Capítulo 13

2929 Words
- É ele? – perguntei, olhando para Artie que saia da sala de música. - Ele mesmo – confirmou Kaelus. Nós nos levantamos dos bancos em que estávamos sentados no corredor e Artie nos viu. Seu sorriso seu iluminou ao me ver, mas quando viu Kaelus, fechou seu semblante. - Não acreditei quando Thanys disse que você viria me procurar – ele disse, em tom seco. Mas, abriu um sorriso de novo, que não chegou aos seus olhos – Mas, tudo pela princesa – ele piscou para mim, deliberadamente. Eu não sei, mas começava a gostar de Artie. Ele era mais simpático que Kaelus, que disse que eu precisava ser útil. E depois, ignorou meu pedido para ir embora. Não abriu a porta da frente, dizendo que seu eu saísse sozinha, iria acabar com a cabeça decepada e não iria dormir bem com a minha morte. Disse tudo isso, de forma sarcástica. Um completo i*****l. Eu tomei uma decisão, ontem. Eu iria ajudar Kaelus, mas ele que não pensasse que iria ficar no reino onde ele vivia antes. Não farei isso. Mas, estou com ele agora, apenas porque houve mais uma tentativa de me matarem. Quando pisei os pés para fora da casa, um enxame de abelhas tentou me atacar. Eu poderia pensar que isso é uma coincidência, mas Kaelus disse que não. Ele disse que o método de Ária é controlar os elementos e os animais, principalmente insetos, para fazer seu trabalho sujo. Não envia só espectros, que nada mais são do que elfos que vivem no outro mundo e vem até aqui em forma de espectro para atacar. Eles deixam seu corpo físico no seu mundo e chegam aqui, usando parte dos seus poderes para atacar quem desejarem, assim, não precisam vir para nosso mundo. Até o momento, eu não entendi como meu mundo pode estar separado do dele. E bom, se eu iria fugir para outro lugar, não iria conseguir lidar com as ameaças que Kaelus enumerou. Havia várias mortes esperando para mim. Eu precisava dele, só por um tempo. - Não estou com tempo para seu humor, Artie – cortou Kaelus, colocando a mão nas minhas costas – E estou pouco inclinado a ser cordial, caso você pense em seduzir Agnes. Artie arqueou as sobrancelhas em um claro gesto de não estar entendendo a insinuação de Kaelus. Eu me afastei do toque dele, tentando impor distância. Depois da forma que me tratou, eu queria ficar o menos possível por perto. Inclusive, que me tocasse. - Eu sei me defender sozinha, Kae – eu disse, usando apelido que Artie deu para ele. Artie, ou o bardo, deu uma risada, claramente aprovado o que fiz. Kaelus me fitou de lado, com um olhar assassino. - Eu acho que você tem uma oponente a altura, Kae – provocou Artie – Gosto disso. Eu não iria ajuda-lo, devido a sua traição, mas por Agnes eu farei isso. Ele tomou minha mão, a beijando, sem tirar os olhos de mim. - Tem minha devoção, princesa. Kaelus deu empurrão nele pelo ombro. - Chega de seduzir a princesa – cortou ele, irritado – E você, não se atreva a me chamar assim. Não é por ser princesa que vou aturar isso. Ele parecia irritado por perder o controle e isso me divertia muito. - Kaelus, você precisa relaxar – eu provoquei – Agora, me expliquem o que podemos fazer. ** Artie entrou no meu carro, ficando no banco de trás, de forma emburrada. Claramente queria sentar no banco da frente, mas Kaelus entrou primeiro. Ele queria ter ido com sua moto para a faculdade e buscar Artie, mas eu sugeri que seria muito melhor se fossemos no meu Chevy. - Eu deveria dirigir isso – ele comentou, me olhando de soslaio, no banco do passageiro – Você dirigi muito m*l. Poderia nos m***r, quer dizer, se m***r. - Você não morreria também? – perguntei. - Sou imune a isso. Para isso que serve a triqueta – ele disse, apontando para sua garganta – Eu posso morrer por uma espada enfeitiçada, por causa de magia, mas nunca por causas humanas. Essa é a vantagem. - Entendi – eu olhei pelo retrovisor, vendo Artie – Você também tem isso. A triqueta. - Todos nós temos, princesa – ele respondeu, com um sorriso amplo – Quer uma também? Eu conheço um cara que tem tinta mágica e... - Não agora – Kaelus