Capítulo 12

3284 Words
Kaelus trancou as portas e começou um ritual estranho. Andava pela casa com um pentagrama no pescoço e murmurando palavras estranhas. Colocou sal nas portas, janelas e parecia que algo mudava no ar enquanto andava. Parecia que uma energia estranha rondava sobre ele, um brilho estranho. Seus olhos estavam amarelos ouro e isso me confundia muito. Eu não poderia negar que havia visto uma criatura mágica, tentando me m***r, mas aceitar que Kaelus também era um deles era demais. Eu queria ir embora e ter minha vida de volta. Não queria ficar ali. E quando ele parou com seu ritual estranho, interpelei ele no corredor, com Ravena no meu colo. - Kaelus, eu acho que é melhor eu ir embora – eu disse – Talvez, eu posso ir para California, morar com a minha amiga Dasha. E você não correra perigo. Ele negou com a cabeça, sério. Seus olhos voltavam ao tom escuro natural, mas sua pele tinha um tom acinzentado estranho. E ele parecia muito mais bonito do que o normal. - Não, Agnes – ele disse – Você não terá qualquer chance de sobreviver. Ainda não está desperta e é com isso que devemos no preocupar no momento. Precisamos de um lugar seguro, contra fadas, elfos, feiticeiros e espectros – ele disse, pensativo. - Isso não pode ser real – eu disse, segurando com mais força Ravena. Ela me arranhou no braço e deixei que ela descesse para o chão. - É real goste ou não, Agnes – ele disse, em um tom seco – Tão real que se você não souber diferenciar quem são humanos, dessas criaturas, eles vão conseguir levar você até a rainha Ária. - Quem diabos é rainha Ária? - Ela é que comando o exército vermelho. Uma mulher c***l e sanguinária, que matou o próprio tio, para ter poder. Ele era o rei na época e estava sendo manipulado por ela, para entrar em guerra com o irmão. E não pense que ela será amável com você, nem gentil. Pode ser uma princesa, mas ela quer você morta. Então, não, você não vai ficar sozinha agora. - Você não me queria morta, Kaelus? Eu não consigo entender metade das coisas que você está falando e estou confusa com você ter mudado de lado ou decidir me manter viva. Ele me fitou com esgar e tocou meu queixo. Seus olhos negros pareciam dois buracos negros, prestes a me engolir. Fiquei desconfortável. - Eu disse que não queria você morta, mas tinha meus interesses. Eu tenho outro plano para você agora. Mantê-la viva e treina-la. E você vai me trazer de volta o que quero. Pode confiar em mim, mas não seremos amigos. Não confie nisso. Ele se afastou e foi para a sala. O segui, me sentindo indignada. - Por que você age assim? – perguntei. Ele estava empurrando uma dobradiça. Escutei um clique no ar e uma passagem se abriu na parede, ao lado da lareira. Havia um corredor escuro adiante na passagem. - Assim como? – ele olhou por cima do ombro. - Você age como louco. Ontem nós conversamos amigavelmente. Hoje, sou apenas sua barganha, seu interesse para alcançar o que deseja. Ele suspirou, voltando a olhar para frente, de costas para mim. - Eu não quero que se acostume comigo, Agnes. Não estou do seu lado, nem do lado de Ária, se quer saber. Tenho meus interesses de que essa guerra acabe. Você vai trazer a paz que precisamos e eu vou ter de volta o que preciso. Sua voz parecia dolorida, como se algo tivesse sido arrancado dele. Me aproximei, erguendo a mão para toca-lo, mas não fiz isso. Ele não queria minha amizade. Baixei a mão para meu quadril. - Ok, não precisamos ser amigos, mas precisamos nos entender aqui. Preciso de respostas. Preciso entender o que esperam de mim. Entender tudo isso do início. E se quer