Refazendo o acordo

2960 Words
Blake estava cansado de não fazer nada em relação ao acordo que havia feito. Primeiro porque ele não entendia os termos, segundo porque ele já estava de saco cheio desse mundo paranormal i****a. Depois de lavar o rosto e tomar um copo gigante de café, ele resolveu que falaria com Hannah custe o que custar. Já faziam dois anos que eles não trocavam uma palavra sequer. E ele já havia ligado, mandado mensagem em todas as redes sociais e ela simplesmente havia desaparecido. Lembrando-se de uma festa que havia acontecido na casa da garota uns anos atrás, ele decidiu procurar o endereço, passando rua por rua com sua moto, até que chegou em uma casa que aparentemente era a casa de Hannah. Depois de tocar a campainha, uma mulher na casa dos sessenta anos apareceu. Disse que Hannah estava no quarto e que ele podia subir. Quando ele abriu a porta do quarto, Hannah estava lendo um livro deitada na cama. Ela olhou pra ele e deu um pulo, sentando-se na cama rapidamente. — O que você tá fazendo aqui? — Ela questionou. Blake se aproximou dela e ela recuou na própria cama, demonstrando até um pouco de medo. — Você me ferrou, Hannah. E eu quero respostas. — Ela girou os olhos como se estivesse de saco cheio da conversa que m*l havia começado. — Você tá jogando, pelo que eu tô sabendo. — Ela falou com deboche. — Se você soubesse manter o p***o dentro das calças, estaria tudo ótimo. — Ela falou e gesticulou apontando para a calça de Blake. Ele sentou ao lado dela, indignado de certa forma. — Eu achei que você fosse minha amiga. Eu preciso me livrar dessa m***a de acordo, Hannah. — Blake disse e suspirou fundo. Hannah apenas riu. — Fiz meu acordo com 13 anos, Blake. E o Rave me pediu uma coisa muito i****a, por seis meses. Eu consegui me livrar só no dia que você foi lá. — Ela suspirou. — Não é assim, cara. — Então você me ferrou pra se salvar? É isso? — Ela assentiu com a cabeça ao ouvir Blake falando. — Meu acordo era bem mais difícil que o seu, seu i*****l. — Ela falou com um certo ódio no olhar. Era óbvio que a conversa já estava começando a irritar Hannah. Ela ajeitou os cabelos loiros em um pequeno coque no topo da cabeça e continuou. — Olha, o Rave não gosta que a gente divulgue ou troque informações. Mas ele me ofereceu um novo acordo, quando eu disse que não aguentava mais. Mas não se engane, ele é um canalha. Ele nunca vai fazer algo que te ajude realmente. Você só troca de sofrimento. Entendeu? — Ela perguntou, olhando bem pra ele. — Eu nem queria ter feito esse acordo, Hannah! Eu achava que era uma piada até a terceira garota morrer! — Blake diz quase que exaltado. Hannah faz sinal para que ele abaixe a voz. — Hannah, é sério. Me dá o endereço do Rave, eu preciso acabar com isso. Prefiro ter meu ombro r**m de volta. — Você nunca mais vai ter o ombro r**m, Blake. As coisas não funcionam assim pro Rave. — Ela levantou da cama e caminhou até a janela do quarto. — Eu tenho pesadelos até hoje por causa das coisas que eu fiz pra me livrar dessa m***a de acordo. O que eu recomendo é que você guarde seu p***o dentro das calças e siga sua vida. Tem crente que faz isso por escolha, por que você não pode fazer? — Ela disse, em um tom quase de deboche. — Se bem que o Rave escolhe coisas bem impossíveis... — Eu só não quero ter esse fardo de m***r uma garota cada vez que eu faço s**o. — Hannah ri. — Olha, eu não posso te ajudar. E outra, o Rave só aparece quando quer. É meio difícil prever quando ele vai aparecer de novo. — Hannah fala em um tom quase de deboche. O garoto coloca as duas mãos no rosto e balança a cabeça negativamente. — O que você teve que fazer pra se livrar disso? Quer dizer, você fez isso por escolha própria, não fez? — Ao terminar de falar, ele tira as mãos do rosto e olha pro rosto dela. Hannah senta novamente na cama, e olha pra Blake. — Tive que cobrar favores de pessoas que deviam para o Rave. Algumas cobranças