interrompeu – Só dirigi, Agnes. Eu dei partida com a chave e saímos do estacionamento da faculdade. Segui pelas ruas que Artie indicava estávamos chegamos em um bairro nobre da cidade. - Escuta, você vai para faculdade por qual motivo, Artie? Você é um elfo, tecnicamente – perguntei. - Tédio – ele respondeu – Nossa vida é muito mais longa que a vida humana, Agnes. A sua também vai ser. Você vai envelhecer, é claro. Enquanto não chegar ao nosso mundo, terá a aparência de uma humana e ira envelhecer igual. Quando chegar lá e comer ou beber com os elfos, voltara a sua forma real. - Espera, mas você tem a aparência humana – constatei. Ele passou o dedo indicador pela orelha direita e vi uma ponta nela, que não estava ali antes. Era redonda e perfeita em um instante e agora pontuda, como se fosse um elfo. - Sortilégios, querida – ele disse, com um sorriso perfeito – Eu posso me transformar no que eu quiser. Mas, se quer saber, sou muito mais bonito como elfo, não acha Kae? - Cala a boca – Kaelus retrucou, entediado. Ele se virou para mim, no banco – Agnes, pare de dar atenção a ele, ou vai acabar sendo enfeitiçada e enganada. É isso que ele faz. Um bardo mentiroso e elfo. Duas combinações terríveis. - Quer dizer que elfos não são confiáveis? – perguntei, voltando a olhar para a pista. - Somos confiáveis sim – protestou Artie – A diferença está no fato que fazemos acordos, só isso. Só que algo que nos beneficie mais. - Há, saquei – eu disse – Tipo Rumpelstiltskin? - Não somos duendes, Agnes, nem tão ardilosos assim – Kaelus disse, em tom ofendido – Somos bons negociadores. Apenas isso. - É certo que vocês só queriam festejar e f********r? – perguntei. - Verdade – confirmou Artie, com um sorriso sacana. Ao mesmo tempo que Kaelus disse: - Mentira. Isso é lenda. Uma bem distorcida pelos humanos. - Eu quero fazer isso – Artie disse, mordendo os lábios – E se a princesa quiser... - Artie, ou você cala essa boca, ou eu vou ai atrás e socar você – Kaelus ameaçou. Eu comecei a dar risada e pelo retrovisor, Artie ficou calado, mas seus olhos brilhavam para mim. Finalmente chegamos no prédio onde ele estava morando. Era um lugar luxuoso, o que me fez pensar como ele conseguiu aquilo. - Fácil – ele respondeu, quando eu perguntei – Posso transformar qualquer coisa em ouro. Mas, minhas músicas são conhecidas por outro nome. Então, eu ganho direitos autorais por elas. A cada década, eu invento um nome e consigo fama. - Você é tipo alquimista? – perguntei, dando risada – Achei que isso não pudesse ser real. - Tipo um alquimista? – ele perguntou, sem entender. - O tipo de mago que transforma chumbo ou pedras em ouro – Kaelus respondeu – Não somos isso. Apenas transfiguramos o objeto, assim como qualquer ser que porte magia. O único problema e que se quem transformou esses objetos em ouro, ou dinheiro, se morrer, a magia que continha neles se perde. Mas, é muito difícil ser um problema maior para um ser humano, pois eles vivem em média oitenta anos. Nosso povo vive mais de mil anos. Entramos no elevador e Artie apertou o décimo andar. - Não é possível viver tudo isso – eu disse, incrédula – Isso não é possível. - Ah, é possível sim – disse Artie – Eu ainda estou só começando. A porta do elevador se abriu e saímos para um corredor acarpetado, com duas portas de apartamentos. A de Artie era a 1002. Ele abriu a porta com um cartão magnético e entramos. A primeira impressão é de que estava em um museu. Havia quadros nas paredes, de pintores conhecidos, com Rembrandt, Van Gogh e Picasso. Outros, que nunca vi em minha vida. As paredes eram revistas em tom mogno, o que deixava com aspecto escuro o local. Havia uma sacada, com as cortinas abertas, deixando que a claridade entrasse. A entrada era enorme espaçosa, com quatros sofás em tom creme, em volta de uma mesa de centro. Uma TV, finíssima, com muito mais de 55 polegadas, estava pendurada na parede perto da sacada. E havia plantas, muitas plantas que não reconheci, em vasos e penduradas no teto. - Bem vindos ao meu humilde