saber... – eu queria dizer que não queria nada disso. Queria ser normal como era antes, pelo menos tão normal quanto era. Não queria ser princesa e fazer parte de uma guerra insana. Mas, estava cansada de olhar para as costas dele – Pode se virar? É irritante falar com alguém que não me olha nos olhos. Ele se virou para mim, com um olhar cansado. Bom, se ele estava assim, eu também estava dos seus joguinhos e mistérios. Queria respostas e iria conseguir hoje. - Continue – Kaelus disse, com uma voz preguiçosa. Estava me provocando. - Eu só quero que saiba que não estou concordando com isso. Não quero fazer parte do seu plano ou tentar parar uma guerra, ou seja lá o que for isso. Quero minha vida de volta e se você quer minha ajuda, vai ter que me ajudar também. Seu sorriso se tornou ferino. Havia um quê de selvageria nele. - Primeiro passo para tomar o controle da situação, negociar. Parabens princesa – ele zombou. Queria estrangula-lo, mas me limitei a devolver meu olhar cínico, que Caitlyn sempre pediu para que eu não fizesse. Ela não gostava de ser afrontada. E esperava que isso me fizesse forte diante de Kaelus – Muito bem, o que você quer para “me ajudar”? – Ele frisou isso, com os dedos, como se eu fosse obrigada a isso. Como se eu tivesse que aceitar meu destino. - Primeiro, eu quero minha vida de volta, quando isso tudo terminar, seja lá o que for. Eu quero ir para faculdade, me formar, ter um emprego, um vida estável. Segundo, quero que me explique exatamente o que tenho que fazer e me dizer que p***a está acontecendo. Porque isso tudo não faz o menor sentido e estou começando a acreditar que nós dois estamos loucos. Talvez, você seja mais que eu, por agir como se fosse um feiticeiro ou coisa assim. Ele assentiu, lentamente, mas ainda sorria de forma debochada. - Quanto a segunda condição, eu irei contar tudo a você. Era o que estava tentando fazer desde o início. Só peço que pare de tomar esses remédios, eles inibem seu poder psíquico e de enxergar tudo com mais clareza. Quanto a primeira condição, infelizmente, quando você entrar no seu reino, de onde você não devia ter saído, não vai poder mais voltar. Não há mais vida normal ou humana. Aquilo estava ficando bizarro demais para mim digerir. Meu reino e vida humana? Não devia ter saído do meu reino? - Se não pode atender meu primeiro pedido – disse sarcástica – então não quero fazer parte disso. Se vire para recuperar seja lá o que precise. Seu rosto se transformou em uma carranca. Mas, isso não me intimidou. - Agnes, você não tem escolha quanto a isso. Ou vem comigo e eu oferece p******o a você, ou vai ficar sozinha e ser morta. Tanto faz pra mim – ele deu de ombros, mas estava claramente nervoso. Eu via isso pelo jeito que seu maxilar estava retesado e sua pálpebra direita tremia. Ele estava se controlando, de alguma maneira. Não sei se por respeito a mim, ou por querer me manipular a fazer o que queria. - Tá, tanto faz pra mim também. Eu vou nessa – eu disse, dando as costas para ele. Ele não me seguiu. Fui até meu quarto no andar de cima e arrumei minhas coisas. Dei um beijo em Ravena e pensei em leva-la comigo. Kaelus não parecia se importar com o animal. E nem dar comida. Não havia um pote de água ração para ela. O que ela comia afinal? - Quer vir comigo, Ravena? – perguntei, olhando para ela. Estava deitada na cama, lambendo a pata esquerda – Acho que sim, não é? A peguei no colo e puxei minha mala de rodinha junto e no ombro, minha bolsa de couro, com notebook. Desci as escadas com dificuldade e tive que deixar Ravena no topo da escada. Ela me seguiu, de