bc

Meu mafioso salvador

book_age18+
0
FOLLOW
1K
READ
dark
forbidden
system
forced
badboy
mafia
heir/heiress
drama
bxg
office/work place
enimies to lovers
cruel
seductive
like
intro-logo
Blurb

Ele a viu e a salvou. Ela sempre foi dele, mesmo antes dele não fazer ideia de quem ela era.

Ela: Uma brasileira enganada por uma oportunidade de trabalho. Foi levada para outro país.

Ele: Um mafioso que antes era um seminarista. Mas se viu obrigado a ocupar o lugar de dom após as mortes de seu pai e irmão mais velho.

chap-preview
Free preview
Capítulo 1
Helena Às cinco e meia da manhã, enquanto a maior parte da cidade ainda dormia, o despertador do meu celular tocou pela terceira vez. Estiquei o braço para desligá-lo antes que acordasse minha mãe e permaneci alguns segundos olhando para o teto de madeira do nosso pequeno quarto. O ventilador girava lentamente, espalhando um ar quente que fazia pouca diferença naquele verão carioca. Do lado de fora, o primeiro ônibus já passava pela avenida, e um vendedor de pão anunciava sua mercadoria como fazia todos os dias. Era estranho como a vida conseguia ser tão previsível para quem tinha tão pouco. Levantei em silêncio e caminhei até a cozinha. A cafeteira ainda estava vazia, mas minha mãe já ocupava seu lugar de sempre diante da máquina de costura. Ela dizia que o silêncio da madrugada rendia mais serviço e menos preocupações. Eu nunca a contrariava. Bastava olhar para suas mãos marcadas por agulhas e calos para entender quantos sonhos ela havia deixado pelo caminho para que eu pudesse continuar acreditando nos meus. — Já acordou, filha? — perguntou sem desviar os olhos do tecido. Sorri enquanto colocava água para ferver. — Você deveria estar dormindo. — E perder prazo? A dona Célia me mata. Ri baixinho. Aquela era a nossa rotina. Simples. Repetitiva. Mas era a única vida que eu conhecia, e, apesar das dificuldades, existia amor suficiente para transformar uma casa pequena em um lar. Enquanto o café passava, peguei um caderno velho onde costumava anotar palavras em inglês. Fazia quase dois anos que estudava sozinha pela internet. Sonhava em trabalhar em um hotel, conhecer outros países e, quem sabe, um dia levar minha mãe para ver a neve. Ela sempre dizia que nunca pisaria em outro continente, e eu respondia que ainda compraria uma passagem só para provar que ela estava errada. Ela ria. Eu acreditava. Depois do café, saí para mais um dia de trabalho. Peguei dois ônibus até uma cafeteria no centro da cidade, onde servia mesas durante o dia inteiro. O salário m*l pagava as contas, mas as gorjetas me permitiam guardar alguns reais todo mês em um envelope escondido dentro do guarda-roupa. Na frente dele, eu havia escrito com caneta azul: EUROPA. Toda vez que colocava uma nota ali dentro, imaginava que estava um passo mais perto da vida que queria construir. Meus colegas diziam que eu sonhava alto demais. Talvez sonhasse. Mas, quando você cresce vendo sua mãe contar moedas para comprar arroz, aprender a sonhar deixa de ser um luxo. Vira sobrevivência. Naquela tarde, uma cliente elegante entrou na cafeteria usando um tailleur claro e óculos escuros enormes. Ela parecia deslocada naquele lugar simples. Pediu apenas um café expresso e passou quase todo o tempo observando as pessoas ao redor. Quando fui levar a conta, ela sorriu. — Percebi que você fala inglês. É um preparo excelente! Poderia conseguir um trabalho melhor. Bebericou um pouco do seu copo e eu a fitei respondendo: — Um pouco. Eu não tenho diploma, estudo em casa. Sabe como é né? O pobre tem que se virar bem. — Interessante... e espanhol, você sabe? Já pensou em trabalhar na Europa? Meu coração falhou uma batida. Mas neguei com a cabeça e ela provavelmente entendeu que eu não falava espanhol. Não havia possibilidade de ela saber sobre meus objetivos, ou haveria? Nunca fui de acreditar em coincidência, mas claramente era uma. Ou não? Enchi meus pulmões com uma generosa lufada de ar e a encarei, atenta. Não há nada de errado em ouvir o que ela dizia, afinal. Ela retirou um cartão da bolsa e o colocou sobre a bandeja. EuroDream Recruitment. — Estamos selecionando jovens para vagas em hotéis na República Tcheca. Recepcionistas, atendentes e auxiliares administrativos. O alojamento é fornecido pela empresa, assim como a passagem aérea. Seu perfil chamou minha atenção. Olhei para o cartão como quem segurava um bilhete premiado. — Eu... é necessário enviar currículo? — Nós recebemos indicações de escolas de idiomas e parceiros. Eu sou uma parceira e te indicaria. Você pode recusar, é claro. Mas acredito que desperdiçaria uma grande oportunidade. Ela terminou o café, agradeceu com educação e saiu. Fiquei parada por vários segundos, incapaz de respirar normalmente. Naquele momento, tudo o que consegui pensar foi que, talvez, Deus finalmente tivesse decidido olhar para mim. A mulher desaparece entre as pessoas que caminham pela calçada, mas eu continuo parada na porta da