Capítulo 11: Que os jogos comecem

2312 Words
Chase não sabia o que dizer ou pensar. Seus olhos emanavam fúria. Sua face era pura irritação. A testa enrugada demonstrava confusão. E a voz manifestava o mesmo tipo de fúria que seus olhos azuis. — Eu vou ver o que tem pro café, com licença. Travis saiu o mais rápido que pôde. Além de achar completamente nojento o que ambos estavam fazendo, não queria participar da conversa deles, que claramente era muito familiar. — Não é contra as regras de apostas, irmão. — Isso é um absurdo. Você não tem o menor interesse por ela. — Tenho interesse em vencer, e isso basta. Chase balançou a cabeça, incrédulo. — Não pode estar falando sério. Aiden caminhou até uma mesinha de centro, com uma garrafa de Uísque. Ele serviu dois copos, e respondeu calmamente. — Eu estou aqui, não? A Chase, isso vai deixar tudo mais interessante. Dois irmãos disputando o amor de uma mulher, e uma empresa. Agora sim o jogo está sendo jogado direito. Antes era só você tentando dar uma de superior. Isso é uma aposta de verdade. — Não foi isso que combinamos. Chase argumentou, enfurecido. Aiden apenas entregou a ele o outro copo com a bebida. — Os jogos mudam. Aceite isso. A menos que queira desistir. Não sinta vergonha, se for isso o que quer. Ele deu um sorriso e tomou toda a bebida de uma vez. Chase não queria desistir. Mas a ideia de ver Celine e ele flertando lhe revirava o estômago. Ele estava tentando ignorar aquilo, mas outro motivo que estava deixando sua cabeça quente, era de machucar sua chefe. Durante os meses que passaram juntos, apesar de Celine manter completamente o profissionalismo e não se render a ele, havia uma energia forte que os rondava. Ele não poderia explicar nem mesmo se tentasse. Seu irmão jamais entenderia o tipo de conexão que eles criaram. Não era do tipo que ele queria, estava muito longe disso na verdade. Mas ele sabia que havia alguma coisa no ar, algo que ela jamais permitiu evoluir, por ser uma mulher casada e com esperanças de reaver o casamento. Havia algum sentimento que tinha nascido durante aquele tempo. Talvez fosse apenas admiração e respeito. Na verdade, ele acreditava que eram apenas esses sentimentos que os mantinham tão ligados. Mas aquelas férias iria lhe revelar a verdade. — Então, teremos novas regras. Propôs Chase, irritado, mas condenado a aceitar. Afinal Aiden estava ali e não perderia a viagem. — Estou te ouvindo. — Não acho seguro nós dois sermos vistos juntos. Eu sei que ela não deve se lembrar de mim, mas talvez possa te reconhecer e se nós formos vistos andando juntos, ela vai sacar. — Faz sentido. O que tem em mente? Chase foi a mesinha dessa vez, se servindo. Ele respirou muito fundo, tentando controlar a fúria que ainda podia ser sentida em seu tom áspero. — Temos 14 dias. A partir de hoje. Iremos nos dividir. Um dia de cada um. — E se ela quiser ver um de nós, quando for o dia do outro? — Ela quem manda. Se isso acontecer, seguimos o roteiro. Caso ela escolha um de nós, o outro desiste e vai embora. Independente do que acontecer, irei cumprir com meus sete dias na empresa, pra que papai não desconfie e eu possa concluir meu "treinamento". — Parece razoável pra mim. Algo mais? Chase tomou todo o líquido do copo e fechou os olhos, enquanto sua garganta queimava. Ele abriu e andou até sua porta, ajeitando os cabelos. — Enquanto um estiver com ela, o outro não pode sair do hotel, ou tentar interferir de qualquer forma. Não mandar ninguém segui-la e nem pagar ninguém pra conseguir informações ou coisa do tipo, e nem mesmo ir até a praia. Não quero encontrar com você sem querer, entendeu? Não viemos aqui pra curtir a ilha. — Nem mesmo no barzinho aqui perto? Aiden indagou, mas já sabia a resposta. Ele apenas gostava de irritar o irmão. E ele sabia que Chase estava basicamente como uma pólvora naquele momento. — Nenhum lugar fora do hotel! Aqui tem bar, piscina, restaurante. Tudo o que precisa. — Tá, tudo bem. Vai usar seu nome de verdade? — Sim e não. Vou usar o nome do meio. A ideia é não ser reconhecido. — Beleza, estamos entendidos? É que tô louco por um banho. — Pode ir. — Hoje quem começa? Chase tinha acordado pensando em desistir, mas com a convicção de que não poderia. E de repente, ele se vê refém do tempo. Não poderia fazer o que queria. Reduzir seu tempo seria difícil. De 14 pra 7 dias. Mas não tinha opção. Então seria melhor