forma elegante, deslizando pelos degraus na cor bordo. Cheguei até a porta da frente e tentei abrir a maçaneta, com desenhos estranhos em sua volta. Era de tom dourado e não havia notado ela antes. A porta não se abriu. Ótimo, teria que pedir a chave para Kaelus. Deixei tudo na entrada e fui para a sala. Tudo estava silencioso, sem o menor sinal da presença dele. A passagem tinha se fechado. Aproximei-me da lareira e encostei a mão na parede, ao lado dela. Tateei alguma dobradiça, algo que fizesse a porta abrir magicamente. A parede era de gesso, mas conforme eu passava a palma sobre ela, senti o fundo falso, de madeira. Empurrei ela se abriu de lado, como se tivesse um mecanismo ativado por roldanas. Peguei meu celular dentro da calça jeans e acendi a lanterna. Olhei para trás e vi Ravena parada, fitando o corredor, logo atrás de mim. - Eu não deveria não é? – perguntei a ela. A gata só me olhou com seus olhos amarelos e enigmáticos – Mas, eu vou sim. Nós vamos sair daqui, Ravena. Eu segui pelo corredor, com a luz fraca da lanterna do celular e iluminei o caminho. O cheiro era acre conforme eu andava e parecia muito mais abafado e quente ali. Ravena passou por mim, rapidamente, guiando o caminho. O chão começou a se inclinar e vi uma descida íngreme. Continuei pelo caminho, deslizando no chão arenoso. Tive que me segurar nas paredes de pedra e parecia que o lugar não teria fim. O chão começou a se tornar plano de novo e encontrei uma porta. Empurrei a maçaneta e o local inteiro se iluminou. Era um corredor curto e estreito. A frente havia uma sala enorme. Havia várias estantes e livros e não conseguia encontrar de onde emanava a luz. Um lustre enorme pedia de cima e conforme passava pelas estantes altas, de tom marrom, vi que elas estavam dispostas em um círculo. Havia um espaço aberto, com algumas mesas e um pentagrama no meio, com símbolos estranhos ao redor. Kaelus estava sentado em uma das mesas, com um livro aberto e havia mais alguém lá com ele, a sua frente, sentado. Tinha cabelos loiros e longos, batendo nas costas. Achei que poderia ser uma mulher, mas quando virou, era um homem, com um rosto perfeito e olhos violetas. Vestia uma túnica escura, que ia até os pés. Ele sorriu de forma encantadora. - Então aqui está nossa princesa – ele disse, se levantando e fazendo uma reverência – Sou Thanys, ao seu dispor – ele se ergueu, olhando em meus olhos. Seu olhar era tão profundo e sábio, que me senti desconsertada. Franzi o cenho, sem entender o motivo da formalidade. Mas, se Kaelus estava falando a verdade, sou da realeza. Ele nem fez questão de olhar para mim, concentrando em seu livro. - Não precisa de tanto formalidade. Sou apenas Agnes. Agnes Davies – eu me apresentei. - Agnes – ele repetiu meu nome – Seu nome era outro, quando nasceu. - E qual era meu nome? – perguntei, tentando não ser irônica com ele. Thanys parecia sério e não uma pessoa que estivesse brincando comigo. - Depois, Thanys – Kaelus cortou, fechando o livro – Primeiro, preciso saber para onde posso ir agora. A rainha Ária deve estar a minha procura e aqui embaixo é o único lugar seguro para nós, devido ao sigilos antigos e dos feiticeiros. Mas, não posso ficar aqui pra sempre. Thanys se virou para ele. - Bom, você pode levar a princesa com você para Irlanda. Há uma comunidade inteira de elfos lá. São muito numerosos e conseguiram fazer uma barreira invisível. Mas, quando irá leva-la para nosso mundo de origem? Aquilo tudo era confuso para mim. Ouvir sobre elfos e que eles realmente existiam era demais. Precisei sentar em uma cadeira, próximo a