Antonela Ribas Um mês. Trinta dias que pareciam uma prisão invisível. Um mês desde a cirurgia do meu filho. Um mês desde que paguei a dívida mais alta da minha vida — com o meu corpo. Um mês desde que o elevador me lembrou quem realmente tinha o controle. Eu tentei, com todas as minhas forças, acreditar que nada tinha mudado. Que era apenas trabalho. Que eu era só mais uma funcionária. Mas Heitor não deixou. Ele não precisou me tocar de novo. Não precisou repetir a violência silenciosa daquela noite. Ele apenas me cercou — como quem amarra fios invisíveis em torno do pescoço e vai apertando aos poucos. Os projetos que antes eram divididos entre equipes passaram, milagrosamente, a ser responsabilidade só minha e dele. Sempre em dupla. Sempre lado a lado. As reuniões se multiplic