me fizeram vomitar. É tudo que eu posso dizer... — Ela disse e abaixou o rosto. — Valeu a pena? — A garota olhou nos olhos azuis de Blake e ele percebeu tristeza nos olhos dela. — Eu simplesmente troquei de fantasma. Uma coisa me assombrava muito, e eu queria que acabasse. Realmente, acabou. Mas agora eu tenho outros fantasmas... — Ela abaixou o olhar, como se tentasse esconder o rosto. — Nada vai apagar da minha cabeça as coisas que eu vivi, nem as coisas que eu fiz. — Que d***a, Hannah... Onde foi que você me meteu? — Ela respirou fundo. Levantou e foi até uma gaveta, pegou um caderno e uma caneta e anotou alguma coisa nele. Ela rasgou o papel e entregou a Blake. Era um endereço. — O nome dele é Mattia. O Rave aparece através dele. Pelo que eu sei, o Mattia fez um pacto com o Rave há muitos anos e o Rave usa ele quando precisa. Talvez se você for lá e tiver sorte... O Rave apareça. — Ela disse. Depois disso, ela foi até a janela e seus olhos se arregalaram. Do outro lado da rua, uma pessoa parada, olhando diretamente pra ela, com um olhar perdido. Ela sabia que alguém estava olhando através daquela pessoa, e vigiando o que ela estava fazendo. — Vai embora, Blake. Tem gente nos vigiando. — Ela disse e pegou a mão dele, o guiando pra fora do quarto. O loiro saiu da casa de Hannah e foi direto em direção a sua moto, analisando o endereço pelo GPS, tentando decorar o caminho. Não era muito difícil, por isso, ele montou na moto e seguiu pela estrada. Ele sentia um misto de ansiedade e tristeza. Quarenta minutos depois, ele chegou ao lugar indicado no endereço e viu uma casa bastante arrumada. Mattia cuidava das plantas da casa, e parecia muito mais indefeso do que quando ele o viu há dois anos atrás. Blake se aproximou dele e o rapaz de meia idade o atendeu com um grande sorriso. — Posso ajudá-lo, rapaz? – Ele disse. — Você veio buscar alguma hortaliça? — Blake analisou o terreno e viu que, na parte de trás, havia uma grande horta. Ele balançou a cabeça negativamente e buscou palavras para abordar o assunto. — Na verdade, eu estou procurando o Rave. — Mattia suspirou fundo, levantou e deixou de ajeitar as plantas que ajeitava na entrada. Ele tirou as luvas de jardinagem e seu rosto que antes era sorridente e receptivo, tornou-se triste. — Olha, eu sou o Mattia. O Rave me usa pra se comunicar com as pessoas. Mas ele aparece quando quer. E faz muito tempo que ele não aparece. — Ele suspirou. — Talvez eu possa te ajudar... Vamos entrar. — Ele fez um gesto com a mão, enquanto caminhava até a porta da casa. Blake o seguiu e os dois foram até a cozinha, sentando-se na mesa. Mattia serviu café para ele, que aceitou e tomou um gole. — Eu não quero mais meu acordo. — Blake disse e abaixou a cabeça. — Eu não queria desde o começo. — Mattia suspirou, se ajeitando na cadeira. — Você queria, sim. Você é o garoto do ombro. E você está desfrutando do acordo até hoje... E pelo que eu sei, já quebrou três vezes. O Rave não te avisou, mas na quinta vez, quem morre é você. — Blake arregalou os olhos e repetiu. — Eu não quero mais meu acordo. — Dessa vez, a voz dele era firme. Mattia apenas riu. — Blake, o Rave tem planos pra você. — De repente, na frente de Blake, os olhos de Mattia começaram a ficar perdidos. Vagarosamente, os olhos castanhos se transformaram em olhos completamente brancos. A postura de Mattia mudou. Blake percebeu assim que o outro cruzou as pernas, que agora, quem falava era Rave. — Mandei bem colocando aquela garota no seu caminho, não foi? — Ele soltou uma gargalhada. Blake revirou os olhos, sentindo seu estômago doer. — Mais uma vez, eu quero terminar meu acordo. Me fala o que eu preciso fazer, e eu faço. — Ele tentou parecer firme, mas seus joelhos pareciam gelatina. Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha. — Não podemos fazer isso. Mas eu posso te ajudar, se você me ajudar. — Blake suspirou pesado ao ouvir o que o outro estava dizendo. — Me diga o que você quer de mim. — Ao ouvir isso, Rave se levantou da cadeira e começou a andar pela cozinha. — Vamos começar com... A cobrança de alguns favores. Você é um rapaz grande e forte. Diferente da sua amiga, você vai servir para os serviços mais pesados. — Ele riu. — Por exemplo... Foi ela que cortou o freio do carro que atropelou a sua amiga, sabia?!" O rosto parecia alegre ao tocar nesse assunto. — Mas não se preocupe. Nenhuma das três morreu por sua causa. Não totalmente. — Blake tentou manter a compostura, mas sentiu um aperto no peito que fez seus olhos marejarem. — Ah, vamos lá, garoto. Não precisa ficar sensível! O pai da garota atropelada tinha um pacto também. Você só acelerou as coisas. — A risada maléfica atravessou os ouvidos de Blake e atingiram o cérebro dele como uma bala. — E as outras? — Rave suspirou. — A nadadora... Bom. Prestei um favor pra ela mesma. E ela simplesmente esqueceu. Quando você apareceu na vida dela, eu decidi que era hora de cobrar o que ela me devia. — Blake escondeu o rosto com as duas mãos. Ouvir tudo aquilo lhe trazia uma mistura de alívio e tristeza. Ele havia passado tantas noites chorando e sentindo a culpa. Saber que a culpa não era totalmente dele, gerava um certo alívio. Mas esse alívio foi embora quando Rave continuou falando. — Agora, a garota que bateu o carro... — A gargalhada dele era bizarra. — Você acredita que ela era... Crente? De ir pra igreja rezar e tudo. — Blake mantinha os olhos fixos em Rave. — O nome dela era Mia. Pelo visto, você acabou com ela por prazer... — O rosto de Blake estava completamente desconsolado, agora. — O nome dela era Mia? Ah, que pena. Esse eu fiz pessoalmente. Foi um presentinho pro pastor que é pai dela e pra você. Esse pastor... Ele é um grande mentiroso. Eu avisei ele. Quando ela cedeu ao seu charme, juntei o útil ao agradável. — Ao ouvir a sentença, lágrimas começam a escorrer pelos olhos azuis de Blake. — Qual é, Blake, achei que você fosse mais... Forte. — Rave diz, dando um tapinha no ombro que antes era machucado e, até hoje, estava em perfeito estado. Rave estava parado atrás dele, que ainda continuava sentado na cadeira. — Como eu faço isso parar, Rave? — Ele disse. As duas mãos de Rave se apoiaram nos ombros do rapaz e ele abaixou o rosto até o ouvido dele. — Você não pode. Mas... — Ele se levantou, voltando a andar e sentando novamente na cadeira em frente a Blake. — Você me ajuda, e eu te ajudo. Como eu disse. Uma troca de favores. Vai lá, transa com sua querida Andy. — Rave colocou em cima da mesa o papel que antes estava no bolso de Blake, com o endereço de Mattia, onde os dois estavam. Rave passou a mão no papel e as letras se embaralharam, formando um novo endereço. — Você vai encontrar um cara chamado John. Eu preciso que ele apanhe bastante. Não se preocupa, ele não vai te reconhecer. Eu vou com você, não pessoalmente, mas estarei por perto. Ele fez um acordo comigo para não ser pego por um crime que cometeu. — Blake balançou a cabeça negativamente. — Eu não vou bater no cara! — Ao ouvir isso, o rosto de Rave ficou mais sério. — Ele é um cretino. Espancou a própria mãe até a morte. Ela era... Uma boa amiga minha. — Os olhos incrédulos de Blake observavam Rave. — E mesmo assim você fez um acordo com ele. Que excelente amigo você é! — Blake aplaudiu de forma irônica. Rave apenas riu. — Ele vai viver o resto da vida pagando as penitências de não conseguir cumprir o acordo que fizemos. Está sendo divertido. Vamos lá, Blake... Use sua força pra algo realmente útil. É só isso. — Blake ponderou. Pensou no absurdo que era bater em alguém, mas também pensou sobre o absurdo de um filho espancar a própria mãe até a morte. — O que eu ganho com isso? — Blake perguntou, ainda ponderando sobre a proposta. — Talvez, se você fizer o que te pedi... Sabe, eu esqueça de te olhar durante um dia inteiro. E aí você pode se divertir com a