Capítulo 10: Paradisíaco

2111 Words
Chase e Travis chegaram no aeroporto de Male e seguiram de lancha particular até o hotel. Travis estava animado, afinal nunca tinha viajado de jatinho e muito menos chegado perto de uma ilha tão maravilhosa e luxuosa como a maioria pontuava. — É paradisíaco. Comentou, deslumbrado. — Espera só pra ver o restante. — Já esteve aqui antes? Ele parou ao lado do amigo, o cabelo sendo soprado com força pelo vento, enquanto segurava uma taça com espumante. Os óculos escuros não permitiam que sua tristeza fosse vista. — Uma vez. Depois que minha mãe morreu. Fiquei uma semana trancado em um dos hotéis. A Grace precisou vir me tirar daqui. — Deve ter sido difícil. — Sim. E o pior é que eu devia ser o mais velho, sabe? O cara que segura a barra pros irmãos enquanto sofre quieto. Mas Grace foi muito mais madura do que eu. Na verdade, ela sempre foi. Não à toa montou seu próprio negócio de sucesso, enquanto eu, um homem de 37 anos, precisa vencer uma aposta e concluir três meses de trabalho pra ter o comando da empresa. Ah, além de se casar com uma completa desconhecida, é claro. Travis não gostava nada de lembrar o que o amigo estava realmente fazendo ali. Chase era viciado em vencer, pra ele, nada era mais importante do que conquistar algo, ou alguém. Nem mesmo seu pai estar a beira da morte, parecia ser motivo suficiente pra fazê-lo aproveitar os últimos dias que o matriarca tinha. — Você não vai gostar do que vou dizer, mas já passou da hora de superar isso. Eu sei que é difícil, dói muito, mas sua mãe não aprovaria isso. Chase se virou para o amigo, com o semblante sério. — O que está dizendo? Você nem a conheceu, não tem direito de dizer isso. — Você já falou dela tantas vezes, que posso dizer que ela não criou vocês pra isso. Pra ficar amarrado a essa dor. Uma década, Chase. Dez anos é tempo demais pra culpar suas ações de agora. O que você está fazendo, esse lance todo de aposta e casamento, é por você, não por ela. Não finja que ela é o motivo da sua causa, quando você sabe, que está fazendo isso por si mesmo. Travis apenas saiu, indo até a parte de dentro do iate. Chase ficou lá, parado, sentindo o vento quase derrubando-o, mas completamente incapaz de se mexer. Ele não queria pensar naquilo, pois no fundo, o amigo tinha razão. Ele não podia mais colocar as merda que fazia na conta de sua mãe. A dor ainda o consumia e, de certa forma, ele não conseguia, não queria desapegar. E isso era um problema. Ignorando completamente o bom senso, ele simplesmente seguiu com o plano em mente. Quando tivesse tudo o que queria, pensaria em alguma forma de se redimir. Horas depois, Celine entrou na lancha maravilhada com as águas do mar, mas também com um desconforto no peito e um cansaço extremo. — Nossa, parece que fui atropelada, mas sem sentir dor. Só um cansaço sabe? Está assim também? — Um pouco. Deve ter sido o voo. É uma viagem bem longa. Vamos poder descansar bastante no hotel. Eles chegaram em poucos minutos em uma das ilhas. De lá seguiram em um carro particular que os deixou na porta do hotel em tempo hábil. Depois de fazer o check-in, dois rapazes os acompanharam até a suíte, com carrinhos cheio das malas de Celine e Victor. Exaustos, deitaram em suas camas. Ainda era dia, mas quase 20 horas de voo tinham consumindo a energia do casal, que mesmo no conforto, não tiveram uma noite de sono completa. Ambos apagaram até o dia seguinte. Chase tinha chegado logo cedo e tratou de se instalar no hotel. Ele se hospedara no hotel ao lado, em uma suíte com um quarto ligado ao seu, onde deixou Travis à vontade. Desde a conversa no iate, ambos não trocaram nenhuma palavra. Chase estava chateado, mesmo sabendo que o amigo estava certo e isso provavelmente o irritava. Já Travis, preferiu dar o espaço que Chase precisaria pra absorver suas palavras, certo de que isso não mudaria nada do que aconteceria, mas pelo menos havia tentado. No dia seguinte, Celine acordou mais disposta. Ela abriu os olhos devagar e sorrindo, ainda boba por estar ali, finalmente. Não tinha de levantar correndo para ir se trocar, ou se preocupar se Victor tomaria seu café direito. Não teria que se importar se pegaria trânsito demais, se estava bem vestida, se tinha sorriso o suficiente para seus funcionários. Muito menos, teria que lidar com celebridades exigentes, famosos que desejavam coisas absurdas em cima da hora e faziam pedidos impossíveis para meros mortais, mas que ela conseguia, apesar do imenso esforço que tinha. Apenas não ter de se importar com nada daquilo pelos próximos 14 dias, já era motivo suficiente para fazê-la acordar sorrindo. Mesmo amando o trabalho, não tinha como estar em um lugar daquele e não agradecer por estar fora do escritório. Ela ergueu o corpo e se enrolou em um dos lençóis, indo até a sacada. A vista era simplesmente a coisa mais bela que ela poderia ver. O mar de azul turquesa tomava conta da visão. Ao longe, o que pareciam desenhos de montanhas, na verdade eram as outras ilhas da região. Algumas eram bem próximas, um cerco de prédios largos e pequenos de tamanho e árvores altas. Dali, era possível ver o cais com algumas lanchas e iates próximos. — Celine? A voz manhosa de Victor a tirou do vislumbre. — A vista é tão linda. Você precisa ver. — Eu tô com um pouco de dor de cabeça, vai buscar meu café? Ela estava tão absorta na vista, que ignorou a pergunta, por alguns segundos. Seu corpo junto a porta se sobressaltou, quando ele falou mais alto. — Está me ouvindo, mulher? — O que disse? — Vai buscar meu café? Ela ficou olhando pra ele por alguns segundos, se perguntando quando tinha permitido que aquilo se tornado um hábito. Sem responder, ela se digeriu a mesinha do lado e apertou no ramal da cozinha, onde fez alguns pedidos. Assim que desligou, olhou para ele. — Decora o número da cozinha, assim você mesmo pode pedir sua própria comida. Ele enrugou a testa, olhando feio pra ela. — Acordou de mau humor? Por que disse isso? Celine respirou fundo, voltando seu olhar pra vista. Parecia bobo, mas naquele momento ela decidiu que algumas coisas tinham de ser diferentes. Ela vinha pensando muito em seu relacionamento durante os dois meses que se passaram. E concluiu que precisava passar por algumas pequenas mudanças. Aquelas férias seria o começo. O verdadeiro recomeço de tudo. Ela preferia encarar daquela forma. Victor não iria jogar fora mais de dez anos de casamento porque ela tinha decidido que não o serviria mais, não é? — Quero aproveitar meu tempo, Victor. Só isso. — Ótimo. Faça isso. Aproveite e saía sozinha. Já que parece que sou um empecilho. Victor levantou, parecendo irritado. Mas ele estava apenas aproveitando a situação para colocar seu plano em prática. — O quê? Eu fiz várias programações pra nós! Não pode ficar emburrado por causa disso. E muito menos me deixar sozinha nessa ilha. — Por que não? Até parece que alguém vai querer te sequestrar ou algo do tipo. A maioria aqui é jovem, ninguém quer uma coroa. Pode sair tranquila. No fundo ele sabia que isso não era totalmente verdade, afinal Celine era muito cobiçada em seu meio de trabalho, no entanto, ele acreditava que isso tinha muito a ver com seu poder aquisitivo, e não apenas com os seios enormes e a cintura deslumbrante. Celine ficou olhando pra ele, despedido, entrar no banheiro enorme e ir pro chuveiro. Ela puxou o lençol mais pra cima, sentindo como se tivessem estourado sua bola de soprar que ela tivera tanto custo pra encher. Ela ia sentar na cama, esperar que ele saísse e tentar convencê-lo, ou até mesmo permanecer no quarto até que ele resolvesse lhe acompanhar. Mas ela olhou novamente para a vista da sacada. O sol quase rachando a cabeça dos visitantes e moradores. A brisa do mar indo devagar ao encontro do seu rosto. A calmaria das águas turquesas. Ela simplesmente não podia ficar presa em um quarto de hotel porque tinha escolhido trazer o idiota do seu marido, achando que ele realmente queria mudar alguma coisa na relação, o