Antonela Ribas Acordei antes do despertador tocar. O corpo cansado, os olhos inchados da noite m*l dormida. Ainda sentia o gosto salgado das lágrimas na boca, como se tivesse chorado até o sono me vencer. Levantei devagar, tentando não fazer barulho para não acordar meu filho. No corredor escuro, o silêncio da casa parecia me esmagar. A cozinha me esperava como sempre: fria, vazia, e cheia de tarefas que não paravam só porque eu estava desmoronando. Preparei o café, arrumei a lancheira, fiz tudo no automático. Mas, a cada movimento, a lembrança voltava como um corte aberto: a boca dele esmagando a minha. O beijo que eu disse a mim mesma que não queria... mas cedi. A fraqueza estampada em cada arrepio que me percorreu. Balancei a cabeça, firme, murmurando quase como uma prece: — Nun

