Alex
Olho irritado para Nicolas, a pessoa que até o momento eu jurava que era meu melhor amigo, enquanto ele luta para segurar o riso.
— Você pode pelo menos fingir que não sente um prazer doentio com a minha situação atual? — resmungo, enquanto seguro o saco de gelo no meu nariz.
— Desculpe-me, Alex, mas me parece extremamente mentirosa toda essa m***a de situação que você acabou de me narrar. — ele fala, entre risos.
— Não parece mentirosa para mim, a pessoa que levou a porcaria de um soco no nariz. Tem certeza que ele não está quebrado?
Nicolas ri alta.
— Não, não está quebrado, Alex. Ela não usou força suficiente para isso mas ainda vai te dar uma dor insuportável.
Fecho os olhos com força e Nicolas ri ainda mais alta, me fazendo sentir uma dor de cabeça.
— Talvez eu precise ver outro médico, um que leve a minha situação a sério.
— Não seja exagerado, Alex. Eu sou extremamente capaz de avaliar e medicar a sua situação. A diversão que eu estou sentindo é como um bônus, por você ter me tirado da cama a essa hora da noite e me feito atravessar metade da cidade.
Ele está certo.
Eu não gosto de ser tocado, nem mesmo por médicos, por isso fiz Nicolas, meu amigo mais antigo e médico confiado, levantar, mesmo tendo acabado de sair de um plantão, e vima até o hotel avaliar o estrago que a maldita louca me deixou.
Sabia que tinha algo errado com ela no momento em que a vi parada em meio do corredor naquelas roupas minúsculas, ela emanava loucura e eu sou, com toda certeza, que ela era meio maníaca. No momento em que a vi sair e entrar feliz da vida no quarto de hotel com um homem muito mais velho e casado confirmei instantaneamente que ela era uma p********a. Odeio essa linha de emprego, sei os problemas que mulheres como essas podem causar, eu já assistir isso da primeira fileira.
Mas, nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que a encontraria remexendo as minhas coisas no meu quarto. Não acreditei em uma palavra que saiu da boca dela enquanto ela se explicava sobre como foi parar no meu quarto. Mentirosa estava escrita em toda a testa dela, mas nunca imaginei que ela seria maluca ao ponto de me atacar fisicamente.
Olho para Nicolas, retirando o saco de gelo do meu nariz apenas para ver que ele está começando a ficar roxo, além de ter praticamente dobrado de tamanho.
— Sabe, Alex, não sei se você se lembra mas isso não é comum de acontecer quando um homem e uma mulher se encontram em um quarto de hotel.
Rolo os olhos com sua tentativa de fazer piada com o fato de eu não ser conhecido por ser um homem namorador. Estou focado em construir meu império, em manter minha família unida e assistida, relacionamentos não estão em meu panorama. Mulheres mais atrapalham do que ajudam a homens com benefícios como os meus.
— Tudo que me importa agora é descobrir quem é essa mulher e coloca-la atrás das grades por violência, roubo e o que mais eu conseguir.
— Mas você foi o único que furtou algo aqui, Alex. — Nicolas fala, levantando o pequeno pedaço de pano que a mulher chama de vestido e que acabou ficando em cima da cama, descartado por ela em sua fuga.
— Por favor, você pode levar isso a sério? — reclamo.
— Ah, mas isso é, sem sombra de dúvidas, a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos.
— E você ainda diz que sou eu que não vivo. — resmungo.
— Você, meu amigo, consegue ser ainda mais recluso que eu. — Nicolas suspira — Você tentou falar com o homem que ela estava sobre a identidade da mulher?
— No momento em que consegui me mover e sair do quarto para tentar alcança-la ele estava sendo retirado de seu quarto. Aparentemente ela fugiu enquanto ele estava no banheiro e o deixou trancado no quarto.
Nicolas ri tanto que é obrigado a levar as mãos a barriga.
— Oh meu Deus, essa história fica cada vez pior. Ele a conhecia?
— Não, ele viu a mulher no bar do hotel e ela pediu para ele leva-la a um quarto.
Nicolas bufa.
— E ele realmente acreditou que uma mulher bonita estaria com ele sem um interesse escondido?
Ergo uma sobrancelha.
— E quem disse a você que ela é bonita?
— Você, meu amigo. É preciso uma mulher bonita para abalar seu mundo assim.
Faço uma careta, o que é uma péssima ideia, porque meu nariz é repuxado e eu sinto uma dor alucinante.
— Em primeiro lugar ela não abalou o meu mundo, ela apenas me deixou irritado para caramba e isso não se deu por causa da sua aparência física, e sim porque ela é uma mulher completamente louca.
Nicolas solta um risinho.
— Quero conhecê-la. — ele fala.
— Pra que?
Ele dá de ombros.
— As loucas são as melhores, meu amigo.
Há uma batida na porta e o gerente do hotel, completamente nervoso, aparece.
— Nós lamentamos a experiência que o senhor passou em sua estadia em nosso hotel, senhor Holland.
Ergo um braço, para cala-lo.
