Cristina
Ok, talvez eu seja um pouco exagerada.
Alex não está realmente nu, visto que há uma toalha cobrindo a parte mais preciosa do seu corpo, mas, sejamos sinceros, uma toalha é a mesma coisa que nada aqui.
E deixe-me dizer mais uma coisa: se Alex vestido já é um exímio exemplo de perfeição da espécie masculina, Alex nu (ou quase nu) é um espetáculo digno do museu mais famoso do mundo. Sério, não é exagero. Ele tem aquele tipo de corpo que um artista precisaria dedicar a vida inteira em estudos profundos para conseguir replicar e ainda assim não seria suficiente.
Olho para ele cuidadosamente de cima a baixo, por que, mesmo o odiando, sou uma mulher admiradora da beleza e essa aqui é uma beleza que ninguém pode ignorar.
Ele é bonito e está bem claro o quanto ele cuida de si mesmo e de seu corpo, já que seu físico é digno de inveja. Ele está bem lá, com seus gominhos e um abdominal que eu sinto que poderia me assassinar, mas ele não é exagerado, é apenas... perfeito, não sei.
Há algumas tatuagens em seu braço tonificado o que me surpreende, porque ele não parece do tipo que teria uma tatuagem quanto mais várias, visto a sua cara de bom moço.
— Vou chamar a segurança. — ele fala, dando um passo para o lado, provavelmente em direção onde deixou o seu celular.
Ok, talvez seja hora de parar de babar e lembrar onde e com quem eu estou, principalmente se eu quiser sair dessa situação sem o envolvimento da polícia.
— Não, espera. — falo, andando até ele e segurando seu braço.
Sou pega no transe novamente mas ele logo o corta, quando tira minhas mãos bruscamente dele.
— Você não me toca. De jeito nenhum. — ele fala, sua voz soando rude.
Rolo meus olhos e todo o encanto que eu estava sentindo some, me deixando bem claro com quem eu estou lidando aqui.
— Desculpe. — digo, suavizando a minha voz para cair no papel de boa moça e conseguir sair dessa situação — Eu só queria pará-lo antes que chamasse a segurança.
Alex cruza os braços e meus olhos vagam para sua toalha.
E se essa coisa cair aqui?
Balanço a cabeça para espantar o pensamento.
— E por que eu não deveria chamar a segurança, você invadiu o meu quarto e estava mexendo nas coisa. — ele ralha.
— Eu não invadi. — me defendo.
— Ah, é mesmo?
— Sim, eu acho que me confundi achando que era o meu quarto. — minto.
Alex ergue apenas uma sobrancelha.
— E como você passou pela porta trancada?
— Não estava trancada. — digo.
— Eu sei que tranquei a porta.
— Estava aberta, eu juro. — minto.
— E o que você estava fazendo fora do quarto?
— Fui atrás do champanhe. Você ouviu me companheiro dizendo que não encontrou o que queríamos.
Me dou um tapinha interno pela velocidade dos meus pensamentos, mas a sensação não dura muito tempo, visto que logo Alex começa a andar ameaçadoramente em minha direção.
— Sim, seu companheiro, também conhecido como senador Clermont, um cara a quem eu compareci ao casamento alguns anos atrás.
Dou de ombros.
— Ele me disse que era solteiro. E eu não estou julgando, logo não há porque você julgar também.
Seu olhar brilha em fúria.
— E onde está?
— O que? — pergunto, odiando o tom quase sussurrante da minha voz.
— O champanhe.
— Eles estão tentando conseguir em alguns comércios da região. Será trazido ao quarto se eles encontrarem. — me desvencilho dele — Olha, eu já disse que tudo não passou de um m*l entendido, não há porque eu ficar me explicando e contando minha vida para você.
Me dirijo até a porta mas antes que eu possa sair ele está lá, em frente a ela me impedindo a sair.
— Como vou saber que você não roubou nada? — ele fala.
É a minha vez de cruzar os braços.
— O que eu roubaria?
— Não sei, ladras tendem a ser extremamente criativas.
— Não sou uma ladra.
Alex fica em silêncio.
— Quer saber, me reviste — falo, abrindo o roupão e ficando em sua frente apenas de lingerie. — Não há muito espaço para esconder nada aqui, a não ser que você queira que eu retire todo o resto para provar que não coloquei nada em meu sutiã.
O olhar de Alex fica travado em meu rosto e eu fico surpresa com seu comportamento. Nenhum homem, até o dia de hoje, conseguiu resistir ao meu corpo. Mesmo Jackson, que é casado com uma mulher incrível, acaba olhando quando eu me ponho em uma roupa muito reveladora.
— Sua bolsa. — ele fala, apontando com o queixo para a minha cama.
— Quer saber? — digo, irritada, fechando novamente o meu roupão — Vá ao inferno.
Sua mandíbula fica ainda mais tensa.
— Se você não é capaz de manter uma conversa civilizada não continuarei a ouvir você, deixando-a para lidar com os seguranças.
— Não me ameace. — falo, entre dentes.
— Não se engane, garota, sou eu quem tem a vantagem aqui.
Moo os meus dentes e vou até a bolsa, esvaziando o material na cama.
Alex tira os olhos de mim por tempo suficiente para olhar para o material da minha cama. Sei pelo seu olhar que ele está surpreso com a quantidade de matérias estranhos, como clipes, spray de pimenta e sonífero, que se encontram em minha bolsa e eu sabia que no momento em que mostrasse isso o alerta vermelho seria ligado, mas decido eu tenho uma estratégia e sua surpresa era fundamental para que desse certo.
Mal contenho o sorriso quando aproveito o momento da sua incerteza para me aproximar de Alex e chutar as suas bolas. No momento em que ele está mais ou menos incapacitado eu soco o seu nariz, aproveitando o momento de caos para pegar meu celular e sair apressadamente pela porta do quarto que eu graças a Deus deixei aberta.
O restante das minhas coisas ficaram para trás mas eu posso conseguir outras para colocar no lugar, isso agora é o de menos, eu preciso é sair daqui o quanto antes, porque não só minha situação com Alex me causará muito problemas se eu puder ser encontrada como há funcionários no quarto ao lado, prontos para libertarem Ian, o que me causaria outro problema enorme.
Não vou pelo elevador, utilizando as escadas para minha fuga, não querendo correr riscos desnecessários. Eu conheço esse hotel muito bem, utilizo ele para a maior parte dos meus negócios e conheço muitos dos funcionários que trabalham aqui, motivo pelo qual eles nem mesmo estranham o fato de que estou vestida apenas com um roupão e saindo pela saída de serviço da cozinha.
Quando estou finalmente em segurança, fora do prédio do hotel, caminho rapidamente até o espaço onde larguei o meu carro, saindo rapidamente deste lugar visando retornar para a segurança da minha casa.
Quando já estou a uma distância segura telefono para Jackson.
— O trabalho foi feito? — ele fala, sempre direto ao assunto.
— Sim, mas preciso de um favor seu, Jacks. — digo, deixando a seriedade da minha situação vazar por minha voz.
Jackson suspira.
— Em que tipo de problema você se meteu agora, Cristy?
É a minha vez de suspirar.
— Preciso que você dê um jeito nas câmeras de segurança do hotel.
— Sério, Cristina?
— Eu te explico depois, Jackson, mas você pode fazer apenas isso para mim?
— Juro por Deus, Cristina, eu constantemente me questiono se você vale os problemas que você me causa.
— É claro que eu valho. — digo, ultrajada — Eu sou a melhor que você tem.
— Você seria a melhor que eu tenho se não arrumasse tanta confusão. Deixe-me ver o que eu consigo fazer com as gravações. Aviso a você o que eu consegui.
Sorrio.
— Jacks, você é o melhor.
Ele bufa antes de desligar o telefone em minha cara.
Gargalho.
Jackson é um cara extremamente temperamental e dramático. Eu sou a melhor que ele tem, independente dos problemas que eu me envolvo.
Minutos depois estou no cubículo que eu resido, devidamente vestida com um pijama confortável, completamente fora da personagem da sedutora que eu preciso ter para o meu trabalho repenso todos os acontecimentos do dia de hoje e meu encontro não planejado com Alex que poderia ter dado muito, muito errado hoje. Não vou mentir e dizer que não foi extremamente satisfatório socar a cara daquele mala, mas agora eu tinha dificultado enormemente futuras chances de me aproximar novamente de Alex para angariar pistas sobre o que aconteceu com o meu pai.
Entretanto eu sou uma mulher inteligente e tenho certeza de que conseguirei encontrar uma oportunidade futura de descobrir toda a verdade do que aconteceu há cinco anos atrás.
Com os meus pensamentos inundados por Alex Holland acabo pegando no sono.