Capítulo 15

1371 Words
Ele correu, tentando desviar dos soldados que estavam rondando as ruas, procurando algo suspeito, além do fato de ser o toque de recolher. Depois do por do sol, todos os habitantes de Monte Ble deveriam estar em suas casas. Mas, havia os conspiradores. Todos eles ainda eram contra a rainha Ária, mesmo ela tendo poder sobre os quatros reinos que faziam fronteira com Tork. O reino de Tork era o mais prospero e fornecia alimento para todos os outros quatro reinos a volta dele. E no momento, estava nas mãos de uma rainha sanguinária, que desejava a destruição de tudo que remetesse ao antigo rei, Norian. Ela o detestava com todas as suas forças e dava ordens para que nenhum habitante da cidade e do reino todo falasse sobre o rei. Os habitantes de Tork deviam ser obedientes a ela e a mais nenhum soberano. Mas, isso não era seguido a risca. Muitos habitantes se rebelaram contra a tirania da rainha vermelha, devido ao sangue que corria por suas veias e pela magia que ela produzia, deixando o seu vermelho em tons laranjas, ao invés do lindo azul que existia antes. Sua magia estava deixando os habitantes doentes, pois eles necessitavam da luz do sol e com a magia da rainha Ária pairando sobre todo o reino, era difícil o sol penetrar por entre as nuvens vermelhas que ela produziu com sua magia. Pensar nisso não faria mudar nada, ele pensou, aborrecido, carregando alguns alimentos fornecidos pela cozinha do castelo. Estava se arriscando a visitar novamente Caelum, mas não poderia deixa-lo sozinho naquela empreitada. Depois que Caelum foi expulso do castelo e de ser conselheiro real, ele foi isolado para fora dos muros, vivendo em uma floresta n***a e densa. Lá apenas habitava seres mágicos com intenções maléficas e impuras. Eles eram controlados pelo rei Norian, assim como os reis e rainhas anteriores. Não podiam sair da floresta e deviam habitar seu lugar. Se saíssem, seriam punidos por qualquer transgressão que fizessem aos habitantes de Monte Ble. Caelum precisou fazer amizade com o elfo da morte para sobreviver. E vivia em sua casa. Ele caçava animais, para aplacar a fome do elfo e com ajuda dos habitantes do castelo que ainda eram leais ao rei Norian, entregava alimentos diferenciados, que pareciam agradar o elfo da morte. Seu nome era Sedna. pelo menos, era o nome que havia dado a Caelum. - Achei que não viesse, Malek - disse Caelum, abrindo a porte de madeira do casebre - Eu estava realmente com fome hoje. Malek entrou, sentindo o coração dolorido por ver o grande soldado e conselheiro real reduzido a nada. Vestia trapos velhos e seu corpo havia afinado. Não tinha mais o tom azulado da pele, mas estava cinza, sem vitalidade. A falta de sol era um problema que afetava aos habitantes e a magia da rainha Ária já estava se estendendo para todo o continente. Os outros reinos já estavam sentindo as mudanças e tentavam avançar pelas fronteiras, para atacar o reino Tork, mas era quase impossível conseguir, pois Ária tinha um exercito forte e preparado para isso. Por décadas ela manipulara seu tio, que reinava o reino de Uria e recrutava soldados, para treina-los e torna-los mais fortes, tanto com treinamento físico, mental e dando poções, para ampliar os poderes deles. E agora, ela carregava o cetro de poder. O cetro que deveria ser portado por um ser bom e puro. Todos acreditavam que quando a princesa conseguisse voltar ao reino, ela o tomaria e levaria a paz para todos, mas era um sonho distante, que parecia não se concretizar, não quando Caelum não tinha notícias do seu irmãos Kaelus. Eles pensavam o pior no momento, acreditando que Kaelus pudesse ter realmente matado a princesa. - Eu realmente tentei não demorar, mas está cada vez mais difícil sair do castelo - Malek se desculpou com o olhar. Caelum deu de ombros e deixou que o elfo passasse. A casa estava com o cheiro bolorento e o odor acre penetrava nas narinas de Malek. O elfo da morte parecia gostar de tudo que estivessem em estado