Naquela noite, depois de tudo, eu voltei pra casa sozinho. Deixei a caminhonete estacionada na garagem da casa nova, aquela que eu comprei pensando na Ayla, do ladinho do hospital. Mas naquela hora, eu não era o Dante da loja, nem o Dante que levava flores. Eu era o cara do morro. O que limpa a sujeira com sangue. O que faz justiça do jeito que o sistema não faz. Me joguei no sofá da sala, sem nem acender a luz. A casa tava toda quieta, só o relógio da cozinha fazendo aquele tic tac irritante. Tinha cheiro de lavanda no ar, daquelas bolinhas que a mulher da imobiliária colocou nos armários. Tudo muito certinho, muito limpo. Muito diferente do que eu sentia por dentro. Fiquei olhando pro teto, lembrando do rosto do César. Moleque bom, nunca me desrespeitou. Trabalhava direito, fiel, um do