eles. - Não há como chegar por um portal? – Kaelus perguntou – Eu sei que é difícil para você fazer isso, mas não custa perguntar. - Eu posso tentar, mas isso esgotaria muito minha magia. Estar aqui desse lado me tirou muito dos meus poderes. Vou precisar falar com Artie. - Ele? Não, por todos os deuses. Ele é um maldito bardo. - Com sangue mágico e com amigos que podem nos ajudar – esclareceu Thanys. Kaelus mordeu os lábios e parecia pensativo. - Fale com ele, mas não me peça para ficar próximo dele. Já estou sendo punido o suficiente por ter traídos os meus. - É isso que não entendo, Kaelus – Thanys disse, com pesar – Por que ajudou a rainha Ária? Ela está dizimando nosso povo, destruindo o equilíbrio. Se ela continuar, o caos ira reinar e todos estaremos mortos em poucas décadas humanas. Ela virá para esse mundo também. Não pense que estamos protegidos no mundo humano. Kaelus suspirou, cansado. Passou a mão pelo queixo fino, pensativo. - Eu sei que dei um passo errado. Mas, Caelum era tudo para mim. Meus pais, Kali...- ele se calou, com um olhar triste – Eu não devia ter cultuado tanto a magia n***a. Mas, é isso que sou, Thanys. Eu preciso de conhecimento e o poder... - O poder o corrompeu – Thanys completou – Mas, você ainda pode consertar tudo. Espero que eu consiga contato com os nossos na Irlanda. De lá, vocês pode ver como levar a princesa. Não sei como a rainha Ária conseguiu decifrar os livros em elfo antigo, que falavam sobre como voltou ao nosso reino de origem. Isso é realmente incrível. Poder voltar para casa, sem ter o poder limitado é surpreendente. - É, tudo está escrito aqui, Thanys – ele bateu com a ponta do dedo indicador no livro de couro – Pelo menos, os rituais que podemos fazer para voltar para casa. Pedras mágicas existem em vários pontos do planeta. A nossa melhor chance é a Stonehenge, no Reino Unido. Se fizermos o ritual certo, podemos voltar para casa. Você vira conosco? - Eu não sei se é algo que eu gostaria de fazer. Já faz trezentos anos que fui embora, Kaelus. Não há motivos para voltar. - Há sim. Uma guerra muito pior do que há que foi vista, há trezentos anos. Eu sei que você fugiu, pois não havia mais nada a ser feito. Mas, dessa vez, será útil. Sua força irá ajudar muito mais. Precisamos ter fortes e derrubar o governo de Ária. Se conseguirmos aprisiona-la e tomar o cetro de volta e dar a princesa o que é de direito, nossa vida voltara a ser como antes. - Não é assim que funciona, Kaelus. A princesa pode portar o cetro, mas isso precisa vir da vontade dela. E não é esse objeto mágico que nos trará paz. Aqueles que apoiam Ária vai se insurgir. - E a profecia que fala sobre a princesa que irá trazer a paz para nosso povo novamente? – Kaelus estava frustrado e gesticulou para mim – Ela é a princesa. Eu tenho certeza. Procurei os sinais. Ela enxerga o mundo das fadas, enxerga os elfos. Conseguiu com seu próprio poder desintegrar um espectro com fogo. Aquele portar esse elemento é da realeza, Thanys. Muitos elfos precisam usar da língua élfica para poder manifestar essas forças. Ela não. Foi natural. - Eu não usei fogo em ninguém – eu me defendi – Eu não fiz isso. - Fez, Agnes. Eu observei você por anos, tentando saber se você era a princesa perdida – ele disse, me fitando fixamente – Um espectro da rainha entrou na sala de aula, da sua antiga cidade e você o viu. Não se lembra disso? Eu neguei com a cabeça. Aquele dia estava confuso. Depois daquilo, fiquei internada, sedada e diagnosticada com esquizofrenia. - Não sei do que está falando. A sala pegou fogo e muitos dizem que fui eu – Mas, eu não me lembrava de carregar um isqueiro para escola, nem um fosforo. Como eu iria fazer uma sala pegar fogo? - Pense Agnes, pense. Você não tinha nada inflamável em suas mãos, tinha? – ele me instigou. Eu neguei com a cabeça – E você não se lembra de mim, de ter me visto, espreitando nos corredores? Não lembra de uma sombra passar, com olhos vermelhos e entrando na sala? Eu estava o seguindo aquele dia. Só você enxergaria a nós dois, só você. Tente se lembrar, Agnes. Fechei os olhos, tensa. Minha cabeça doía, somente de tentar. Algo estava barrando a lembrança. Abri os olhos, atordoada. - Deixe a princesa em paz, Kaelus – Thanys interveio, se aproximando de mim e tocando minha testa – Sua mente está confusa, querida. Não force mais isso. - Mas, ela precisa se lembrar, Thanys. É direito dela saber qual é seu poder e lugar de origem – Kaelus protestou, se levantando – Ela precisa ser útil. Aquilo me feriu. Caitlyn sempre dizia que eu precisava ser útil e não ser um peso para ela. Que ela não seria boa como Katherine, pois não tinha essa obrigação comigo. Mordi os lábios e controlei a fúria que me consumia. - Kaelus, está insultando a princesa. Não se esqueça do seu lugar – Thanys disse, severamente – Não faz parte da nobreza, muito menos deve se dirigir assim a ela. Precisa entender também, Kaelus – ele andou até a mesa, onde Kaelus estava parado e ficou de costas para mim. Seus cabelos dourados brilhavam – que não é por causa de uma profecia que ela poderá nos salvar. O m*l está em nossos corações. Pode entrar e sair governantes, mas o m*l estará ali, como uma semente pronta para ser adubada. Não é no momento que a princesa tocar o cetro, que tudo irá voltar a ser como antes. - Você não acredita em Daphne? Ela previu isso. Ela viu que iria nascer uma criança no reino, que não teria o sangue azul, mas vermelho. Que sua pele seria de alabastro e que traria o caos. Isso se confirmou. É Ária. - Daphne nunca erra em suas previsões, Kaelus – Vi Thanys colocar a mão no ombro dele em gesto paternal – Mas, o cetro não tem o poder de trazer paz. Muito menos uma princesa. Vários governantes seguraram aquele cetro, Kaelus. Vários. E mesmo assim a guerra veio para nosso povo. O rei Norian era muito bom de coração e mesmo assim não conseguiu conter a própria irmã. - Então, quer dizer que ter a princesa conosco, não irá fazer a guerra parar? – ele perguntou, em tom amargo. - Não. Mas, vocês podem usar o medo que Ária tem da sobrinha para conseguir vencer. Use essa estratégia. Treine a princesa para ser forte e destemida. Um líder precisa ser temido por seu inimigos, por mais que eu não concorde com isso. - Esse é problema, você seguiu pelo lado pacifico. Assim como nosso povo e outros mais fortes se insurgiram. Por isso, perdemos. Por isso, caímos. - Eu não quero discutir isso com você, nem o que vi. É muito jovem – Thanys disse, se virando para mim – Foi um prazer conhece-la, alteza. Mas, eu preciso ir. Vou providenciar a ajuda que precisam. Vi Thanys entrar por entre as estantes e desaparecer. Kaelus voltou a se sentar na mesa e abriu seu livro de couro, o mesmo que carregava na faculdade. Eu ainda precisava dizer a ele que não iria fazer parte disso. Que queria que ele abrisse a porta para mim, mas não fiz isso. Apenas me sentei na cadeira de novo, tentando assimilar tudo que escutei. E Ravena veio a o meu encontro, se esfregando nas minhas pernas. A peguei no colo e acariciei seu pelos entre meus dedos. Precisava me decidir quanto ao meu futuro, o mais breve possível. 
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD