuava a rebolar. Blake me segurou com força, me virando na cama e assumindo o controle. Eu estava rendida. Ele se encaixou no meio das minhas pernas e começou a se empurrar vagarosamente pra dentro de mim, enquanto acariciava uma das minhas coxas. Quando ele se empurrou com mais força, senti minhas costas se arquearem sem que eu tivesse qualquer controle sobre isso. Os lábios dele já estavam em meu pescoço, e minhas mãos estavam perdidas pelo corpo dele. Pouco tempo depois, eu senti meu corpo reagir com força a toda aquela excitação, e depois de poucos segundos, ele também. Nós dois estávamos ofegantes demais para falar qualquer coisa. Ele saiu de dentro de mim vagarosamente e se deitou ao meu lado, oferecendo um braço para que eu me ajeitasse ao lado dele. Eu o abracei e permaneci em silêncio. Ele também. Enquanto ele fazia um carinho leve em meu cabelo, eu passava a mão suavemente sobre seu peito. Permanecemos assim por um longo tempo, até que quebrei o silêncio. — Eu vou morrer, Blake? — Falei, erguendo o rosto para olhar pra ele. Ele soltou uma risada abafada pelos lábios ainda fechados. — Eu garanti que não. Não se preocupe com isso. — Eu sorri. No momento, não sabia se acreditava em demônios, pactos ou qualquer outra coisa. Tudo que me importava era estar nos braços dele. Eu fechei os olhos e acabei adormecendo. Na manhã seguinte, acordei e ele já não estava na cama, então caminhei até o banheiro de Blake e tomei um banho. Quando saí, procurei minhas roupas mas não achei. Caminhei sem roupa mesmo procurando minhas roupas. Vi que ele estava sentado no balcão de alimentação da pequena cozinha e ele sorriu ao me ver sem roupa. Elas estavam dobradas, no colo dele. Caminhei até ele com confiança, e ele me olhou com um sorriso malicioso. Eu ajeitei o cabelo com as mãos e depois que coloquei as mãos nas roupas, as joguei no chão. O sorriso dele aumentou. Ele se levantou do banco onde estava sentado e caminhou até mim, dessa vez, suas mãos não eram tão gentis quanto no dia anterior. Ele me puxou com certa força contra o corpo dele e nós trocamos outro beijo. Dessa vez, cheio de malícia. Ele foi me fazendo caminhar pra trás, me encurralando contra a parede. Ele encerrou o beijo com alguns selinhos e arrastou os lábios molhados por meu queixo. Conforme os beijos foram descendo, minha respiração foi ficando mais pesada. Ele fez um caminho de beijos e foi se abaixando até estar parado em frente a minha i********e. Ele me olhava com desejo. — Tenta não fazer muito barulho... — Ele falou, antes de colocar os lábios ali embaixo. Ele puxou uma das minhas pernas, para que ficasse apoiada no ombro dele. Enquanto ele me beijava ali, eu comecei a gemer, contra minha vontade. Ele afastou levemente os lábios e disse, com a voz baixa. — Shhhh. Quietinha... — E retornou os lábios ali. Uma das minhas mãos seguravam com força o cabelo loiro, enquanto a outra, tampava minha própria boca. Quando ele viu a cena, sorriu contra minha i********e. — Boa menina... — Ele disse e voltou a agir. Ele introduziu dois dedos em mim e a mistura de movimentos me fez chegar ao ápice rapidamente. Quando ele percebeu, se levantou e olhando pra mim, passou a mão no canto dos lábios, com um sorriso sacana. Eu correspondi ao sorriso, e ele voltou em direção ao banco onde estava sentado. Olhei pro relógio e percebi que logo começaria a primeira aula. — Você vai me levar pra faculdade? — Perguntei, enquanto eu vestia as roupas. — Sim... Melhor você se arrumar logo, se não vamos nos atrasar. — Ele gentilmente pegou as roupas do chão e me entregou. Eu as vesti e fomos pra faculdade. Quando chegamos, ele se despediu de mim e cada um foi para seu prédio. Lana veio em minha direção com uma cara assustada, mas nada abalaria meu bom humor matinal causado por Blake. Ela colocou uma das mãos em meu ombro e me olhou nos olhos. — Andy, você ainda tá saindo com o Blake? — Eu apenas assenti. — Amiga, ele... — Antes que ela pudesse falar algo, a interrompi. — Amiga, eu tive a melhor noite da minha vida com um cara. Não quero saber de nada que vá estragar o meu momento. — Ela suspirou e permaneceu calada. — Então depois a gente conversa. — Depois de falar, ela pegou na minha mão e caminhamos juntas para a sala. O dia seguiu normalmente. Na hora do almoço, vi Blake de longe e ele deu uma piscadinha pra