chateau – ele disse, com um sotaque francês, erguendo os braços – Gostou, princesa? Dei risada e observou tudo. Havia uma porta de correr de cada lado da sala. Estavam abertas e mostravam outros cômodos. - Qual é tamanho disso? – perguntei. - Ah, uns cem metros quadrados. Sabe que eu não sei? – ele colocou a mão o queixo, pensativo – Mas, essa é a vantagem de se ter uma casa grande e bonita. Gosto de dar festas. - Não estamos aqui para conhecer sua casa, Artie – interrompeu Kaelus, de forma seca – Agora que estamos em um lugar seguro para conversar, vamos ao nosso plano. Eu espero que tenha feitiços de sigilo nesse lugar. - Com certeza tem, mas antes, queria mostrar a casa para Agnes. Nunca estive tão perto de alguém da realeza – ele disse, fazendo um biquinho. Vi Kaelus revirei os olhos. - Não temos tempo para isso. Por que não veio até mim, como instrui a Thanys? – ele perguntou, começando a se irritar. Era bem nítido. Ele apertava os punhos, em posição de combate, como se quisesse voar em cima do seu oponente. Que no caso era Artie. - Eu disse que estaria mais confortado em meu território. Não sei se posso confiar em você. Aliás, acho que eu poderia tomar conta da princesa – ele piscou para mim. - Você? Tomar conta dela? Vai matá-la e se m***r facilmente – ele zombou, relaxando os ombros e indo se sentar em um sofá – Muito bem, se quer mostrar a ela seus domínios, vá. Vou aproveitar o luxo que você tem aqui. Só tome cuidado, Agnes. Ele gosta de seduzir. É essa sua natureza – Artie fingiu estar ofendido, colocando uma mão em seu peito. Kaelus cruzou as pernas, relaxado, mas atento. Puxou um cigarro do bolso e acendeu com o zipo. O seu cheiro de cravo característico exalou no ambiente. Artie me puxou pela mão, parecendo muito contente e me ter por ali. Ele abriu uma porta de correr de madeira e me guiou por um corredor. Não tinha soltado minha mão ainda. Eu tentei puxar, mas ele continuou a segurando. - Está vendo esse quadro aqui – ele indicou com a cabeça – Ganhei da rainha Vitória. Eu adorava tomar chá com ela. Era uma pintura de Da Vinci, Dama com Arminho. Era uma mulher com uma renda escura sobre a cabeça, segurando uma doninha nos braços. Como aquela pintura foi parar no acervo da rainha, eu não sabia. Talvez, fosse uma réplica. - E esse aqui – ele apontou para um quadro de Rembrandt. Era um quadro representando uma aula de anatomia – Eu consegui em um leilão. - E são todos verdadeiros? – perguntei, tentando não ser irônica. - Não sei – ele deu de ombros – Mas, gosto do que a humanidade pode fazer, com seus dons divinos. São todas criaturas deliciosas em sua forma de pensar. Eu achei estranho o fato de ele falar dessa maneira. Eu me sentia bem humana, e não apetecível. O corredor, que tem um tom bege nas paredes, com papel de parede de flores terminou em uma porta de madeira cheia de floreios e maçaneta dourada. Ele a abriu e estávamos em outra sala similar a anterior. Ele mostrou a cozinha, que ficava depois de uma porta de correr de madeira. Era enorme, com utensílios domésticos modernos e fogão industrial. - Você come? – perguntei, surpresa. - É claro que como – ele disse, rindo – Eu preciso de nutrientes, não tanto quanto um ser humano, mas preciso da energia vital deles. Muitos elfos não vivem como eu, pois não precisam disso. Apenas estão vivendo na natureza, absorvendo a energia de plantas. Mas, eu não me contento só com isso. - Você come carne? – perguntei, curiosa. Parecia que elfos não fariam algo assim. Eu pelo menos tinha essa ideia. - Depende. Se eu tiver vontade – ele deu de ombros – Elfos comem o que quiserem, Agnes. Você é uma também, não deve se esquecer - Ignorei essa última informação. Eu não era elfa. Nunca seria – E também há algumas raças que comem somente plantas. Outros que absorvem energia dos alimentos. Enfim, eu não sou um deles que não comem carne. Caminhamos lado a lado dessa vez. Ele parou com o irritante contato com minha pele e parecia solitário. Da cozinha, tinha uma porta para outro corredor, também