Cada um carrega, nas profundezas do próprio ser, uma alma faminta. Desejos escondidos, uma sede insaciável que arde por dentro. Eu sou uma dessas almas. Carrego segredos, mistérios, aquilo que não deveria ser permitido... E, talvez por isso, seja tão sedutor.
Traz consigo um apetite voraz, uma sede contida que queima como febre sem cura; uma atração avassaladora por aquilo que parece inalcançável ou inatingível. Há um pulsar quase insuportável da i********e faminta. Desejos reprimidos tornam-se incontroláveis quando provocados. Não há alma que consiga resistir a tanta intensidade, tanto pecado... insanidade pura. Tudo parece válido para alimentar essa necessidade. Não importa o quanto se vá além, o quanto se ultrapasse limites para saciar essa fome, essa sede que consome.
É insaciável, transbordando de devassidão. Cada espaço precisa ser preenchido. É algo enlouquecedor. E mesmo no auge do êxtase, a sensação não cessa — a fome persiste, a sede pulsa. O desejo por toques intensos, pelo beijo que arranca o fôlego... Não há descanso.
Ainda existem aqueles que escondem seus segredos mais profundos, seus mistérios impenetráveis, seus anseios sombrios e incontroláveis. E também existem almas com a capacidade de nunca saciar a própria fome.
Se puder dominá-las, faça isso. Se conseguir encontrá-las, tente saciá-las. Ou quem sabe apenas se perca nelas.
Sandra Ferreira
Avassaladora Livro Poético