Heitor Veigas A noite caiu sobre o Rio, mas meu apartamento estava iluminado apenas pelo clarão âmbar do uísque no copo. O silêncio reinava, mas dentro da minha cabeça havia um eco constante: a cena no elevador. Fechei os olhos e vi de novo. Antonela encurralada. Os olhos dela fixos no painel, evitando os meus. O coração dela disparado, tão alto que eu quase podia ouvir. Sorri sozinho, lento, como quem saboreia um vinho raro. O medo nela tinha um gosto viciante. Não o medo do perigo físico — ela sabia que eu não levantaria a mão contra ela. Mas o medo do que eu representava, do que eu despertava dentro dela. Ela tremia porque lutava contra o próprio corpo. E essa era a minha vitória. Me levantei, andei até a janela e encarei a cidade que brilhava abaixo. O reflexo no vidro me d