sua garota. — Ele piscou para Blake, que respirou fundo. — Quanto tempo eu tenho pra decidir? — Nenhum. É pegar ou largar. — Rave estendeu a mão para Blake. — Eu não sei se consigo, Rave! — Ele disse e Rave revirou os olhos. — Começa pelo seguinte! Vai pra casa, transa com sua garota e se você achar que vale a pena... — Ele ri de forma maliciosa. — Ela ainda seria sua quarta garota. Você não precisa fazer o que eu te pedi. — E aí ela morre, se eu não curtir o s**o. — Blake diz com um olhar irônico. — Você está entendendo meu ponto! Exatamente isso. — Rave sorri. Blake se levanta da cadeira, inconformado. — Olha só, eu não vou brincar com a vida de alguém desse jeito. Você é um maluco. Eu devia chamar a polícia. — Rave solta uma gargalhada. — E você vai dizer o que? Que um vendedor de hortaliças te amaldiçoou e agora toda a garota que você passa o p***o morre? — Ele continua rindo, limpando uma lágrima que escorre por sua bochecha. — Quem é o maluco agora, Blake? Blake respira fundo e sai da casa de Mattia, e quando chega ao jardim, dá uma bicuda em algumas plantas que ele estava arrumando antes de se falarem. Ele sobe na moto, completamente frustrado. A única coisa que passa por sua cabeça é onde foi que ele se meteu e se valia a pena pagar a penitência ou alterar o acordo. Antes dele ligar a moto, Mattia sai pela porta, ainda transfigurado, o que significa que era Rave que comandava o corpo. — Você quebrou o acordo três vezes. Você me deve mais cinco anos por cada uma das vezes que quebrou o acordo. — Rave ria. Blake desceu da moto, arrancou o capacete e arremessou na cabeça de Mattia, o acertando em cheio. Ele correu em direção dele e o atacou com um soco. Depois de montar em cima de Mattia e desferir alguns socos, ele começa a gritar. — Blake! Por favor! Sou eu, o Mattia! — Ao ouvir a súplica, ele olha para os olhos agora castanhos de Mattia e percebe que Rave se foi. O homem magro se encolhia de dor e cobria o rosto, tentando se proteger. — Você é outro i*****l! — Blake bufou e saiu de cima do rapaz. Pegou o capacete no chão e o colocou, montando novamente na moto e arrancando com a maior velocidade possível. Alguns dias se passaram, e Blake continuava em silêncio. Na faculdade, ele andava cabisbaixo, evitando tudo e a todos. Era como se ele estivesse se proibindo de viver para não precisar pensar em acordos, s**o ou qualquer coisa que envolvesse algo que fizesse parte de toda essa confusão. Quando chegou a hora do almoço, ele não foi para o refeitório. Saiu da faculdade e foi em direção a uma lanchonete qualquer, comprando um lanche apenas para não ficar com fome. Quando pegou sua carteira e a abriu, lá estava o papel com o endereço que Rave havia dado a ele. Por curiosidade, Blake decidiu usar o intervalo para olhar o endereço. Ele mentiu pra si mesmo, dizendo que era apenas curiosidade. Quando ele chegou no endereço indicado, parou a moto e começou a observar a casa do outro lado da rua. Um homem alto e sem camisa, com uma tatuagem grande de Jesus na barriga e um colar de ouro saiu da casa, com um saco de lixo. Blake se escondeu atrás de uma árvore, enquanto o sujeito m*l encarado abria a lata de lixo. Ao invés de colocar o lixo diretamente ali, ele abriu a lata, tirou um pacote e só depois deixou o lixo. Ele olhou para os dois lados antes de sair dali e entrar em casa. Por sorte, não viu Blake. Depois de perceber que o homem não estava mais olhando, Blake se aproximou da lata de lixo e abriu o saco para ver o que tinha dentro. Em meio ao lixo, um bloco bem embalado em fita, que ele fez questão de abrir. Ele fez um furo com o próprio canivete. Um ** branco saiu de dentro da embalagem, e Blake a soltou, guardou de volta no saco e fechou a lata de lixo. — O filho da p**a ainda é traficante. Que m***a. — Ele falou para si mesmo em voz baixa. Depois, montou na própria moto e foi embora.
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