Capítulo 16

1361 Words
Ela estava furiosa comigo, por estar com a garota por tantos dias e não ter feito nada. É claro que ela enviaria espectros para mata-la e depois me executar. Eu deveria ter feito meu trabalho, como havia dito que faria. Mas, eu sentia que não iria conseguir fazer isso, para proteger Caelum, nem ao menos Kali. Não quando havia a esperança de mudar tudo, com a princesa ao nosso lado. Asha seria nossa salvação. Iria libertar nosso povo e eu realmente não desejaria o poder que Ária estava me oferecendo se eu matasse a princesa. Confesso que no início, parecia ser uma ótima barganha. Meu irmão estaria vivo e Kali também, além de um poder ilimitado, oferecido pela rainha. E teria como continuar meus estudos sobre magia, da forma que quisesse, sem restrições. Mas, algo como remorso tomou conta do meu ser e não consegui realmente dar cabo da vida da garota. Eu não poderia fazer isso. Ela me olhou com desespero, enquanto eu agarrava seu pescoço e tentava extinguir sua vida. Naquele momento eu percebi que não era talhado para ser um assassino. Não era nada pessoal, mas não queria aquela mancha. A princesa não tinha culpa afinal, pela minha má estrela. Eu perderia Kali, a não ser que barganhasse com a rainha, quando levasse a princesa para seu mundo de origem. Talvez, pudesse consertar tudo. Os dias se tornaram instáveis demais. Precisei usar toda minha força para manter a casa segura para ela. Além de receber constantes ataques psíquicos da rainha. Ela não estava gostando da minha interferência. E eu precisava levar a princesa para um local seguro. Só esperava que Artie chegasse logo com seu reforço. E agora, diante daqueles mortais inúteis, eu percebia que a rainha Ária estava passando dos limites para me atingir. Ela estava tentando minar minhas forças, assim poderia atacar. Tomas, o cara que parecia obcecado por Agnes, tentou forçar a porta do passageiro do carro e batia no vidro com o punho. Seu olhar era intenso e perigoso. Parecia querer me esfolar vivo. Seus olhos estavam em tom vermelho. Ele já havia sido tomado por um espectro, sendo seu fantoche, assim como os outros quatro caras ao lado do sedan preto. Esse seria um dia de cão. Forcei minha mente para abrir o portão de ferro e senti calafrios por tentar. Estava me forçando demais, além do limite. O portão se abriu e acelerei para dentro, mas não consegui fazer o portão se fechar. Eles estavam dentro do terreno e seria muito difícil fazê-los sair. Teria que mata-los. - Vá direto para a casa, Agnes - pedi para ela. - Eu não vou deixar você aqui - ela disse. Mas, seus olhos transmitiam medo. Ela estava apavorada. - Vá, você só vai me atrapalhar - ela me fitou com magoa, mas assentiu. Saiu do carro e correu, ao mesmo tempo que eu saia para enfrentar cinco caras, com seus corpos tomados por espectros. E carregando armas. Pensei se iria aguentar que meu corpo fosse perfurado por balas. Não seria bom, nada bom. Poderia ter a triqueta, que me colocaria imune a isso, mas estava consumindo demais minha energia, sem cessar. Eu teria que testar. Mentalmente, recorri a língua antiga dos elfos, para formar um escudo sobre mim, que não permitessem que eles me atacassem. Se eles tentassem atirar, ou avançar, seriam impelidos pelo escudo invisível. Só que eu não tinha pensado em Agnes. Escutei seu grito estridente. Olhei para trás e ela estava sendo arrastada pelos cabelos por Tomas. Logo, ouvi tiros em minha direção. A bala caiu do chão, assim que atingiu o perímetro da p******o. Eu precisava aguentar. - Esquecem, vamos leva-la - disse Tomas, puxando Agnes, que se debatia. Ele a jogou no chão e senti muita vontade de tirar sua pele. Talvez, pudesse usar em algum ritual - Você quer bancar a difícil, Agnes? Isso é só uma amostra do que vou fazer com você. Ele sorria, com prazer. Era sádico, lambendo os lábios, com um sorriso sinistro. Os olhos brilhavam, em tom vermelho