cafeteria, observando o cartão repousado na palma da minha mão. Passo o polegar sobre o logotipo dourado e releio o nome da agência diversas vezes. EuroDream Recruitment. O papel parece simples, mas carrega um peso que não consigo explicar. Durante anos, meu maior sonho cabe apenas dentro da minha cabeça. Agora ele ocupa um pequeno retângulo branco com letras elegantes e um número de telefone impresso no canto inferior. — Helena! A voz do gerente ecoa pelo salão e me faz erguer a cabeça imediatamente. — Pretende trabalhar hoje ou vai ficar admirando esse cartão até o expediente acabar? Dou uma risada sem graça, peço desculpas e guardo o cartão no bolso do avental antes de voltar para o balcão. Tento me concentrar, mas não consigo. Enquanto preparo cafés, anoto pedidos e recolho xícaras vazias, minha mente insiste em viajar para muito longe dali. Imagino ruas cobertas de neve, hotéis luxuosos, pessoas falando idiomas que só conheço pelos filmes e uma vida completamente diferente da que levo desde criança. Cada cliente que entra pela porta parece me lembrar que o mundo é muito maior do que aquele pequeno café no centro da cidade. As horas passam devagar, como se o relógio resolvesse implicar justamente comigo. Quando finalmente o expediente termina, tiro o avental às pressas, me despeço dos colegas e caminho quase correndo até o ponto de ônibus. Durante o trajeto, seguro a mochila junto ao peito, protegendo o cartão como se ele fosse um objeto precioso. Pela janela, o céu começa a ganhar tons avermelhados enquanto o sol desaparece entre os prédios. Acho bonito. Faz tempo que não reparo no céu. Chego em casa alguns minutos depois e encontro minha mãe sentada diante da máquina de costura. O barulho constante da agulha atravessando o tecido faz parte da minha vida desde que me entendo por gente. Ela levanta os olhos assim que escuta a porta abrir e sorri daquele jeito cansado que sempre consegue me transmitir paz. — Chegou cedo hoje. Deixo a mochila sobre a cadeira e me aproximo dela sem conseguir esconder a animação. — Mãe... aconteceu uma coisa. Ela desliga a máquina imediatamente. — Está tudo bem? Faço que sim com a cabeça e retiro o cartão do bolso. — Uma mulher apareceu na cafeteria. Disse que trabalha em uma agência de recrutamento internacional e perguntou se eu gostaria de trabalhar em um hotel na Europa. Ela segura o cartão com cuidado, lendo cada palavra escrita ali. Sua expressão permanece séria durante todo o tempo, e isso diminui um pouco a minha empolgação. — Você conhece essa empresa? — Não. — Já ouviu alguém falar dela? — Nunca... na verdade, nem sei endereço de alguma filial ou algo do tipo. Ela devolve o cartão para mim e apoia as mãos sobre o colo. — Então pesquisa. Hoje em dia existe muita gente aproveitando os sonhos dos outros. Sento ao lado dela e seguro sua mão. — Mãe, olha esse cartão. Parece uma empresa importante. Ela sorri de leve. — É justamente por isso que você precisa pesquisar. As coisas nem sempre são o que parecem. Permaneço alguns segundos em silêncio, observando o cartão novamente. Entendo a preocupação dela. Depois de tudo o que enfrentou na vida, desconfiar virou uma forma de proteção. Ainda assim, alguma coisa dentro de mim insiste em acreditar que aquela oportunidade é real. Depois do jantar, ligo o computador antigo que dividimos. A internet demora para carregar as páginas, mas isso pouco importa. Digito o nome da agência e começo a navegar pelo site. Fotografias de hotéis elegantes aparecem na tela, acompanhadas por vídeos institucionais, depoimentos de brasileiros trabalhando no exterior e uma lista de vagas disponíveis. Tudo parece organizado, profissional e bem planejado. Quanto mais leio, mais meu coração acelera. Preencho o formulário com atenção, reviso cada informação três vezes e anexo meu currículo. Antes de clicar no botão de envio, respiro fundo. Meus dedos permanecem imóveis sobre o mouse durante alguns segundos. Sinto medo. Não de dar errado, mas de finalmente permitir que um sonho saia do papel. Clico. Uma pequena mensagem aparece na tela confirmando que minha inscrição foi enviada com sucesso. Fecho os olhos por um instante e sorrio. Mais tarde, já no quarto, abro o envelope escondido no fundo do guarda-roupa. Conto as notas uma por uma, como faço todos os meses. Não é muito dinheiro, mas cada cédula representa horas de trabalho, cansaço e renúncias. Guardo tudo novamente no mesmo lugar, apago a luz e me deito. O sono demora a chegar porque minha cabeça continua ocupada imaginando como seria começar uma vida em outro país.

editor-pick
Dreame-Editor's pick

bc

Unscentable

read
1.9M
bc

He's an Alpha: She doesn't Care

read
753.2K
bc

Claimed by the Biker Giant

read
1.8M
bc

Holiday Hockey Tale: The Icebreaker's Impasse

read
986.0K
bc

A Warrior's Second Chance

read
363.6K
bc

Not just, the Beta

read
350.3K
bc

The Broken Wolf

read
1.1M

Scan code to download app

download_iosApp Store
google icon
Google Play
Facebook