— Não quero ouvir suas desculpas novamente. Quero as imagens dessa meliante que me atacou. — Nicolas deixa escapar um bufo e eu lanço um olhar f**o para ele.
O gerente fica ainda mais nervoso, mexendo sem parar em sua gravata.
— Sobre isso, senhor, não sei o que aconteceu mas as câmeras não pegaram nada, elas não estavam funcionando essa noite.
Vejo vermelho.
— Estou chocado com a capacidade de vocês de serem incompetentes. Sai daqui, antes que eu me irrite e peça sua cabeça aos donos do hotel.
O gerente murmura mais um monte de desculpas enquanto se apressa para sair.
Respiro fundo.
— Pegue o meu bloco de notas. — digo a Nicolas.
— Você vai desenha-la?
Olha para ele, julgando sua pergunta estupida.
Ele se cala e pega o meu bloco de desenhos.
Puxo as imagens que tenho da maluca em meus pensamentos e começo a deposita-la no papel. Seus olhos chocolates brilhantes, seu rosto em formato de coração, seu cabelo cacheado e sua boca cheia, que certamente levaram muitos homens a perdição ao longo dos anos...
Com esse pensamento quebro o lápis em minhas mãos, mas Nicolas corre para substituí-lo, sem falar nada. Ele sabe que não deve me incomodar quando estou criando. Desenhar é algo que eu faço desde a infância, uma tentativa minha de escapar de todos os problemas com os quais eu cresci.
Depois de alguns minuto termino o desenho e fico satisfeito comigo mesmo ao ver que é uma cópia exata da mulher que me atacou.
— Oh, m***a. — Nicolas fala atrás de mim ao olhar para o desenho em minhas mãos.
Dou a Nicolas um olhar questionador. Sou obrigado a confirmar que a mulher é bonita, mas, ainda assim a reação dele foi exagerada.
— Não me surpreende a surra que você levou, na verdade estou até surpreso por você não ter apanhado mais. Eu conheço essa mulher.
— Desde quando você ficou desesperado o suficiente para sair com prostitutas?
— Ela não é uma p********a, Alex. Essa é Cristina Maddox ela é especialista em tae-kwon-do e trabalha como detetive particular. Ela ajuda mulheres traídas a conseguirem provas de seu marido traidor para usar no tribunal. O senador? Provavelmente uma vítima. Mas isso não explica o que ela queria de você. A menos que você tenha uma esposa secreta por aí. — ele fala.
— Não seja ridículo, Nicolas. Tem certeza que é ela? — pergunto.
— Claro que sim. Quantas mulheres com rostos como esse você acha que existem no mundo.
Ele tem um ponto.
— Como você a conheceu? — pergunto.
Nicolas suspira.
— Você não vai gostar disso. — ele afirma.
— Eu já não gosto disso agora, como está.
— Eu a conheci quando ela namorava com William.
Fecho meus punhos.
William, o maldito com quem a minha irmã escolheu se casar. Uma m***a interesseira que foi a universidade de medicina com Nicolas mas não conseguiu se formar e agora vive como um encostado, as custas da parte da herança de minha irmã.
— Você tem razão, eu gosto disso menos ainda. — digo — Você sabe como encontrá-la?
— Depende. O que você quer com ela?
Olho para o meu amigo i****a.
— Você realmente está tentando protegê-la de mim? Depois que ela quebrou a minha cara
— E não esqueça de suas bolas. Ela também esmagou suas bolas.
Rosno.
— Ela é uma garota legal, Alex.
— Eu quero apenas falar com ela.
Nicolas analisa meu rosto, buscando pistas, mas eu dominei a arte de não demonstrar emoções.
— Ok, Alex, mandarei o contato da agência na qual ela trabalha, mas pegue leve com ela.
Como se ela tivesse pegado leve comigo.
Meu celular começa a tocar loucamente e eu atendo, estranhando o motivo da minha assistente estar me ligando a uma hora dessas.
— Morgan?
— Graças a Deus consegui falar com você, senhor Holland. Temos uma questão pública para resolver.
Mais essa agora.
— Qual o problema?
Morgan fica em silêncio e eu fico ainda mais irritado.
— Fale logo, Morgan.
— Bem, senhor, há fotos suas com uma mulher espalhadas por toda a internet e... bem, nenhum de vocês dois estão vestidos nela.
Congelo, desligando o celular na cara de Morgan e pesquisando meu próprio nome no google e, certamente, lá está várias fotos minhas de toalha com uma mulher apenas de roupa intima. Entretanto, enquanto sua identidade está protegida, estando só o seu corpo a mostra, o meu rosto enquanto eu visto apenas uma toalha está mais cristalino do que a agua.
Tanto trabalho para não ter meu nome espalhado em escândalos.
— Nossa, Cristy conseguiu um corpo ainda mais matador do que ela já tinha antes. — Nicolas fala, olhando a foto no meu celular. — Pelo lado bom, Alex, vocês estão extremamente quentes nessa fotografia.
Aperto o celular em minhas mãos.
Eu vou acabar com a vida dessa maldita.
E depois irei repensar minha escolha de melhor amigo.