O quarto de hotel estava mergulhado em penumbra. Cortinas pesadas bloqueavam a luz da manhã, mas não conseguiam esconder o odor de vinho barato misturado ao perfume intenso de Patrícia Ford. Ela caminhava em círculos, o salto batendo no mármore como um metrônomo de ansiedade. Na poltrona, recostado como quem se sentia dono do lugar, estava Antônio Boaz. Os olhos dele: frios, escuros, impenetráveis, seguiam cada movimento dela com o mesmo prazer doentio de um caçador que observa a presa se debater antes do abate. — Você demorou para aceitar. — a voz dele era grave, arrastada, carregada de ironia. — Pensei que preferiria continuar acreditando que Romeu voltaria para você. Patrícia parou diante dele, o queixo erguido em falsa segurança. — Romeu não voltou. — disse, seca. — E não voltará.