mim. Eu retribui e segui pra minha mesa, afinal, ele estava sentado com os amigos dele e não tinha mais lugar. Sentei com Lana em uma mesa qualquer e ela intercalava olhares entre a mesa de Blake e a minha. — Nós fizemos s**o ontem. — Falei, em meio a algumas garfadas de comida. — Foi bom? — Ela perguntou, enquanto também comia a própria comida. — Perfeito. — Ela deu os ombros ao me ouvir. — Eu acho que o Blake realmente tem um pacto com o d***o. — Ela disse. Eu nem me mexi. Fingi desinteresse e coloquei mais uma garfada na boca. Quando terminei de mastigar, falei ainda demonstrando uma certa indiferença. — Amiga, ele tem mesmo. E eu não dou a mínima. — Terminei a frase e ela balançou a cabeça negativamente. — Eu ligo! Não quero que você acabe morta! — Eu ri dela enquanto pegava a salada. — Se eu morrer, a culpa é minha. Acredite. Quando terminamos de almoçar, me despedi de Lana e fui pro laboratório. Precisei consertar algumas coisas que deram errado, então o trabalho demorou mais do que o normal. Já na saída do trabalho, vi uma garota de cabelo azul se aproximando da porta do laboratório e quando ela me viu, acenou pra mim. Eu demorei pra reconhecer, mas lembrei que era a amiga de Blake, que parecia bastante mau humorada naquele dia e hoje não era diferente. Ela se aproximou de mim, com um moletom vermelho em mãos. — Andy, né? — Ela sorriu de forma levemente irônica e eu assenti com a cabeça. Ela arremessou o moletom na minha direção e eu quase não consegui pegar antes de acertar a minha cara. — Fala pro canalha do seu namorado que no dia que ele apanhou, ele esqueceu essa m***a na minha casa." Ela disse. Eu permaneci com os olhos arregalados. — Eu não sou veterinária pra cuidar de cachorro que apanha na rua, beleza?" Ela terminou e saiu andando, mas não antes de eu correr e segurar ela pelo braço. — Espera! — Eu falei. Ela soltou o braço com raiva mas virou de frente pra mim, me olhando. Joguei a blusa propositalmente direto na cara dela, que arregalou os olhos e deixou a blusa cair no chão. Uma coisa que minha mãe me ensinou, desde sempre, é que as pessoas só te tratam m*l se você permitir. — Eu tenho cara de entregador de Sedex ou pombo correio, sua maluca? — Ela ficou levemente boquiaberta. Respirou fundo e engoliu seco, antes de finalmente me responder. — O Blake usa as pessoas. Você vai ver. — Ela se virou e saiu andando. — Parece que ele não te usou do jeito que você queria, né? — Eu gritei pra que ela pudesse ouvir. Recolhi a blusa de Blake do chão e coloquei na mochila, enquanto alcançava o celular. Quando cheguei em casa, liguei por vídeo para Blake. Ele atendeu em poucos segundos, com um belo sorriso. Confesso que eu estava espumando. Antes de dizer qualquer coisa, levantei o moletom e mostrei pra ele. — Onde você arranjou isso? — Ele perguntou. — Você esqueceu na casa de uma das suas amiguinhas e ela veio literalmente arremessar na minha cara, na frente do prédio do laboratório. — Respondi, séria. Ele respirou fundo. — A Sarah é nervosa demais. Esquece isso. — Eu balancei a cabeça negativamente ao ouvir. — Ela que você procura quando apanha na rua? Porque foi exatamente isso que ela disse. E ainda me tratou como se eu fosse um pombo correio. Eu não aguento esse tipo de desaforo não, Blake. — Falei. — Andy, eu estava perto da casa dela quando tudo aconteceu. Eu fui lavar o rosto e me recompor antes de encontrar você. Ela ficou chateada porque queria ficar comigo e eu não quis. — Ele terminou de falar e eu balancei a cabeça. — O que você fez? Você deixou ela falar um monte de bobagem pra você e não fez nada? — Eu ouvi e passei as mãos pelo meu próprio rosto. — Eu joguei o moletom na cara dela e falei que não era Sedex pra te entregar. — Blake riu. — Gostei. — Ele disse. Eu desfiz a cara de brava gradualmente e sorri. — Acho que você me deve algo por ter me feito passar por esse estresse. — Quando me ouviu, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. — Vou te recompensar. Prometo. Desligamos. Eu peguei o moletom e levei até o rosto. Ainda tinha o cheiro dele, o que me fez sorrir... Mas, ao apertar o moletom contra meu rosto, senti algo ser amassado no bolso e coloquei a mão para pegar. Era um papel com um endereço. Tudo que eu conseguia me perguntar era que m***a era aquela.
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