decorado. Era um padrão cada cômodo e corredor, ter quadros, plantas e vasos diferentes de tamanhos e cores. Ele parecia ser fascinado por objetos de arte e cada um tinha uma história, que ele contava com entusiasmo. Ele me mostrou os quatro quartos da casa, que estavam localizados depois da cozinha, dois com suíte. E quando chegou no quarto dele, ele deitou na cama king size, com lençóis de seda, na cor preta. Havia um espelho no teto. Procurei no quarto algo indicio de que ele teria algum fetiche s****l, como brinquedos de s*x shop ou até mesmo uma barra vertical para pole dance. Mas, não havia nada parecido com isso. O quarto era apenas confortável, com um divã vermelho, sem TV e quadros espalhados pela parede. Aquele quarto tinha decoração de parede azul. E o chão era acarpetado, não de madeira como o restante da casa. E no banheiro, havia uma hidromassagem. Ele chegou por trás de mim, beijando minha bochecha e eu me retraí, saindo de perto dele, para fora do banheiro. - Não gosta da minha companhia? – ele perguntou, com um sorriso fraco, mas em seus olhos havia insegurança. - Eu não gosto que tentem me beijar ou me tocar, Artie – respondi, sincera – Será que você pode mantar suas mãos fora do meu alcance? Ele caminhou até mim, pegando uma mecha castanha dos meus cabelos e enrolando nos dedos. Sorria amplamente. - Posso tentar, se você me der o que quero – disse, com uma conotação estranha nas suas palavras. - Não vamos barganhar nada, Artie – me afastei dele e abri a porta do quarto. Estava trancada – Não gostei da brincadeira. Abra a porta. Ele ainda sorria, mas um pouco contrariado e a porta destravou, de repente. - Como você fez isso? – perguntei, esquecendo da raiva que estava sentindo dele. - Fácil. É só recitar as palavras ou pensar nelas, que tudo acontece – ele disse, se aproximando de mim novamente. Abri a porta e ainda depressa pelo corredor, me afastando dele. Segui pela direção contraria da cozinha e sai na primeira sala de estar. Aquela casa eram construída em um círculo? Pelo menos, era o que parecia. Todas os cômodos se interconectavam. Kaelus estava sentado no mesmo lugar, com seu livro de couro preto aberto sobre o as duas mãos. Parecia concentrado na leitura. Atrás de mim, Artie chegou, tocando minhas costas. Me afastei o máximo que pude, indo para sacada. - Já se divertiram? Estamos sem tempo para seus joguinhos sexuais, Artie – disse Kaelus. Eu fiquei vermelha de vergonha – Como ele conseguiu te conquistar, Agnes? Jogou o velho charme de que está solitário? - Eu conquistei ela com meu lado charmoso. E não estou solitário – Artie se defendeu, mas sem perder o bom humor. - Ninguém conquistou ninguém. E Artie, ou você para com essas insinuações, ou vou colocar fogo em você – ameacei. Kaelus fez um tipo de barulho, como se fosse um silvo. Artie deu risada. - Parece que a raiva é seu gatilho para ativar seu poder ancestral – disse Kaelus, pensativo e se levantou do sofá – Poderia testar com Artie. Eu não ficaria triste se ele carbonizasse. - Olha, assim você magoa – Artie imitou uma voz dolorida – Princesa. Sabe que me apaixonei por você desde o primeiro instante. Não pensa em me m***r, não é? Eu sou seu leal súdito. - Então, vai manter suas mãos de elfo longe de mim, por favor – pedi. - Estou realmente começando a ter pena de você, Artie. Esse foi um fora daqueles – Kaelus provocou. - Não foi um. Não estou sendo rechaçado. Apenas vou precisar afastar e tentar outra estratégia para ter o coração dela – ele retrucou, em seu tom jovial. - Ok, vamos agora ao ponto em que você me ajuda. Já teve seu tempo com Agnes – Kaelus disse - Fiz o que você queria, agora nos faça sair desse país. Preciso chegar a Irlanda. - Quer ir de jatinho ou de classe econômica? – Artie perguntou, em tom de deboche. - Vou fazer você voar e você vai me carregar. Pode ser? Só arranje o transporte e amigos para nos manter invisíveis aos espectros da rainha. - Como quiser – Artie disse, fazendo uma reverência. 
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