Depois do banho, me senti muito mais relaxada. Fiz um sanduíche para mim e Sofia foi para a cama. Em vez de assistir algo na TV, fui para o computador. Olhar nas redes sociais...
Confesso que eu estava tentando pensar em outra coisa para não entrar naquele endereço que estava no cartão.
Em três minutos, verifiquei o f*******:, o i********: e o e-mail. É bom ficar de olho a cada poucos minutos. Ficar atualizada.
Eu estava relutante em abrir aquele endereço, mas o cartão estava me queimando. Vídeos do i********:. Essa era a solução. Me deixei levar por pesquisas tolas de vídeos. Então assisti meia hora, mas não aguentei mais. Abri o navegador e digitei o endereço. Uma tela preta com letras douradas apareceu na minha frente.
As mesmas cores do cartão. O mesmo “VOCÊ GOSTARIA DE BRINCAR?” do cartão e abaixo dele. “Digite seu código de acesso”. Nenhum sinal do homem do metrô.
Fiquei desapontada, mas pensei que talvez o encontrasse um pouco mais tarde. Hesitei apenas um segundo antes de começar a digitar as letras e os números que tinha no cartão. Depois de uma eternidade, a tela mudou e pude ver nela um cara, que não era o do metrô, cobrindo a metade superior do rosto com uma máscara preta e dourada.
— Bem-vindo ao jogo Fancy? Ele começou a dizer com uma voz suave e rouca.
Ele tinha um sotaque estrangeiro que não consegui identificar. Em seguida um texto muito longo, será que alguém lê e aceita os termos de cara?
— Quero que saiba o que está fazendo quando aceita algo. Está de acordo?
Dois botões apareceram na tela.
Um verde com “aceito” escrito e um vermelho com “cancelar”.
Após alguns segundos pensando, cliquei no botão verde.
— Você é maior de idade e está em pleno uso da suas faculdades mentais? Novamente, os dois botões.
Por que eu teria que responder isso? Isso não importava. Eu não estava me comprometendo com nada. Cliquei no verde.
— Dentro deste jogo, você terá diferentes desafios. Você não é obrigado a cumprir nenhuma deles. No entanto, recusar- se a fazer algo significa que o jogo acabou. Entender isso?
Verde de novo, é claro.
— Os desafios chegarão até você por mensagens de celular, e-mail, correio normal... Para isso, você terá que fornecer informações pessoais como o seu número de telefone ou o seu endereço postal. Está de acordo?
Os dois botões de novo, mas dessa vez eu hesitei. Eu não gostava de dar essa informação a estranhos. Ou um conhecido que cheirava a grama recém-cortada.
Lembrei-me de Sofia me dizendo que era hora de me jogar como um diab*inho no meu ombro. Achei que o máximo que poderia acontecer comigo era que me mandassem propaganda para o meu celular ou caixa postal, mas não consegui decidir. Em seguida, um contador apareceu na tela. Um relógio marcando os quinze segundos que eu tinha para escolher. Eu bati no verde.
— Muito bem. Bem- vindo ao jogo. Espero que você goste. Entraremos em contato com você muito em breve.
Foi aí que o vídeo terminou. A seguir era uma página na qual eu tinha que preencher o meu nome, sobrenome, idade, endereço, telefone... Essas coisas normais.
Quando terminei, a tela ficou preta e, logo depois, o nome e a caixa para inserir o código reapareceram. Eu não entendi nada.
Entrei no mesmo da vez anterior, mas ele me negou a etapa porque já estava em uso. Que jogo nojento. Eu tinha dado os meus dados para nada.
Nesse exato momento, o celular tocou.
Número desconhecido.
Eu apenas olhei para a tela como uma tola. Tenho certeza de que era uma ligação de negócios, mas algo dentro de mim me dizia que não, que o formulário que eu havia acabado de preencher tinha algo a ver com isso. Por outro lado, não eram horas para ligações comerciais. Antes de pensar mais alguma coisa, eu aceitei.
— Alô? Eu perguntei mais do que respondi. Eu estava histérica sem saber bem por quê.
— Olá, Ruth. Respondeu uma voz masculina do outro lado da linha. Uma voz séria. Uma voz que atingiu o meu cérebro através da minha virilha.
— Quem é você? Eu perguntei, intrigada. — Como você sabe o meu nome? Como você tem o meu número?
Todo o meu corpo estava começando a tremer.
— Calma. Disse a voz. — Nós nos encontramos hoje no metrô. Eu estava vestindo um terno preto e uma pasta. Espero que você não tenha me esquecido tão cedo. Eu não fui capaz de te esquecer.
Oh, Deus! Era ele!
— Claro que me lembro de você, mas isso não explica por que você tenha o meu número ou que você saiba o meu nome.
— Eu tenho porque você preencheu o formulário. Ele respondeu sem perder a calma. — Este é o primeiro desafio. Você não precisa jogar se não quiser, mas o jogo acaba para sempre. Você sente vontade de jogar?
Eu gostei? Nem idéia. Eu estava morrendo de vontade de voltar àquela carroça com o corpo dele junto ao meu, com certeza. Mais uma vez, me lembro de Sofia falando sobre meu hímem reconstruído. Isso me convenceu. Eu segui o rolo.
— Tenho vontade, sim. Eu respondi, me sentindo animada assim que disse isso.
— Mas eu nem sei o seu nome.
— Não é necessário para este jogo, Ruth. Ele explicou, usando o meu nome novamente. — Você só precisa falar comigo no telefone e fazer o que eu pedir.
Não parecia muito complicado. — Bem, dependendo do que você pedir. Vá em frente. Eu disse com uma certeza que eu nem remotamente sentia.
— Muito bem. Ele deixou escapar com uma nota divertida e sexy na sua voz. — Quero que você se lembre do nosso encontro no metrô. Nos veja muito próximos. Totalmente juntos. Tem muita gente ao nosso redor, mas eu só tenho olhos para você. Eu só sinto você. Eu sinto o seu calor e a sua respiração. Eu posso sentir o seu corpo ligado ao meu. Os seus sei*os no meu peito.
Você pode me sentir, Ruth?
Estava começando a ficar muito úmido lá embaixo. Não pelo que ele falava, mas porque ele tinha uma daquelas vozes que despertam algo no peito e te emocionam mesmo pedindo três deliciosos sorvetes. Mas o fato é que ele estava revivendo aquele momento.
O seu corpo duro contra o meu. O seu cheiro inundando todo o meu mundo.
— Eu posso te sentir muito bem. Eu assegurei com os olhos fechados e um sorriso no rosto. — Sinto o seu corpo, sinto o seu perfume e sei que você também está gostando porque sinto a sua ereção.
Eu não pude deixar de ofegar e apertar as minhas coxas. Eu estava tentando acalmar o que estava sentindo entre as pernas, mas, na verdade, o que eu estava procurando era aumentar a sensação. Jamais imaginaria fazer algo parecido e só por isso já estava empolgada. A morbidez do desconhecido, eu acho.
— Você sabe o que eu gostaria de fazer, Ruth? Ele perguntou. Ele não esperou por uma resposta. — Eu gostaria de pegar a sua mão e levá-la até o zíper da minha calça. Ver você abrindo e descobrindo o que tem escondido dentro.
Eu imaginei isso muito bem. Senti a minha mão abrindo caminho sob a sua cueca para acariciar aquele pên*is que, pelo menos na minha cabeça, era enorme e duro como pedra.