rubi e atrás dele o espectro o comandava. Os dois tinham pensamentos similares. Se fosse um ser humano que não é corrompido, ele não seria facilmente tomado. Com um braço estendido, mantendo o escudo, com o outro, pensei em torcer os intestinos de Tomas, que caiu no chão de repente. - Vai para dentro, Agnes, agora - ordenei. Ela se levantou, com dificuldade e saiu correndo, subindo a varanda. A porta estava trancada e com um estalar de dedos, abri para ela. Ela entrou e fechou a porta e eu mantive um sigilo. Ninguém iria entrar lá. Eu só precisava me manter em pé. - Então, o feiticeiro quer bancar o herói - um dos caras disse, segurando a arma a pontada para mim - A rainha disse que você está pisando em um terreno muito perigoso. Vamos mata-lo aqui e a garota. Você teria servido melhor, se tivesse feito o que ela pediu, Kaelus. - Vão se ferrar - eu disse, com raiva. Tomas se levantava e estava prestes a subir a escada da varanda. Com a língua antiga, conjurei um círculo de fogo, que iria prender todos comigo no centro. O fogo iria queima-los e carboniza-los em um instante se tentassem escapar. Eles olharam um para os outros, em claro desagrado. Atiraram no escudo, irritados. Não iriam avançar sobre mim. Com toda força que ainda tinha, atirei uma bola de fogo contra os quatro, que começaram a pegar fogo e me virei. Tomas ergueu sua pistola e atirou. Por ter gastado demais energia, o meu escudo enfraqueceu. Senti a bala entrar em meu ombro, perfurando na carne, me fazendo recuar. Senti o braço latejar e a dor intensa. Pisquei algumas vezes, tentando manter o foco e o escudo novamente. - Você vai morrer, maldito feiticeiro - ele disse, com a voz alterada. Com toda a força que me restava, recitando a língua antiga, imaginei que Tomas era atingido pelo fogo e carbonizado. Cai de joelhos no chão, sentindo a visão fraca e pontos pretos me faziam perder a visão. Só via eles gritando, por causa do fogo. De repente, tudo ficou escuro. *** Quando consegui abrir a porta, sai correndo, escada abaixo. Kaelus estava deitado de barriga para baixo. Tomas e os quatro caras estavam carbonizados. a visão era repulsiva. Controlei-me para não vomitar. Me ajoelhei ao lado de Kaelus e o virei de barriga para cima. Fiz com grande dificuldade, já que ele era pesado. - Acorda - eu sacudi ele pelo ombro, mas Kaelus não acordava. O cheiro de carne queimada era h******l. Tentei não tocar nisso, não olhar e não ficar desesperada. Logo que vi Kaelus cair no chão de joelhos, depois desmaiar, o fogo se extinguiu. Mas, nenhum deles iria sobreviver as queimaduras de terceiro grau, com certeza. O ombro de Kaelus sangrava e um tom azul metálico. Suas orelhas estavam pontudos e sua pele era de um tom cinza azulado. Fiquei preocupada com ele. Kaelus me disse que só a magia poderia mata-lo, de fato. Mas, ele parecia muito m*l devido a bala cravejada no ombro. - Kaelus, vamos, acorda - implorei, tocando sua bochecha. Ele abriu os olhos, lentamente e me fitou. Seus olhos amarelos estavam desfocados e ele tentou levantar a cabeça, mas grunhiu de dor. - Fique parado, você tomou um tiro - eu pedi. - Há, que ótimo - ele disse, com a voz pastosa - Se você está aqui... - ele respirou fundo - Quer dizer que todos morreram. - Sim - afirmei, sentindo o estômago embrulhado. Ele não parecia se importar com as pessoas que matou e isso era assustador - Você não era invencível? Acreditei que conseguiria lidar com eles. - Não com cinco humanos, sendo comandados por espectros. Preciso de muito mais energia e concentração. E o fogo pode ajudar mais rapidamente, mas usa-lo me consome muito os poderes. Acho que estamos ferrados, Agnes - fiz uma careta ao ouvir isso - Você precisa ligar para Artie e ver o progresso dele. Precisamos sair daqui, agora. Assenti, puxando meu celular do bolso. Só esperava que nós tivéssemos exito. Somente isso.
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