de decomposição. Malek sentiu o coração saltar ao ver a cabeça de um elfo pendurada no teto, sem os olhos. Ele fitou Caelum, procurando respostas. Queria entender o que estava acontecendo. Fazia poucos meses que seu amigo estava ali e ele não conseguia estar sempre por perto. Apenas Daphne conseguia visita-lo com mais frequência, pois não vivia no castelo. - Não me pergunte - Caelum disse, sem expressão nos olhos. Parecia estar endurecendo pelo horror e tristeza que vivia a cada dia. Malek queria abraça-lo, dar seu carinho. Fazia parte da sua personalidade ser afetuoso e curar os outros. Era um elfo da cura e amável. Ver aquilo, a morte diante de si e um ambiente insalubre para viver o deixava amedrontado e assustado. Além de querer proteger seu amigo de tudo. Mas, o que poderia fazer? A sorte dele era que Caelum não fora morto, mas a intenção da rainha era que as criaturas negras da floresta o levassem. Contudo, o acordo com o elfo da morte o protegeu. - Como é viver com ele? Com a morte? - perguntou Malek, colocando a cesta de alimentos na mesa e retirando o véu que a mantinha invisível. Caelum não respondeu, apenas puxou as frutas maduras, a cheirando, como se fosse o néctar dos deuses que exalasse delas. Eram apenas peras, maçãs e pêssegos. E para o desgosto de Malek, carne crua. Ele era um elfo que não tinha aqueles costumes, mas isso parecia aplacar a morte, além de dar forças para Caelum, que precisava de uma alimento muito mais forte para enfrentar o clima intenso que fazia naquela floresta. O sol não chegava ali, não mais, devido a magia de Ária. Parecia ser sempre noite naquele lugar e isso facilitava e muito para as criaturas que vivam ali e não suportavam o sol. Eram grandes aliados da rainha vermelha e a obedeciam por ela ter obscurecido a floresta. Caelum comeu, ávido. Depois puxou o vinho de pêssego, com uma espessura de mel, tão denso e delicioso no paladar, que parecia enebria-lo e dar mais cor a sua pele acinzentada. Ele comeu da carne crua, sem ao menos frita-la e guardou o restante para o elfo da morte. Malek olhava tudo grande tristeza. - Conseguiu falar com Kaelus? - perguntou ele. Queria conversar com seu amigo, mas cada vez que permanecia longe, parecia que Caelum se transformava em um ser diferente, mais calado e endurecido. Sua expressão não era mais jovial, mas parecia conter a fúria e fome insaciável nos olhos. - Sim - Caelum disse, assentindo. Parecia sorrir. Dessa vez, estava mais leve, sorvendo do vinho em um cálice de vidro - Ele disse que ira encontrar o nosso povo na Irlanda, na terra do humanos. Não vai mata-la. Esta no nosso lado Malek. Isso me dá esperanças. Ele disse que lá há uma passagem para nosso mundo. Em suas pesquisas tanto aqui, quanto lá, ele descobriu um antigo pergaminho que falava sobre um ritual, para chegar em nossas terras. Mas, essa informação precisava ficar escondida, Malek. Ninguém pode saber. Há um motivo para nossos ancestrais terem escondido a verdade sobre a travessia do nosso mundo para o deles. Infelizmente, Ária sabe e apenas quer que Kaelus seja sua cobaia. Assim que ela tiver certeza, eu temo que ela tentara chegar ao mundo dos humanos. Ela deixara o rastro de morte por onde passar. Sedna disse que ela é muito mais c***l do que ele ou qualquer criatura obscura. A princesa Asha precisa voltar para nós, Malek. Não iremos conseguir suportar mais esses meses sem o sol de verdade. Malek assentiu. Sabia disso, sentia o corpo fatigado e sem forças. Os habitantes de Monte Ble também sentia isso. Antes, nenhum elfo adoeceria, mas dessa vez, estavam sofrendo de tosses e pareciam ter uma gripe humana, que não tinham antes. Muitos estavam morrendo. Seu povo era quase imortal. Viviam muito além de mil anos. E estavam perdendo a vitalidade. Só aqueles que estavam perto da rainha tinham poções para mante-los fortes, o restante do povo padecia. Eles precisavam que Asha voltasse. Que voltasse em breve.
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