Eu sabia que não devia ajudar ninguém naquela jornada. Era somente minha responsabilidade cumprir com meu dever, ou eu perderia meus poderes e minha família. Não é fácil ser correto se você se sente ameaçado. Muitos dizem que sou um traidor, então resolvi realmente ficar do outro lado, onde não teria que ver os rostos daqueles que me odiavam pelo que aconteceu. Meu irmão não me perdoaria por isso, mas ele não sabe que fui covarde demais e não queria também perder o poder.
- Você não está tentando - a voz suave dela entrou em minha mente, como se quisesse me destrinchar por dentro. Eu via mais carnificina e morte com sua aproximação. O sangue fresco derramado na neve e cabeças rolando. É, era isso que ela representava.
- Sinto muito, majestade - essa era minha desculpa esfarrapada - Eu tentei o máximo que poderia. Mas, minha condição é...
- Sua condição não é o importante! - ela cortou, elevando a voz. Eu não gostava quando não conseguia vê-la. Olhei por todo o cômodo e não a encontrava. Só em minha maldita mente - Você não é um bom soldado, não esta servindo de nada para mim. Acho que vou ter que descarta-lo.
Senti medo cru e real pela primeira vez.
- Majestade, serei últil dessa vez. Demorei muito tempo para localiza-la, sem meus poderes cem por cento. Irei cumprir com o acordo.
- É bom cumprir, soldado. Quero o coração dela em minha mão e sua cabeça. Vou mostrar para todos do reino que sua princesa prometida não vai voltar.
O silêncio foi sepulcral, quando ela parou de falar. Era como se tentáculos se afastasse da minha mente e a pressão que sentia cedeu. Cai de joelhos no chão, sentindo o gosto amargo da traição, mais uma vez. Todos os soldados que vieram não conseguiram cumprir o que ela havia exigido. Ninguém queria m***r a princesa prometida do reino. E eu seria morto também, se não comprimisse com meu dever.
Nunca fui um soldado nas fileiras de batalha. Isso era para meu irmão, Caelum. O sangue elfo corre pelas minhas veias e sua magia também, então me dediquei a magia, com todo afinco possível, para me desenvolver e superar os inimigos. Todos diziam que não deveria me preocupar tanto com isso. Em trezentos anos tudo estava em paz, mas Daphne havia previsto uma catástrofe para nós. Havia dito que uma criança iria nascer tão branca e pura, com o sangue vermelho correndo em suas veias, tão diferente do nosso povo, que iria trazer a destruição para nós.
Eu me treinei para isso, controlar meus poderes e desenvolve-los, enquanto que outros que dominavam a magia, procuravam usar para florescer o mundo que já estava bastante destruído devido a última guerra humana. Os humanos já haviam destruído tudo que poderiam com sua ganancia e nosso povo queria paz mais uma vez, restaurando o equilíbrio natural dos elementos.
Esse foi meu erro. Me apaixonar tanto pelo poder que tinha nas mãos, para cair nas mãos daquela mulher, sem nem ao menos ter a chance. E tudo por minha família e por Kali.