Capítulo 6

1066 Words
No dia seguinte, peguei meu Chevy e parti para a faculdade. Caitlyn não me perguntou se eu estava bem e se precisava de algo. Simplesmente disse: que bom que você está bem. Nada mais afetuoso de sua parte. Eu torcia para arranjar um lugar só meu. Estava esperando que Alyssa se decidisse em dividir um apartamento comigo, assim poderia não ser um peso para Caitlyn. Estacionei o carro e pude ver duas vagas depois a moto preta que havia visto no primeiro dia de aula. Fui para o prédio da ala norte e assisti uma aula de História do teatro. Depois voltei ao prédio da ala leste e passei pelo caminho arborizado, onde havia esbarrado com o cara estranho. Ele não estava ali hoje. Tive mais uma aula de canto, dança e representação de personagens. E mais uma vez fui emparelhada com o cara loiro. Finalmente eu sabia seu nome, pelo menos. Artie era muito efusivo em cena e sempre que podia, estava sorrindo para mim de uma maneira charmosa. Começava a gostar dele, mesmo sendo irritante. - Uau, você toca muito bem o piano – ele me elogiou, na sala de música – Essa música é muito bonita. Ele se sentou ao meu lado no banco e começou a dedilhar uma melodia muito bonita e profunda. Fiquei admirada ao ouvi-lo. Algumas garotas que estavam esperando para treinar se aproximarem. Ele continuava sorrindo amplamente para todas elas. Depois que terminou a música, olha para mim, expectante. - O que achou? – ele perguntou. - Muito bom – respondi – Uma música muito bonita. - Meu pai compôs essa – ele disse, com certo orgulho – É muito mais do que bom. Revirei os olhos e me levantei. Ele também fez o mesmo. Sai da sala, pois a aula já havia acabado e Artie me seguiu. - Ei, espera. Disse algo errado? – ele perguntou, enquanto descíamos as escadas. - Não que eu saiba – respondi, chegando ao patamar e me dirigi a saída do prédio. Ele me segurou pelo antebraço, me fazendo parar. - Não quer almoçar comigo? – perguntou, piscando seus olhos castanhos. Seu sorriso era convincente, como se eu fosse aceitar isso. Soltei o braço e respondi: - Não obrigada. Vou trabalhar agora. Escutei ele suspirar atrás de mim, mas não dei tempo para resposta. Não queria caras como Artie na minha vida. Era o mesmo sorriso que Tomas me dava quando queria algo. Ainda era meio dia e almocei no prédio central. Saí rápido, pois Artie entrava com o cara moreno, que parecia ser seu amigo. Ele olhou para mim com o mesmo sorriso, mas eu desviei o olhar e segui pelo corredor, subindo as escadas para a biblioteca. Escolhi um lugar perto da janela e fiquei lendo um livro indicado pelo professor de história do teatro. Estava tão entretida que não escutei que alguém sentou ao meu lado e abriu o notebook. Desviei a atenção do livro e primeiro vi uma mão cheia de tatuagens. Parecia uma escrita estranha e elegante. Não saberia dizer o que significavam. As tatuagens continuavam até o pulso e eram escondidas por uma camisa preta de manga longa. Olhei para cima e pude ver o cara que havia me salvado na estrada e que levou o gato consigo. As tatuagens no seu pescoço e garganta eram muitas. - Oi – ele disse, sem desviar o olhar da tela do computador, enquanto digitava e olhava para um livro ao lado. - Oi – respondi. Minha visão foi atraída automaticamente para o livro que ele parecia consultar. Pude identificar alguns símbolos estranhos, como pentagramas e uma cruz estranha, com uma bola no meio. Tentei ler e pude entender que significava o símbolo da vida. Um amuleto muito poderoso para obter a vida eterna. Franzi o cenho. Aquele cara ia até ali para estudar ocultismo? Acho que ele percebeu que eu estava olhando e fechou o livro. Endireitei-me e voltei ao que estava fazendo, mas não conseguia ler. Sua presença era muito intensa. O cheiro de cravo recendia dele. - Você parece bem interessada no livro – escutei sua voz, em leve tom de ironia – Está de ponta cabeça. Eu virei o livro para mim e percebi isso. Estava apenas fingindo ler, pois não sabia o que fazer com ele ali. Fechei o livro e o encarei. - O que fez com o gato? – era a única pergunta que vinha a minha mente no momento. Ele parecia impassível. Seus dedos longos tocaram o livro que carregava, com uma capa preta, de couro. Não havia nada escrito nele. - Fiz o que tinha de fazer – respondeu seco. Assenti, sem querer perguntar o que exatamente. Era óbvio que ele iria enterrar o animal e não fazer um ritual com ele. Mas, o cara era estranho. - O que significa a triqueta para você? – perguntei e ele franziu o cenho, sem entender – Na sua garganta, tem uma triqueta. Ele levou o dedo indicador até o desenho e parecia pensativo. Não olhava para mim, diretamente. - Significa que estou em três mundos – ele respondeu. - Três mundos? – perguntei, sem entender. - O mundo mágico, o mundo mortal e o mundo infinito. - Mundo infinito? – poderia saber o que significava os dois primeiros. O mundo mágico seria as coisas que ele acredita, dentro do misticismo e o mundo mortal é o mundo em que vivemos. Mundo infinito não fazia sentido. - Significa que tenho a vida imortal em minhas mãos – respondeu. Fiquei sem entender o que dizia. Era tudo muito estranho. Ele voltou a olhar a tela do computador e depois me fitou novamente. - Quer tomar um café? – convidou. Eu queria sair com um cara como ele? - Não, obrigada – respondi, me levantando. Peguei meu livro e notebook, colocando na bolsa e coloquei a alça sobre o ombro. Ele se levantou, ao mesmo tempo. Parecia perdido, como se não soubesse o que fazer. - Que tal amanhã? – perguntou. Ele parecia incomodado, como se não quisesse fazer a pergunta. E aquilo era enervante. Ele era muito bonito e misterioso, mas se não parecia contente em me convidar para sair, eu não iria aceitar. - Não, obrigada – respondi. Sai da biblioteca, tendo a sensação enervante de que ele ainda olhava para mim e estava em pé, parado no mesmo lugar que o deixei. 
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