que começasse logo. — Eu. Você chegou hoje, suponho. Deve está cansado. — Estou mesmo. Viagem longa. Mas vou fazer valer a pena cada segundo. Até breve irmão. Se precisar, estarei a duas suítes a esquerda. Aiden deu uma piscadela e saiu. Chase amava o irmão, mas naquele momento poderia amarrá-lo em um avião e exportá-lo para a Califórnia com muita facilidade e de sorriso no rosto. Travis retornou alguns minutos depois, com uma bandeja de café. Chase estava sentado na cama, encarando a parede a sua frente, completamente perdido com a mudança súbita de planos. — Melhor comer. O dia vai ser longo. Travis o induziu, incentivando-o a se alimentar. Chase resumiu a conversa que teve com o irmão para o amigo, que levantou rápido ao perceber que o tempo estava passando. — Já que não tem jeito, precisa se adaptar. Primeira coisa que precisa fazer é sair e ir atrás dela. Com certeza ela vai querer aproveitar a praia hoje. Puxa assunto, conquista a amizade. Você tem sete dias e o tempo está correndo. O que ainda está fazendo aqui, Chase? Ele levantou, erguido pelas palavras do amigo. Que ora o derrubava e ora o levantava. — Tem razão. Preciso fazer com que ela se apaixone por mim em sete dias. Meu Deus, isso vai ser um pesadelo. — Então transforme em um sonho. Vai garoto. Sai logo daqui. Chase deu um sorriso e correu pro banho. Em poucos minutos ele já estava caminhando em direção a praia, com a esperança de encontrá-la. Celine passou o protetor solar e estava espalhando o óleo por suas coxas, quando avistou um rapaz ao longe, de bermuda branca, reluzindo como prata exposta à luz solar. Apesar de ser uma mulher bem casada, não tinha como não admirar a beleza escultura do jovem. Ele entrou na água, molhando um pouco dos pés por alguns segundos. Ela pôs o óculos escuro e aproveitou as duas maravilhas que a natureza estava lhe proporcionando. Ela conseguiu captar cada gotinha de suor que escorria entre os gominhos de seu abdômen, assim como um vislumbre das veias que quase saltavam pela sua testa, que por pouco não era coberta pelas mechas do cabelo que formavam um topete perfeitamente ondulado. Ele passou a língua pelos lábios pequenos e convidativos, estremecendo o interior das pernas de Celine, que precisou desviar o olhar por alguns segundos, para não pecar ainda mais. Primeiro ele sabia que devia chamar a atenção dela, mas sem parecer que precisava disso. Celine era orgulhosa e uma mulher extremamente fiel, ela iria olhar à vontade, como a maioria, mas jamais começaria uma conversa voluntária com um estranho só porque o achou atraente. Isso, claro, se ela o achasse. Apesar de ser atraente para a maioria, não dava pra simplesmente contar com isso. Ele saiu da água passando a mão no cabelo, o corpo molhado e brilhando por conta do óleo corporal. De repente tropeçou em um punhado de areia, que escondia uma pequena pedra, suficiente para fazê-lo perder o equilíbrio. Celine deu uma pequena risada quando o viu cair. Mas logo se levantou, solidária. Chase não tinha planejado expor sua sensualidade com uma queda. — Merda! — Ei, está tudo bem? Ela chegou perto, se inclinando. Ele engoliu em seco, só então percebendo como os seios eram realmente enormes e intimidantes. No trabalho, ela usava um terninho que apesar de não esconder nada do corpo escultural, conseguia dar uma diminuída significativa em seus atributos. Mas ali, na praia, com quase tudo exposto, era impossível de simplesmente ignorar. — Oh, sim. Só tropecei em alguma coisa, estou bem. Ele se levantou devagar, sentindo apenas um pouco de dor no pé. Porém a dor da excitação escondida em sua bermuda começava a incomodar muito mais. — Foi engraçado. Você caiu do nada. Mas que bom está bem. — Obrigado por se preocupar. E sim, me senti um palhaço, quem nunca? — Pois é. Até os mais bonitos podem se distrair e tombar de vez em quando. — Você me acha bonito? Celine sentiu o rosto queimar, e não era pelo sol. Ele deu um sorriso divertido. — Ahn... — Não precisa responder. Às vezes eu também acho. Mas só as vezes. Ela sorriu, estendendo a mão. — Celine Avis Whitney. Você é? Ele segurou a mão dela, apertando de leve. Celine sentiu toda sua espinha se arrepiar com o toque. De alguma forma estranha, ela parecia reconhecer aquela pele macia e firme. — Stevenson Jones. Mas pode me chamar de Steven. Celine ficou olhando pra ele. Os olhos parecidos com o azul turquesa do mar. Mas além disso, havia algo familiar. Ela não tinha ideia do que poderia ser, mas Chase lhe era extremamente familiar. De um jeito íntimo. Reparando melhor, até sua voz era conhecida. Ela estava quase mordendo a língua porque não conseguia identificar de onde ele era. — A gente se conhece? Eu tenho a impressão de já ter te visto. — Eu acho que não. Lembraria do seu nome e do seu rosto. Ninguém esquece uma mulher como você. Ela deu outro sorriso, balançando a cabeça. — Sua voz... Meu estágiario tem uma voz parecida. Não estou enganada quanto a isso. Chase engoliu em seco. Já esperava por algo do tipo, e tinha várias respostas evasivas que poderia despista-la. — Dizem que minha voz é comum mesmo. Você trabalha de quê? Tem até estagiário. — CEO de uma empresa de eventos. A sede fica na Califórnia. Já esteve lá? Pela falta de sotaque deve morar próximo. — Uau, que incrível. Então, já estive sim. Cresci por lá, mas tem dois anos que estou fazendo viagens por diversos lugares, em especial ilhas. — Você é biólogo ou algo do tipo? Ele deu de ombros e caminhou devagar até onde ela tinha estendido sua toalha. Ela o acompanhou, naturalmente. — Eu me considero historiador, apesar de não ter doutorado. — Entendi. Então as viagens é pra hobby. — Quase isso. Tenho um interesse particular em lugares assim. Gosto de ir no fundo do mar, e também de observar essa vista. O que a natureza criou. Chase tinha decidido que mentiria apenas o necessário. A arte da conquista requer sempre algum ponto de mentira. Muitos usam apenas isso para alcançar suas conquistas. Mas naquela ocasião em especial, ele tentaria não ser tão mentiroso quanto poderia. Já estava em uma teia de mentiras grande demais pra sustentar mais aquelas. — É realmente magnífico. Por mim ficaria aqui por dias só olhando pra essa vista. Ela sentou novamente, apoiando os braços atrás, com as pernas esticadas, porém juntas. — Dá pra fazer isso, sabe disso, não é? — Como? — É só pedir pro pessoal montar uma tenda aqui. Ou até mesmo alugar um bangalô que pode literalmente deixar você na água com um pulo. — Eu vi sobre os bangalôs, mas achei que aqui ficaria muito mais acessível pra chegar em outros lugares com meu marido. Pretendia que fizéssemos algumas atividades que um pessoal da ilha está desenvolvendo. Ela tinha tocado no marido. Chase esperava que fosse ter mais um tempo antes de falar dele. Mas tinha que seguir com a conversa com naturalidade. Parece que ela realmente estava acreditando que ele não poderia ser seu estagiário ou o filho do seu chefe. — Você é casada? Imagino que esteja em lua de mel. — Quase isso. Já somos casados há anos. Mas as coisas não estão muito bem... — Ah, sinto muito. Ele te traiu? — O quê? Que conversa é essa? Ela alterou a voz de imediato, desconfiada e irritada, enquanto olhava para o suposto estranho, com a testa enrugada. Celine não gostava nenhum pouco de ouvir aquelas palavras. A maioria pensava que ela não ouvia de vez em quando uma fofoca ou outra sobre seu marido, mas por algum motivo, ela não conseguia acreditar que Victor poderia ser capaz disso. Se não queria mais continuar o casamento, seria mais honroso de sua parte pedir o divórcio. Traição não combinava com ele. — Me desculpe, é que geralmente o pessoal fala isso quando rola traição. Perdoe, eu estou sendo muito invasivo. — Não foi isso. É só que eu trabalho muito. Ele também. Quase não temos tempo pra nós. Basicamente caímos em uma rotina desgastante. Ah, agora eu que peço desculpas, estou falando demais. — Não, por favor, pode falar. Eu sou bom ouvinte. E não tenho muito com quem conversar. — Fala sério, você? Bonito desse jeito, deve chover mulheres. — Olha você me elogiando de novo. Se continuar assim, vou começar a acreditar. Ele deu um de seus sorrisos mais brilhantes e, estava surpreso porque tinha sido completamente verdadeiro. Celine também sorriu, queimando novamente as bochechas. Sorte que tanto a maquiagem quanto seu bronzeado escondia a vermelhidão. — Bobo. Mas é sério, eu também não converso muito com ninguém. Deve ser por isso que estou contando metade da minha vida pra você sem nem te conhecer. — Sinceramente, prefiro mais os desconhecidos. Eles não te julgam tanto. — Então me conta, é casado? Tem namorada? O que realmente veio fazer aqui? Aquele era um dos momentos em que teria de mentir.
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