que estava ficando cada vez mais evidente que não. Celine respirou fundo novamente e tomou a decisão. Ela não iria deixar de curtir suas férias por causa de ninguém. Nem mesmo Victor Meyer teria esse poder. Ela pegou um dos biquínis que havia trazido e mais uma saída de praia dourada, com flores azuis. Depois arrumou uma pequena bolsa com tudo o que precisaria, sem esquecer do protetor solar e do bronzeador. Não levou muito tempo e o café da manhã chegou. Ela começou a comer e quando ele saiu, sem dizer nenhuma palavra, ela entrou no banheiro. Depois de pronta, pegou sua bolsa e saiu. Victor não disse absolutamente nada. Ele tinha dado um pulo de alegria quando ela saiu, pois assim como planejado, poderia passar o primeiro dia ao lado de uma de suas amantes. Obviamente nenhuma sabia da outra. Para todos os efeitos, ele passaria um dia com a esposa para despista-la e no outro dia ficaria com a amante. Ele tinha conseguido enrolar as duas com essa mesma conversa. Ele começou a tomar café calmamente, dando um tempo, depois trocou de roupa, pegou suas coisas e correu para o cais, pagando um dos motoristas particulares que ficava em frente ao hotel. Em meia hora, ele chegava a uma das ilhas particulares, que ele tinha alugado uma casa de frente pra praia com todo conforto, alimentação e transporte. Um carro alugado ficava no estacionamento, só aguardando sua chegada, para caso quisessem ir até o outro lado da ilha ou sair para almoçar. O que não faltaria eram opções de diversão, mas claro, a preferida dele era na cama. Celine desceu até o saguão e um guia se ofereceu para acompanhá-la até a praia. Ela não percebeu, obviamente, mas os olhos dele estavam inteiramente voltados ao seu corpo, na maior parte do tempo. Eles caminharam por alguns minutos, chegando rapidamente a uma praia calma e com poucos turistas. Ela colocou uma toalha e sentou, olhando pras águas calmas e claras. Chase abriu os olhos e permaneceu na cama por alguns minutos. Tinha dormido tão bem quanto poderia, mas sua mente ainda sentia as palavras do amigo martelando. O que ele estava fazendo ali? Realmente devia estar naquele lugar? Não era pra estar com seu pai, aproveitando o tempo que ele teria? — Merda. Resmungou, sentando na cama. Não devia permitir que fosse atingindo pela sua consciência. Não quando estava lá, tão perto do seu objetivo. Mas ainda sim... — Você tem razão. E odeio você por isso. Disse, após abrir a porta que conectava ao quarto do melhor amigo, sem se importar se ele estaria vestido. Ele passou a mão nos cabelos, ajeitando-os, enquanto continuava olhando para o outro lado da sala, sem encarar o amigo. — Chase... — Mas agora eu estou aqui. E não posso simplesmente desistir, entende? Um Barnes nunca desiste. — Ele também nunca perde. Chase se virou, com os olhos arregalados, reconhecendo a voz feroz atrás de si. — Aiden? Puta merda, o que faz aqui? Como descobriu...? Aiden Barnes estava parado na porta do quarto de Travis. Ele tinha acabado de abrir a porta para o rapaz, quando Chase resolveu quebrar o silêncio e sem nem mesmo prestar atenção ou olhar para o lado, confessar seu medo. — Achar você foi fácil. Só não tinha certeza em qual era o quarto. Depois de mostrar meus documentos, o recepcionista me disse que estaria aqui. Eu insisti que não avisasse, afinal queria fazer uma surpresa. — O que veio fazer aqui? Chase estava confuso e começando a ficar irritado. Tinha certeza que não havia nada de coincidência naquela situação. — Não está feliz em me ver? Aiden deu um sorriso cínico para o irmão, que não estava gostando nenhum pouco daquilo. — Papai sabe que veio? — Óbvio que não. Ele desconfiaria na hora. Nós dois nas ilhas Maldivas ao mesmo tempo em que Celine Avis Whitney resolve tirar férias. — Ah, não. Por favor, não me diz que veio tentar me sabotar. Sabe que não pode dizer nada pra ela. — Não, não posso. Mas não há problema nenhum em, digamos, dormir com ela. — O quê?
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